Prevenção contra o Covid 19“ arrasta “ centenas de pessoas aos estabelecimentos comerciais

A procura por produtos da cesta básica aumentou nos últimos dois dias, tendo em conta as medidas decretadas pelo Executivo para a prevenção da pandemia do Covid-19, que até ao dia de ontem tinha registado dois casos positivos no país

Numa ronda feita pelo OPAÍS, em armazéns e ao mercado paralelo, constatou- se a procura galopante por alimentos da cesta básica, limão, mascaras e produtos de higiene pela população que pretende prevenir-se da pandemia do coronavírus. No armazém Newaco situado no bairro Golf 2, centenas de pessoas procuravam por produtos alimentares para abastecer as despensas no período de quarentena domiciliar, os próximos 15 dias. No local, Teresa Bento, com o carrinho de compras abarrotado de caixas de frescos, mostrava-se muito preocupada com o anúncio do Executivo feito na mesma semana sobre medidas de prevenção, com o encerramento das escolas e das fronteiras. Por isso, antecipou as compras que normalmente são feitas no final de cada mês.

“Resolvi fazer compras antes do mês terminar porque o período de quarentena pode ser de mais de 15 dias e as lojas também podem encerrar. O consumo vai aumentar porque as crianças estarão em casa ”, explicou. Para ela, é importante as pessoas se prevenirem com medidas de higiene e a compra de bens alimentares, de modo a evitar aglomerado de mais de 50 pessoas nas próximas semanas. Julieta Gomes, moradora no Kilamba, disse que estava no local, desde as 7 horas, mas como pretendia fazer compras de acima de 100 mil kwanzas foi obrigada apresentar a cópia do Bilhete de identidade, a cidadã acredita que, a medida serve para evitar roubos de cartões de multicaixa. “ Mensalmente já faço esta quantidade de compras.

Mas, por causa das medidas das notícias do corona vírus decidi fazer já as compras na sexta-feira”, ressalta. O gerente do armazém, Job Morais, avançou que os produtos mais procurados são os frescos e na sexta- feira20, tinham sido comercializadas perto de 1.200 caixas de produtos diversos. “Na sexta- feira, 20, vendemos mais quantidades de produtos que a semana passada, tendo em conta o fluxo de clientes, mesmo faltando 30 minutos para o encerramento do armazém as pessoas continuam a chegar”, conta. No que toca ao stock, o responsável garantiu que o estabelecimento esta preparado para atender à procura e conta com 3 mil toneladas de produtos.

O armazém Sumdip também localizado nas imediações do golfe 2 verificou-se o mesmo cenário. Lá, encontramos pessoas vinda de vários pontos a procura de alimentos diversos e pessoas para fazerem socia (repartir o preço do produto adquirido) Maria João comentou que a realização as compras foram antecipadas pela questão das medidas de prevenção contra o covid -19. No entanto, a sua maior preocupação consiste no facto de que muitas empresas ainda não pagaram os salários. “Tive de pedir dinheiro emprestado para as compras e vou pagar com juros porque a empresa em que trabalho ainda não pagou aos funcionários”, lamenta. Já no armazém Mafco, igualmente no Golf 2, as pessoas estavam a ser atendidas do lado de fora, provocando desordem e até mesmo engarrafamento. Por essa razão, alguns clientes preferiram ir-se embora ou procurar outros estabelecimentos. Logo à entrada do estabelecimento, Francisca Sousa aguardava pela entrega dos produtos para ir para casa tranquilamente e cuidar dos filhos.

“Este armazém é muito pequeno, recebemos orientação dos funcionários para aguardar aqui fora porque seremos atendidas. Mas têm de criar condições para atender melhor as pessoas ”, disse. No armazém NST, no Kilamba, nas imediações no projecto KK 5000, as pessoas estavam na fila desde as primeiras horas da manhã e até às 11 horas muitos ainda não tinham sido atendidos, situação que estava a causar impaciência e preocupação aos clientes. A cada minuto que passava, mais pessoas chegavam ao local com a intenção de fazer compras para não faltar comida em casa. Abordado pela nossa equipa, Osvaldo João disse que pretende gastar mais de Kz 200 mil em compras de alimentos para aguentar o período de quarentena e seguir todas as orientações passadas pelos órgãos de comunicação social.

