André Mussamo promete “reabilitar” e dar novo rumo ao MiSa-angola

Conseguir uma sede para se instalarem é a primeira tarefa do novo elenco, que aguarda por uma informação da direcção cessante sobre o relatório de contas até, pelo menos, à sua tomada de posse

O jornalista André Mussamo, eleito no Sábado, 21, para dirigir o Instituto para Comunicação Social da África Austral (MISA) de Angola, promete dar novo rumo à organização com a definição de 10 principais objectivos, dentre os quais aquilo que considera a sua reabilitação. André Mussamo entende que os membros do MISA-Angola aos poucos se foram desinteressando, pelo que, reconquistar a confiança dos jornalistas filiados é também parte da sua estratégia para o mandato de quatro anos.

Para tal, diz que vai apostar em campanhas de mobilização e filiação de novos membros em todas as províncias, porque desde a fundação da organização em Angola, nos finais de 1990, não se regista a admissão de novos membros. A nova direcção considera que o MISA-Angola perdeu credibilidade com mandatos em crise, fazendo com que o entusiamo da sua criação caísse em descrédito, o que terá culminado com aquilo que considerou de “morte cirúrgica”.

André Mussamo, que actualmente faz parte dos quadros do jornal OPAÍS exercendo a função de editor de Economia, refere que são vários os desafios, mas o seu elenco se daria por satisfeito se 50% dos objectivos fossem alcançados ao fim dos quatro anos.

Prestação de contas e apoios

O MISA-Angola actualmente não tem uma sede e é precisamente aqui por onde a direcção eleita quer começar o seu trabalho depois da tomada de posse, por entender ser humanamente impossível dinamizar a organização sem um lugar em que possam, no mínimo, reunir-se. O local não parece preocupar o seu líder, adiantando que mesmo que for na periferia da cidade não se vai importar.

Conseguir financiamento ou alguma doação para materializar os objectivos é o que parece difícil de se concretizar, tendo em conta que direcção cessante, liderada pelo jornalista Alexandre Solombe, não apresentou o relatório e contas. Enquanto os apoios não chegam, André Mussamo diz que a mobilização dos seus filiados para participação em quotas com base nos estatutos é o mínimo que se poderá fazer para a sobrevivência do MISA-Angola.

Entretanto, André Mussamo disse que a não prestação de contas é um princípio que qualquer financiador reprova e o elenco passado trabalhou com financiamentos externos, razão por que vai encorajar o seu antecessor a apresentar o relatório até ao dia de tomada de posse. “Pessoalmente, me disponibilizo a convidar os nossos antecessores, se possível, a nos prestarem alguma informação até ao dia de tomada de posse. Aliás, não gostaríamos de começar a trabalhar sem saber o que se fez, porque as contas bancárias hãode ser as mesmas e, se calhar, vamos bater as portas aos mesmos financiadores”, disse, acrescentando que não poderão responder que não foi no seu mandato tendo em conta que o MISA é um só.

O jornalista considera uma responsabilidade a missão que tem, realçando que os objectivos do MISA ultrapassam a dimensão dos jornalistas, por se tratar de uma organização de defesa das liberdades de expressão e de opinião. Para a dinâmica que pretende impingir, André Mussamo espera contar com a colaboração de outras instituições da classe jornalística, como são os casos do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade do Género, Organização de Jornalistas Desportivos e os órgãos de comunicação social. André Mussamo, candidato único, foi eleito com 80% dos votos e espera devolver a credibilidade perdida pela organização.

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