COViD-19 força adiamento da vígilia para “destituir” presidente da FNLA

A segunda vigília de um grupo de antigos combatentes da FNLA prevista para esta semana, para exigir a renúncia do presidente deste partido, Lucas Ngonda, foi adiada (sine die) por força da pandemia coronavírus (COViD-19)

Lucas Ngonda, presidente da FNLA

Fonte da comissão organizadora confidenciou ontem a OPAÍS que o adiamento decorre em obediência às orientações do Executivo em relação às medidas que devem ser observadas para se evitar a propagação da pandemia Covid-19, que já conta com três casos em Angola. Informou que, devido aos possíveis riscos que a mesma podia acarretar, decidiu-se por adiar até novas indicações das autoridades do país, numa altura em que se pode decretar o estado de emergência.

Ontem, o Presidente da República, João Lourenço, reuniu o Conselho da República e recebeu sugestões dos seus conselheiros para decretar o estado de emergência para conter a propagação do Coronavírus em Angola. Até ao momento em que se redigia estas linhas, ainda não tinha sido decretado o estado de emergência.

Vígilia

Na passada semana, um grupo de antigos combatentes anunciou a realização de uma segunda vigília, por tempo indeterminado, para forçar a demissão do líder do partido, Lucas Ngonda, acusado de má gestão da força política e violação dos estatutos. Organizada, a partir do Huambo, a vigília previa a permanência de militantes na sede nacional do partido e em algumas propriedades privadas de Ngonda, em Luanda.

A fonte avançou que a presença nas alegadas propriedades, designadamente estabelecimentos comerciais, complexos hoteleiros e escolares, serviria para denunciar às autoridades judiciais que foram construídas com o dinheiro do partido, que beneficia do OGE em unção da sua representação parlamentar. Esta segunda vigília, que tem como promotores antigos combatentes e o apoio de um grupo da JFNLA, braço juvenil deste partido, foi pensada depois de o presidente do partido não ter podido reunir o Comité Central (CC) por falta do quórum.

A reunião teria lugar a 7 de Março deste ano, mas também foi adiada pelo mesmo motivo. Este último adiamento foi o pomo de discórdia para que se tomasse a decisão de convocar uma outra vigília. A falta de quórum para a realização da reuniões do Comité Central (CC), órgão deliberativo, segundo a fonte deste jornal, é a “velha manobra” atribuída a Lucas Ngonda, como pretexto para permanecer mais tempo na liderança da FNLA.

Os manifestantes da FNLA pretendem, com o afastamento de Lucas Ngonda, criar uma comissão de gestão para preparar um congresso destinado a eleger um novo líder. O mandato de Lucas Ngonda como presidente da FNLA terminou em Fevereiro de 2019, mas recusase a abandonar o partido por razões que a fonte disse desconhecer.

Contestações

Desde o ano passado que o presidente da FNLA vive um consulado de contestação, acusado por militantes de má gestão e de deixar o partido à beira da extinção, tendo exigido a sua renúncia, não só da liderança do partido, mas também na Assembleia nacional, onde é o único deputado do partido, saído das eleições gerais de 2017.

A primeira manifestação contra Lucas ngonda decorreu em Luanda, onde um grupo de manifestantes, de Luanda e de outras províncias, partiram do Largo do Soweto, na Vila Alice, em direcção à sede do partido, onde se deveria realizar uma vigília, mas impedida pela Polícia nacional.

Seguiu-se uma outra, em que um outro grupo, maioritariamente de antigos combatentes, manifestou-se na sede exigindo a demissão incondicional de Lucas ngonda. entretanto, sobre este o assunto, a direcção da fnLA recusa-se a fazer comentários e minimiza o assunto, que alega estar a ser instrumentalizado por uma mão invisível, cujos fins são inconfessos.

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