“Um livro com vírus” sugere jornalista Victor Hugo Mendes

A proposta surge no quadro do seu incentivo e promoção de hábitos de leitura. O jornalista e autor acredita que não seremos as mesmas pessoas se formos contagiados pelo “vírus da leitura” durante este período de quarentena institucional, domiciliar e isolamento social

Contactado por este jornal sobre o momento que o mundo hoje enfrenta, e a sua permanência em Portugal, país que tem vindo a registar vários casos positivos de Covid-19, ele refere que nesse período o mundo está fechado para relações sociais e isso toca indelevelmente as comunicações interpessoais. “Não há memória, pelo menos entre nós angolanos, de algo tão forte como o que estamos a viver.

Por causa do Coronavírus, tivemos de nos resguardar para evitar ainda mais a propagação da pandemia que nos mostra o quão frágil somos ante a força da natureza quando a biologia descontrolada reclama o seu lugar”, refere. O também autor de “Tchiwekinha-o menino vencedor” apela para que, nessa altura em que as famílias estão em quarentena, se aproveitasse esse tempo para o grande e importante exercício da leitura.

Ler faz bem, e talvez se tivéssemos criados boas práticas e esse incentivo na sociedade angolana, saberíamos lidar melhor com essa situação. “O mundo parou, é verdade, mas no sentido inverso, podemos aproveitar para lermos ainda mais. País nenhum se desenvolve e ou consegue registar bons resultados nas suas políticas sociais se o seu povo não tiver uma boa educação. Se o seu povo não souber ler, ou saber, mas não gostar de cultivar esse hábito, teremos sempre sérios problemas”, justificou.

O jornalista nascido na Maxinde, em Malanje, aponta que governar um país que não lê, é o mesmo que conduzir uma viatura sem travões. Por esses dias, vê-se grudado em casa e já lá vão cerca de 14 dias. Por esse motivo, é “obrigado” a fazer uma profunda introspecção e, nisso, tem aproveitado o tempo para ler muito mais.“Tenho igualmente convidado os demais compatriotas por via das redes sociais a fazerem o mesmo.

Não sabemos por quanto tempo demorará essa quarentena nem a luta contra a Covid-19. Mas é quase unânime que o mundo não será o mesmo depois disso tudo passar. E nós também não seremos os mesmos depois que somos contagiados pelo vírus da leitura”, concluiu.

Projecto

No prosseguimento das suas publicações literárias, depois de “O meu livro de pensamentos”, “Face 69” e “Tchiwekinha-o menino vencedor”, Victor Hugo Mendes vai colocar à disposição dos leitores ainda este ano mais dois livros. Trata-se de “A menina do Cunene” e “Frases na Lavra”, respectivamente. O primeiro “A menina do Cunene” como é intitulado conta a estória de uma adolescente que muito gostava de pastorear o gado.

Ao passo que “Frases na lavra” é uma junção de frases de motivação compiladas ao longo dos vários anos, enquanto jornalista e palestrante, com cartas dadas inclusive no estrangeiro. Por agora, Victor Huho Mendes não tem em agenda palestras, embora, como refere, não lhe têm faltado propostas quer no país quer na diáspora, pois está dedicado a um novo projecto que começara em Portugal ligado à Comunicação Social, que tem a ver com a criação de uma rádio digital (online), denominada Rádio Victor, cuja emissão pode ser ouvida através do endereço www.radiovictor.com.

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