“Além das compras feitas neste estabelecimento, pretendo passar no mercado paralelo e noutras lojas para complementar os produtos que faltam e assim ficar despreocupado com a questão da comida por um longo período de tempo”,revela. No mesmo local, Tânia Marisa chegou às 8 horas, acompanhada pela irmã, e aguardava pela sua vez de ser atendida. A dona de casa salientou que começou a fazer as suas compras no início da semana, mesmo para evitar o stress de última hora. “Apenas pretendo comprar produtos de higiene porque os frescos comprei no início da semana”, disse. Um dos funcionários, usando máscara e luvas, que preferiu não se identificar, avançou à nossa reportagem que quando o armazém abriu as portas ao público já havia pessoas do lado de fora. “É preciso muita concentração, porque os clientes não param de chegar e muitos querem levar mais de três caixas de coxas ou frango. Estamos a vender muito em apenas dois dias”. Disse ainda que as caixas de entrecosto, carne, asinhas e fígado estão repartidas pelo meio para não comprometer o stock.

Especulações de preços preocupa consumidores

Muitos estabelecimentos comerciais em Luanda estão a aproveitar- se da situação para subir os preços dos produtos, tal como denunciou à nossa reportagem Antoniela Barbosa, que se encontrava no armazém da PEP situado no Calemba 2, no distrito da Cidade Universitária, município do Talatona. Segundo Antoniela, que andava com uma lista enorme a fazer cálculos das coisas que ainda tinha por comprar, um saco de arroz de 25 kg que às 8 horas estava a ser comercializado a 10 mil kwanzas, disparou para 11 mil e duzentos kwanzas em menos de 30 minutos. Enquanto o saco de arroz, que custava 11.500 kz, passou para 12 mil kwanzas. “Isso é que está a se verificar, de repente, os agentes económicos disparam os preços através do aglomerado de pessoas”, disse Antoniela compara ainda a Europa, que regista a pandemia Covid- 19 e lá não há registo de aumento dos preço dos produtos, principalmente alimentares.

Por isso, apelou por maior rigor por parte da fiscalização aos estabelecimentos comerciais. Outra cidadã que também lamentou a subida de alguns preços é a dona Zuita Miguel que se encontrava a fazer compras no mercado informal do Calemba 2. Para Zuita, os preços estão muito elevados, até ao momento da nossa reportagem, Zuita já havia gasto a metade do dinheiro que trouxera e só havia ainda comprado uma caixa de coxas a 8.500 e outra de peixe pescada a 15 mil kwanzas. Disse que aindafaltava comprar um balde de fuba, farinha, batatadoce, o açúcar e feijão para colocar em casa, tendo em conta a actual situação que atravessa o mundo e o nosso país também. “ O dinheiro quase que não chega, mesmo com 40 mil, a pessoa compra pouca coisa, porque os preços estão cada vez mais altos”, disse. A vendedeira, Joana Garcia, justifica que a subida dos preços no mercado se deve mesmo à escassez de alguns produtos, tendo em conta a época, por exemplo, o tomate, a cebola e batata rena.

INADEC apela aos consumidores a manterem a calma

A directora do Gabinete de Comunicação do Instituto de Nacional Defesa do Consumidor (INADEC), Joana Tomas, referiu que as pessoas devem seguir as orientações passadas pelo Executivo para evitar a propagação do Covid-19. No entanto, é necessário que os proprietários dos estabelecimentos comercias não se aproveitem da situação para especular os preços dos produtos e caso isso aconteça muitos vão ser punidos conforme a lei. “É preciso que as pessoas não se alarmem e não afluam aos armazéns e lojas, de modo a evitar o aglomerado no interior das unidades comercias, porque o risco é maior”, explica. A responsável apela aos consumidores a verificarem o prazo de validade dos produtos e o estado de conservação para evitarem contaminação alimentar

 

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