Produção de carne satisfaz o mercado nacional

Redução do consumo de carnes congeladas, mais carnes frescas no mercado e protecção da produção nacional é o que se pretende. na sequência da importação de gado bovino do Tchad, retomamos uma entrevista com o Presidente da associação de Criadores do Sul de angol, luís gata

O mercado nacional é abastecido, em grande medida, com carne congelada vinda de várias partes do mundo. No entanto, os produtores nacionais dizem-se prontos para assegurar o abastecimento de carne. Contudo, reconhecem que falta matadouros. Linha de crédito para o fomento da actividade precisa-se.

A capacidade dos criadores de gado produzirem carne para abastecer o mercado é reconhecida e exaltada em várias ocasiões. No entanto, a verdade é que o mercado ainda é disputado entre a carne importada e a nacional. Chamado a falar sobre o assunto, o secretário da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola defende que há, de facto, capacidade por parte dos nacionais para abastecer o mercado.

“Há sim uma capacidade que precisa de ser melhor conhecida. Para isso, precisamos fazer um senso mais profundo, capaz de identificar onde está o gado. E isso vai acontecer quando forem colocados os brincos. Aí vamos concluir que temos, sim, capacidade, e temos qualidade”, referiu. Luís Gata revela que “temos problemas de consumo no país, onde não existe uma classe média.

Se houvesse o fim da importação de carne, nós, os criadores, teríamos uma resposta adequada”, assegurou. Temos tido muita carne congelada porque não conseguimos vender. Há vezes em que ficamos um mês sem vender. Não há consumo.

Portanto, perante este quadro, pensamos que as importações podem e devem ser dificultadas, porque existe uma resposta que não foi possível dar”, afirmou. Avança que está em discussão um financiamento entre no Executivo e a banca que visa melhorar a produção de gado e aumentar a oferta de carne no mercado. O montante, avaliando em 100 milhões de dólares, disse, vai servir para melhorar as infra-estruturas de muitas fazendas. Todavia, lamenta não haver uma linha de crédito específica para os criadores. Mas ressalva que, com o PAC já se começa a aproximar a pretensão dos associados.

Além de criarem animas, é desejo daquela agremiação de Criadores de Gado do Sul de Angola entrar propriamente no mercado da carne, com o lançamento de uma marca da cooperativa, com selo de garantias. O processo passará pela criação, abate e transformação da carne. Afirmar este produto é o desejo.

E para que o projecto se torne realidade, avança Luís Gata, há negociações com à banca, assim como estão à procura de terrenos onde será produzida a forragem (complemento alimentar) para o gado. Está previsto também o aumento do peso dos animais antes mesmo de serem abatidos. Luís Gata defende que “o país possui excelentes qualidades para produção de gado bovino, suíno, caprino e não só.

No Sul tudo tem sido feito com projectos próprios no sentido de se maximizar o que foi feito até agora”, disse. Recentemente, mais de mil cabeças de gado bovino chegaram a Luanda, provenientes do Tchad, no quadro do Programa de Repovoamento do Planalto de Camabatela, que abrange as províncias do Cuanza-Norte, Malanje e Uíge.

Matadouro de referência precisa-se

Para que tudo corra bem, Luís Gata sabe que é preciso melhorar as condições de criação dos animais, abate e conservação. É neste sentido que sublinha a necessidade de se instalar, nos próximos 3 anos, um matadouro de referência na província da Huíla, onde fica a sede da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA). “Este matadouro vai ser responsável pelo abate, refrigeração e o embalamento das carnes com a qualidade desejada pelos consumidores do nosso país, realçou.

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