Record que ninguém deve bater

É a corrida que ninguém quer correr, que ninguém deve correr. Os números fazem todo o sentido noutras disputas, não nesta, em que somam tristezas e dor. Apenas nesta Sexta-feira, num só dia, a Itália registou um novo record, 627. Um número absurdo que fez subir o total para 2032 almas levadas pela nova “peste”. Mas são números, diz-se agora, com que se paga a irresponsabilidade de uma geração mais nova, forte, acusada de não ter dado ouvidos aos avisos e ter disseminado a doença que ameaça deixar o país sem anciães.

Mas há também jovens levados por esta máquina que ninguém vê. A Itália agora é percebida apenas por cifras que assustam o mundo, um sinal da voracidade desta guerra nova em que devemos ser todos combatentes, em que perde a humanidade e mata quem não se discipline. Somos todos soldados e as batalhas, que se contam com os dias, ganham-se ficando quietos. Em casa, de preferência. Uma guerra que se ganha no sofá, deixando a peste passar.

Não é preciso partir, a frente da batalha está onde cada um está e as armas nas nossas mãos, literalmente. Quinze dias, mais um número imposto pelo Estado angolano, de afastamento, de isolamento, para a salvação. Podem ser cruciais. Há que cortar as pontes, as vias, evitar a progressão do inimigo. No nosso caso, evitar a sua entrada. Quinze dias sem abraços, sem beijinhos, sem contacto, quinze dias de mãos limpas. Ao menos quinze dias de amor, pela vida.

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