O aperto

O Presidente João Lourenço reúne hoje o Conselho da República, ontem já ouviu, por intermédio dos seus auxiliares, a Assembleia Nacional. O tema, já se sabe, é a pandemia do Covid-19, de que Angola poderá começar a sentir dores daqui a mais uma semana, mais dia, menos dias. Será a altura em que se poderão revelar os efeitos da brincadeira do aeroporto, se tiverem entrado muitas pessoas portadoras do vírus.

Os mercados informais serão as primeiras vítimas de uma eventual ordem de encerramento, necessária, naturalmente. E aí o país conhecerá o seu verdadeiro rosto. O que tem, o que vale. A grande maioria das pessoas nestes mercados não faz mais nada do que ganhar o que comer no dia, muitas vezes a única refeição diária, nutricionalmente muito pobre. Se os casos se multiplicarem, o confinamento das pessoas e a sua vigilância será um inferno.

Em boa parte dos nossos bairros as ruelas são intransitáveis, as casas não permitem permanências longas no seu interior, as ruas não têm nome e as casas não têm número. A fome irá obrigar muita gente a sair de casa, assim como a sede. Falando disso, a grande maioria das famílias não tem água corrente em casa. Um dia, toda esta forma de tratar o cidadão haveria de revelar-se um desastre, vamos enfrentá-lo agora. Mas podemos minimizar os estragados, ainda que em tempo de crise, salvando vidas.

E isto, no caso presente, passa por ficar em casa, ainda que numa casa de chapas, sob calor intenso, sem água e sem comida. Neste aperto, o bem maior, para muitos o único, a preservar é a vida. Ficar em casa é a única forma de desfazer o aperto.

error: Content is protected !!