Psicólogo encoraja Governo a usar autoridade sobre igrejas prevaricadoras

O académico receia que a população desacate ou abandone as medidas de prevenção para depositar a esperança de uma solução viável em reuniões de culto alegadamente reduzidas programados por tais instituições religiosas

Insatisfeito com os comunicados que tinham sido emitidos pelas igrejas Universal e Adventista do Sétimo Dia, o psicólogo Carlinho Zassala exorta o Executivo angolano a tomar medidas sérias contra as congregações religiosas que se recusarem a cumprir as recomendações por si avançadas. “Muitas vezes perguntamo-nos porquê as nossas autoridades não responsabilizam os autores de mensagens como estas que podem criar ainda mais problemas para uma sociedade que já se encontra teoricamente em pânico”, questionou o académico, tendo realçado que, nestas situações, quer ver o as autoridades a tomarem medidas contra quem cometeu, não importando se se trata de igreja ou não.

Referindo-se ao bom exemplo das igrejas que, a par do comunicado do Governo, fizeram sair de imediato outros que suspendem todas as actividades, Carlinho Zassala, foi peremptório em a firmar que certas congregações que não suspenderam de imediato todas as actividades, por iniciativa própria, se importam mais com o dinheiro do que com a saúde das pessoas. Por isso, o Governo deve ser rigoroso, ao ponto de evitar que haja tendência de interpretação por parte da população de que o poder Executivo protege algumas congregações. Carlinho Zassala alertou que esse tipo de insistência de realização de cultos ou outras actividades de reuniões, ainda que reduzidas, que previam algumas igrejas, pode suscitar nos fiéis e não só que a cura ou a solução dos problemas se encontra nessas paradas.

“É um assunto sério, por isso não devemos brincar com coisas sérias”, avisou o sociólogo, que comparou o novo Coronavírus a uma “bomba biológica”, tendo, igualmente, apelado a ter-se cautela, porque o problema é de todos e não de um sector. Para não ser mal interpretado, segundo cogitou, o entrevistado emendou o seu discurso acrescentando que o problema também não era de um ministério, de um partido, nem de uma organização qualquer, mas envolve todas as franjas sociais. “Por esta razão, em nome da Ordem dos Psicólogos de Angola (OPsA), gostaríamos de dizer que nessa luta também temos a participação psicológica, porque devemos saber que antes da contracção de uma doença, a pessoa vive um estado de ansiedade e de angústia que diminui o estado de resistência do próprio indivíduo, predispondo, igualmente, o próprio organismo para a contaminação. Deve-se assegurar o trabalho com os médicos, psicólogos, psiquiatras, entre outras individualidades para nós sabermos qual é o comportamento das pessoas. “A ser assim, lançamos um apelo aos dirigentes do país e aos representantes de todas as instituições para tornarmos essa pandemia num assunto de Estado, que deve mesmo envolver-nos a todos”, reiterou.

Tratamento de informações

Carlinho Zassala é de opinião de que o Estado tem de comunicar em tempo certo, a fim de se adiantar a qualquer tipo de especulações, pois ainda tem de reconquistar a confiança de uma parte da sociedade, que se mostra incrédula às suas informações. Entretanto aconselhou, para tal, ser necessário averiguar que tipo de informação deve ser dada, como e porquê deve ser emitida, por haver mensagens que, quando mal dadas, podem ser fatais. Finalmente, o psicólogo se mostrou preocupado com o pânico que afecta a população, principalmente agora com o anúncio dos primeiros casos positivos no país, por isso reiterou a produção de informações credíveis.

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