BNA garante reservas para importar bens durante oito meses

O stock das Reservas Internacionais Brutas do Banco Nacional de Angola situou-se, em Fevereiro deste ano, em USD 16,39 mil milhões, equivalente a um grau de cobertura de importações de bens e serviços de oito meses

Em conferência de imprensa, nesta Sexta-feira, no final de uma reunião do Comité de Política Monetária, para, entre outros, abordar o impacto do Covid-19 sobre a economia nacional, o governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, disse que o país está num nível que “dá ainda algum conforto”.

Sublinhou que um grau de cobertura das reservas para importação de bens e serviços para oito meses está acima das recomendações do Fundo Monetário Internacional (F.M.I.) e das convenções que existem a nível da região. Porém, o governador do B.N.A. previu que, a manter-se o preço do petróleo ao nível actual, poderá haver uma agressão maior sobre as reservas internacionais mas, há também um conjunto de medidas que vão no sentido de proteger as mesmas, para se assegurar a solvabilidade externa da economia.

José de Lima Massano disse que o conjunto de reformas efectuadas permitem encarar este momento com alguma serenidade, mas com o preço do petróleo abaixo dos 30 dólares colocam-se desafios acrescidos a todo exercício de gestão macro económica e de melhoria da condição de vida dos cidadãos.

Do ponto de vista da estabilidade do sistema financeiro, o responsável explicou que o exercício efectuado no final do ano passado, com a avaliação da qualidade dos activos, indica que a larga maioria dos bancos têm robustez suficiente para continuar a operar e apoiar a economia.

Medidas para conter impactos do Covid-19

A Comissão de Política Monetária avaliou o impacto da pandemia do Covid-19 sobre a economia nacional, com particular atenção às contas externas e as suas implicações na condução da política monetária e cambial.

Entre as medidas, salta à vista o alargamento para os 54 produtos do PRODESI, o crédito com recurso às reservas obrigatórias e, o número mínimo de operações de crédito a conceder por banco. Ou seja, os bancos comerciais vão poder utilizar as reservas obrigatórias para apoiar os créditos concedidos ao sector produtivo à taxa de juros de 7,5% por ano.

Segundo José de Lima Massano, é uma taxa “bastante competitiva perante o quadro agressivo e de estímulo ao fomento da actividade económica do país”.

Destaca-se ainda o facto de o B.N.A. estabelecer uma linha de liquidez com valor máximo de 100 mil milhões de Kwanzas para a aquisição de títulos públicos em posse de sociedades não-financeiras. A medida visa apoiar as empresas não-financeiras que, quer por opção de investimento no passado, quer por regularização de dívidas públicas, receberam títulos públicos e tenham, nesta altura, interesse em desfazer-se, de modo competitivo, para terem acesso à liquidez.

O C.P.M. decidiu também manter a taxa básica de juro do B.N.A., em 15,5%, bem como a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez, com maturidade overnight em 0% e, reduzir a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez, com maturidade de sete dias, de 10% para 7%.

O B.N.A. vai igualmente manter em 22% e 15% os coeficientes de reservas obrigatórias para moeda nacional e estrangeira, respectivamente. Deliberou também a isenção dos limites de liquidação por instrumento para importação de bens da cesta básica alimentar e medicamentos.

Para conter os impactos negativos da pandemia do Covid-19, o B.N.A. estabeleceu o dia 1 de Abril de 2020 para o arranque da utilização da plataforma Bloomberg para as operações de venda de moeda estrangeira pelas companhias petrolíferas e Agência Nacional de Petróleo e Gás (A.N.P.G.), aos bancos comerciais.

Receios

Para José de Lima Massano, os receios são que, ao ser longo o período da pandemia, este esforço e apoio possam, eventualmente, a traduzir-se numa necessidade de se revisitar os níveis de recapitalização dos bancos comerciais, para além da irregularidade do crédito, demandando um esforço maior destas instituições financeiras.

Afirmou que o momento difícil forçado pelo novo coronavírus poderá ser mais uma oportunidade para acelerar o processo de diversificação da economia, apostando-se nas potencialidades internas, com apoio do conjunto de medidas que continuam a ser adoptadas e estímulos ao tecido empresarial. “Não é um momento de desânimos, nem de cruzarmos os abraços, mas sim de reunirmos energias para sairmos desta situação mais fortes”, realçou.

(Angop)

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