Tateyana Cruz: ‘As pessoas ainda questionam por ser uma mulher a dirigir um site desportivo’

Há 100 dias que a jovem e empreededora Tateyana Cruz lançou no mercado o site de informação desportiva Sport Notícias, numa aventura sem precedentes para acudir o défi ce existente nesta matéria

Cem dias depois, como é que avalia o trabalho que têm feito? O que se pode esperar nos próximos 100 dias?

O balanço é positivo, sem sombras de dúvidas, visto que são os primeiros passos, apesar das inúmeras difi culdades nesta fase inicial. Somos uma pequena equipa, que luta todos os dias para servir a sociedade com a informação desportiva. Quanto aos próximos 100 dias, permanecemos focados na nossa estratégia de médio e longo prazos, continuaremos a forjar o nosso próprio caminho com uma visão clara, que é mostrar mais o desporto nacional, e não só, através da difusão da informação.

O que levou a escolher, fundar e liderar um site virado unicamente para o desporto?

A visão em fundar este site centrase principalmente na preocupação em dar resposta à carência do segmento digital no mercado, em particular a divulgação especializada em factos desportivos.

Quais são os principais entraves e os pontos fortes nesta ‘aventura jornalística’?

As principais dificuldades nessa jornada são a falta de condições fi nanceiras e técnicas para desenvolver o nosso trabalho com maior rigor e efi ciência, além da limitação que existe no país em termos fontes para obter as informações. Quanto aos pontos fortes, podemos dizer que convergem na união e motivação da equipa.

Nota-se pouca divulgação do próprio site em termos publicitários. Quais são as razões?

No início houve maior divulgação do site, em alguns meios de comunicação e também em diversas instituições ligadas ao desporto. E actualmente divulgamos apenas através das nossas páginas nas redes sociais.

Qual tem sido o feedback do público sobre o trabalho que têm desenvolvido?

O feedback do público tem sido positivo, temos notado um crescimento em relação ao número de seguidores, e temos recebido muitas mensagens de incentivo por causa do trabalho que estamos a desenvolver. É muito gratifi cante saber que as pessoas estão atentas e gostam do trabalho.

Regularmente, os jornalistas queixam-se frequentemente da falta de acesso às fontes de informação. Acontece o mesmo em relação às informações desportivas?

O difícil acesso às fontes de informação é uma situação generalizada, portanto, não difere com as informações desportivas.

Sabendo-se que o futebol é o desporto-rei, tem sido possível cobrir também outras modalidades?
Conseguimos dar resposta aquém do futebol. A linha editorial do site especializa – se também na divulgação de outras modalidades.

Os cidadãos angolanos, e não só, são maioritariamente sócios de clubes como o 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube, Progresso do Sambizanga e o Kabuscorp do Palanca.

Tem sido fácil conseguir informações destas agremiações?

Apesar da grande massa associativa que esses clubes possuem, não tem sido fácil obter as informações de todas agremiações, porque alguns ainda não têm uma fonte de comunicação activa (página), com excepção ao Petro e 1°de Agosto.

Sabendo-se que o país vive um momento económico difícil, como tem sido manter o projecto? Por esforço, dedicação e convicção às metas a alcançar como equipa que somos. Sabemos que somos fi lhos desta Nação, e que juntos somos mais fortes para ajudar no desenvolvimento de Angola.

Contam com alguns apoios em concreto ou vivem exclusivamente de publicidade?

No momento, não contamos com nenhum apoio em concreto, e também ainda não temos tido captação de recursos com a publicidade. Sobrevivemos apenas dos nossos rendimentos pessoais para nos manter activos.

Como ainda vivemos no mês de Março, por sinal o consagrado às mulheres, como é que tem sido encarada na liderança de um projecto em que se notam maioritariamente homens?

De forma surpreendente e elogiante ao mesmo tempo. Até ao momento, é questionável a ideia de ser uma mulher na liderança de um site desportivo. Acredito que as razões são as mais óbvias, o género feminino é visto como figura frágil que não se encaixa no contexto masculino, mas o meu principal foco é melhorar e tentar manter um melhor equilíbrio naquilo que exerço, bem como fazer jus ao meu profi ssionalismo com espírito de independência, determinação, precisão, integridade e paixão.

error: Content is protected !!