COVID-19 afecta negativamente “noticiários culturais” em Angola

A Angop, por exemplo, única agência de notícias de Angola, não actualiza a sua página cultural desde o dia 21 de Março, quando o fazia regularmente antes da COVID-19 chegar ao país. Por outro lado, alguns jornais e portais continuam a informar, embora factos como adiamento de eventos culturais “tomem conta” dos títulos

Com a proibição da realização de eventos públicos que englobam actividades culturais e religiosas, por força do Decreto Presidencial Provisório 1/20, de 18 de Março, em consequência da pandemia da COVID-19 que preocupa Angola. A difusão de matérias culturais em jornais e portais vê-se afectada, de acordo com reclamações de jornalistas. A Angop, por exemplo, única agência de notícias de Angola, não actualiza a sua página cultural desde o dia 21 de Março, quando o fazia regularmente antes da COVID-19 chegar ao país.

No Jornal de Angola, segundo Francisco Pedro, que se tem responsabilizado pelo caderno de Cultura, a pandemia da COVID-19 alterou em grande os títulos culturais, pelo facto de 50 por cento das matérias estarem relacionadas com as consequências da mesma. “Cancelamentos de espectáculos, exposições, encerramentos de centros culturais e casas de cultura, bem como mensagens de agentes culturais e de dirigentes de associações artísticas apelando aos membros (artistas) para acatarem todas as medidas de prevenção são os títulos que dominam o caderno cultural do JA”, disse.

Independentemente de quais sejam as circunstâncias, o funcionário do Jornal de Angola diz que o jornalista deve trabalhar, até porque esta profissão permite que seja exercida mesmo à distância, estando em casa. Assim, atribui uma grande importância às redes sociais, como ferramentas privilegiadas para trabalhar-se em Jornalismo, uma vez que nelas é possível veicular-se jornais. “São de capital importância pois racionaliza-se no máximo as finanças, a circulação de meios e pessoas, indispensáveis para evitar a propagação da pandemia.

A Internet é o salva-vidas…em momento de crise é tempo para que o Estado desperte e dê acesso fácil para a população deste bem, tão útil para a estabilidade social e funcionamento normal dos governantes e governados, enfim, para a harmonia das sociedades”, acrescentou. Francisco, que acredita que cada órgão de Comunicação Social deve adoptar medidas em função da sua natureza, diz que são momentos de máxima colaboração, por se estar diante de uma “guerra biológica”, em que todas as medidas são bem-vindas. “Aqui, estamos a observar restrição na redacção. Formaram-se grupos, que trabalham de maneira alternada. Um trabalha 4 dias e outro que trabalha 3 dias (menos um) mas abrange o fimde-semana”, rematou.

Conteúdos culturais do PlatinaLine afectados em 95 % “O PAÍS” abordou o CEO do portal PlatinaLine, Sarchel Necésio, e este revelou que com a chegada da pandemia da COVID-19 a Angola, os conteúdos culturais do seu órgão viram-se afectados em 95 por cento, ficando sem conteúdos por explorar. Face a isso, a sua equipa tem recorrido às TIC’s para conversar com artistas sobre o que têm feito e planeado, em directo, nas diversas plataformas a que A Platina esteja associada. Quanto ao facto de ter de trabalhar com as redes sociais, disse ser habitual. “Sabemos como explorá-las ao máximo. O que mudou é que agora só temos de nos servir do virtual para alimentar o portal. Porém continuamos firmes. Aqui a nossa perda é outra.

É redução de anunciantes ou coberturas de actividades que são rentáveis”, explicou.
Folha 8 procura adaptar-se à situação De acordo com o jornalista do Folha 8, Nvunda Tonet, a produção cultural do periódico em que trabalha também foi afectada. Por isso, conta, o jornal vêse obrigado a adaptar-se e abordar questões culturais que visem combater a pandemia com acções culturais pedagógicas.

“Vamos tentar explorar outros ângulos, desde que não deixemos de informar os nossos leitores sobre cultura. Vamos ultrapassar esta situação da falta de conteúdos com casos que ainda estejam presentes, como é a questão dos prémios literários, entrevistas aos escritores e outros artistas. Falar mais de forma pedagógica sobre determinados ritos culturais, traços antropológicos e étnicos de determinadas zonas do país, pouco exploradas e divulgadas”, explicou.

Outro dado Importa frisar que além dos noticiários culturais, a COVID-19 também afectou os conteúdos desportivos. O Governo de Angola tem envidado esforços para combater o vírus e evitar que ele se propague, de modo a não atingir um forte índice de contágios comunitários. Tal como Angola, África e o Mundo lutam contra esse mal.

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