Covid-19 pode infectar cerca de 80 por cento da população por falta de cuidados

O país registou, ontem, o terceiro caso positivo do novo Coronavírus (Covid-19). Trata-se de um cidadão angolano, de 23 anos, proveniente de Espanha, com escala em Portugal, no voo do dia 17 do corrente mês

Cerca de 80 por cento da população no país poderá ficar infectada, mas assintomática (paciente portador de uma doença ou infecção e que não exibe sintomas), 15 por cento poderá ter manifestações químicas e 5 por cento (cerca de milhão e meio de pessoas) será de casos muito graves a precisar de ventiladores, revelou, ontem, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, em conferência de imprensa realizada no Centro de Imprensa Aníbal de Melo.

Para evitar que tal aconteça, segundo a governante, é necessária a prevenção. Realçou que tudo passa pelo isolamento e, por isso, têm de ir atrás, trabalhando no sentido de encontrarem toda a cadeia de transmissão relacionada com cada um dos casos. “Identificar e cortar logo a cadeia de transmissão, porque o segredo está aí para se evitar a expansão e a progressão da epidemia”, detalhou.

Fazendo um cálculo muito rápido, a ministra disse que, olhando para os cerca de 30 milhões de habitantes existentes no país, o Executivo está estimar quantos ventiladores serão eventualmente necessários se as pessoas não acatarem os conselhos.

“A necessidade de ventiladores também vem com a de técnicos muito especializados para os manusear, e nós não temos assim tantos. Mas continuamos a dar formação, por essa altura, de forma acelerada, aos nossos profissionais, para estarem à altura do manuseamento necessário”.

Sílvia Lutukuta fez saber que o Governo e a Comissão Multissectorial estão a preparar as condições básicas necessárias de acordo com as instruções que são dadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adequadas a realidade do país. Neste momento, o país está a fazer aquisições de ventiladores. De modo a se prevenir, a sua instituição está em vias de receber mais uma enorme quantidade de testes e está a contar com o apoio do Banco de Fomento Angola (BFA), que se juntou à causa no âmbito da sua responsabilidade social, doando dinheiro.

O mesmo apoio receberam do Banco de Negócios Internacional (BNI) que disponibilizou umas das suas instalações. Salientou que o país conta com um centro de referência localizado na Barra do Cuanza, transformado em centro de tratamento, que está equipado com 21 ventiladores. Porém, para fazer face a uma possível demanda estão a mobilizar todas as unidades de referência que têm áreas de cuidados intensivos e que têm os seus ventiladores. Disse estar consciente de que para esta pandemia está provado ninguém (Nenhum país) tem ventiladores em quantidades suficientes para atender os pacientes.

Governantes províncias trabalham em grande velocidade

De acordo com a ministra, há o envolvimento dos governos províncias e todos estão a trabalhar em grande velocidade para garantir que não falte oxigénio. Algo que não se pode prever e tudo dependerá da prevenção que se fizer agora.

A governante disse ainda que a Comissão Multissectorial está em alerta permanente e a acompanhar a realidade de outros países que estão a enfrentar a epidemia com situações mais graves, sendo que estão a tirar dos erros de outros países ilações para prevenir melhor o nosso país. Por outro lado, apelou a população a não estigmatizar as pessoas que regressaram de países classificados de alto risco de contágio, tendo em atenção que a maioria são angolanos e tinham de ser recebidos no seu país. E, por conseguinte, o foco deve ser juntar esforços no sentido de prevenir e evitar o eventual impacto da doença em Angola, do ponto de vista social e económico.

Aglomerados de pessoas podem ser reduzidos

“Nós devemos evitar, por essa altura, enquanto não estamos numa situação pior, aglomerados de pessoas com mais de 50. Além deste número limite, temos de se evitar fazer e receber visitas desnecessárias, festas e ir à igreja. Lavar as mãos com água e sabão com frequência necessária, evitar cumprimentar e dar abraços a pessoas” são as medidas de prevenção avançadas por ela. Garantiu ainda que estão a trabalhar num plano de contingência e sempre que for necessário vão instituir novas medidas que podem passar pela redução de aglomerados de pessoas.

Sobre a Cloroquina, explicou que ontem tiveram a notícia dos Estados Unidos da América (EUA), na pessoa do seu Presidente Donald Trump, segundo a qual já aprovou o uso desse medicamento no tratamento da gripe causada pelo Covid-19 e estão todos na expectativa. A médica esclareceu que ainda não temos necessidade de usar esses fármacos porque os casos registados são todos leves, os pacientes estão em isolamento com acompanhamento para evitar a propagação da doença.

O tratamento, por enquanto, é sintomático, sendo que quando se trata de febre administra-se paracetamol e faz-se repouso e hidratação. Quanto ao uso de máscaras explicou que as mesmas também são para ser usadas, por enquanto, pelos profissionais da saúde que atendem esses pacientes e que vão atrás das pessoas com as quais mantiveram contacto. Não é para as pessoas irem à rua com máscara. Na altura em que a situação venha eventualmente a querer isso, garantiu que vão informar em tempo útil o que fazer.

Laboratório com capacidade de 91 amostras diárias

Entretanto, disse que a quantidade de testes feitos varia e depende do número de casos que vão para o laboratório. realçando que este laboratório é de referência nacional e as amostras são processadas à medida que chegam. “o laboratório tem a capacidade de processar 91 amostras por dia, mas, por enquanto, o número de casos suspeitos que faz a definição de casos não é tão elevado e varia.

O número mais elevado até agora foi de 13 amostras”, disse. Sílvia lutukuta aproveitou a ocasião para desaconselhar as visitas nos hospitais devido às inúmeras doenças que comprometem o sistema imunitário e que depois podem gerar um número elevado de casos a nível dos hospitais. igualmente aos centros de quarentena. declarou que os órgãos de defesa e segurança terão mesmo de impedir esses aglomerados.

Para dissipar eventuais dúvidas esclareceu que o isolamento pode ser feito de duas formas: quarentena domiciliar e institucional. Contou que o principal desafio tem sido a quarentena domiciliar, porque uma boa parte das pessoas ainda não percebeu que estão a colocar em risco a eles próprios, às suas famílias e outras pessoas. disse que muitos não estão a cumprir, têm recebido muitas denúncias e os infractores estão a ser levados aos centros institucionais de quarentena.

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