Ministra da Saúde preocupada com a circulação comunitária do vírus no país

o país registou, ontem o 5º caso positivo do novo Coronavírus (Covid-19). trata-se de um cidadão angolano de 54 anos, proveniente do Brasil, anunciou a ministra da Saúde, Sílvia lutucuta, em conferência de imprensa, ontem no Centro de imprensa Aníbal de Melo

Sílvia Lutucuta, que falava sobre a situação epidemiológica do país, garantiu que os cincos pacientes internados têm manifestações muito leves da doença e com o tratamento assintomático nenhum deles desenvolveu um quadro complexo, em que se precisasse utilizar um outro tipo de tratamento.

Explicou que, nesse moment,o estão a fazer um rastreio em massa nos centros de quarentena e na próxima semana vão chamar todos os viajantes e populações que se enquadram nos vôos de muito risco nos últimos dias para serem testados.

“Estamos a fazer testagem das pessoas que estão no centro de quarentena e, no início da semana, já teremos rastreado todos os internados e vamos partir para a próxima fase que é a testagem dos passageiros que até aqui não tiveram nenhuma manifestação e que vieram nesses vôos de risco”, garantiu.

Entretanto, a ministra da Saúde explicou que o isolamento social e o cumprimento, na íntegra, do Decreto sobre o Estado de Emergência pelo qual as pessoas devem ficar em casa, deve ser cumprido, porque tão logo o país comece a registar casos de pessoas que não viajaram e não têm uma relação próxima com os viajantes já se tratará de circulação comunitária do vírus e aí a expansão da doença é muito rápida.

Alertou aos cidadãos a não darem oportunidade para que a doença tenha transmissão comunitária, uma vez que temos ainda casos importados, mas com a realidade do país é muito fácil. “O que nos deve mover é a necessidade de os angolanos ficarem em casa, observar as medidas de protecção individual e colectiva para não termos coronavírus com circulação comunitária aqui em Angola, porque ali é que vai ser a grande catástrofe”, pediu.

Para prevenir que tal aconteça, segundo a governante, é necessário evitar os aglomerados, uma vez que “gostamos muito de sair e receber visitas e este não é o momento de sair à rua sem necessidade, nem tão pouco de receber visitas em casa”. Acrescentou que se “nós queremos, de facto, lutar e correr com a Covide-19, temos de estar firmes em casa e não devemos promover acções de desacato à autoridade”, pediu.

Lembrou que os 5 por cento da população que for infectada, em caso de epidemia, podem desenvolver situações muito graves que precisarão de tratamento intensivo, podendo apresentar falência respiratória grave que é, habitualmente, a principal complicação e também ter falência cardíaca ou multiorgânica.

Mercados e taxistas devem observar as medidas básicas Em relação aos mercados disse que apesar de terem deixado um horário das (7 às 13) horas para o seu funcionamento devem ser observadas algumas medidas básicas de higiene ao nível do local e também o distanciamento entre as pessoas, salientando que apenas estão autorizadas as vendas de bens alimentares.

Sublinhou que o país tem uma posição essencial nos hospitais e com uma pressão muito grande nos bancos de urgência, e se as pessoas não observarem as medidas nos mercados, nas ruas, nos táxis, se continuarem a andar em motos vulgo “kupapatas”, o contágio dessa doença será um facto. Em relação ao Decreto de Estado de Emergência, exarado ontem no país, Sílvia Lutucuta disse que houve um reforço policial que será aumentado e as pessoas que não cumprirem serão punidas severamente.

De modo a se prevenir, a governante, salientou que nenhuma empresa que não seja para prestação de serviço essencial, por essa altura, está autorizada a funcionar, recomendando que os funcionários que se encontram nessa situação façam a denúncia através do número 111 e nas outras províncias nos números de emergência. “Os prevaricadores serão severamente punidos.

Não deve estar a trabalhar quem não é das actividades essenciais muito bem definidas pelo Decreto de Estado de Emergência e não deve haver incumprimento em relação a esta”, afirmou. Sílvia Lutucuta disse que um cálculo geral e básico tem sido feito, mas que depende muito da localização geográfica e outros factores da população em causa, a meta ou os números gerais nas outras latitudes.

“ Em caso de epidemia de forma descontrolada, 80 por cento da população não terá manifestações clínicas, 15 por cento terão sintomas leves e até poderão ser tratados em casa e cinco por cento é que desenvolverão manifestações mais graves e podem necessitar de cuidados intensivos”, disse.

380 ventiladores a caminho
A responsável da Saúde disse que o cálculo de necessidades está à volta de 600 ventiladores e, nessa altura, o país tem pouco mais de 120 ventiladores ao nível nacional, e estão a fazer aquisição dos mesmos. “vamos fazer uma aquisição de mais de 380 ventiladores. temos de olhar para uma componente importante que são os recursos humanos.

os ventiladores são manuseado por médicos e enfermeiros de cuidados, anestesistas e não temos muitos profissionais com estas especialidades”, disse. Por essa razão, estão a trabalhar com todos os médicos do sector público e privado, desenvolvendo acções de formação, no sentido de que os profissionais do país ganhem alguma competência para poderem manusear os ventiladores e fazerem o seu uso na plenitude em caso de situações mais graves.

A governante fez saber, entretanto, que houve uma morte na Clínica girassol, um caso suspeito que ainda não foi confirmado se é por Covid-19. Apenas aguardam pelos resultados. Neste momento, o país tem 886 pessoas em quarentena, das quais 535 estão em luanda.

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