Investimentos vão trazer desenvolvimento para a Huíla

Na primeira grande entrevista como Governador da Huíla, Luís da Fonseca Nunes assegura que a sua equipa está a fazer tudo para transformar a província num pólo de atracção turística, onde a agricultura, agroindústria e a pecuária ocupem lugares de destaque, assim como a exploração de minérios. Apostar no triângulo do cereal, Caluquembe- Caconda e Chicomba é outo dos desafios de uma província limitada por cinco outras, sendo uma delas com saída para o mar. “Temos boas condições para o investimento privado nacional e estrangeiro”, assegura, Luís da Fonseca Nunes, num claro piscar de olhos aos investidores

Foi realizado, no passado mês de Outubro, no Lubango, a segunda edição do Fórum de Investimento “Investe Huíla”. As expectativas foram atingidas?

Correu tudo bem. Foi melhor, comparativamente à primeira edição, pois esteve melhor organizado. Portanto, o balanço é positivo.

Um dos temas em abordagem foram às 10 razões para investir na Huíla. Quais são essas 10 razões?

Antes de responder concretamente a essa questão, quero lembrar que um dos objectivos dos fóruns é procurar investimentos privados nacionais e estrangeiros.  Temos que resolver o problema do desemprego, um problema que temos que olhar para ele com olhos de ver. Somos uma província com 3.500.000 (três milhões e quinhentos mil) habitantes, 1.500.000 habitantes na sede capital da província – Lubango. Temos uma cidade académica por excelência, com muitos quadros à procura de uma oportunidade. E se nós não atrairmos investimentos privados, tanto nacional quando estrangeiro, não vamos conseguir resolver o problema do desemprego.

A província tem tudo para dar certo. Invocou-se às 10 razões para se investir na Huíla partindo do princípio que estamos numa região rica em minerais, capital humano e o turismo, que deve ser dos mais fortes do país, a indústria, a agropecuária, a agricultura, com terras férteis. Portanto, temos um leque vasto de atractivos. Só não investe na Huíla quem não quiser ganhar dinheiro.

Pelo que acabou de dizer e em função dos investimentos que tardam em chegar, admite a possibilidade da criação de uma agência ou um gabinete que se encarregue de captar investimentos privado nacional e estrangeiro?

Podemos pensar nisso sim. E caso se justifique vamos avançar com a criação da agência. Temos que pensar no investimento nacional e estrangeiro.

Fala-se com alguma insistência que a província da Huíla possui muitas potencialidades. Ainda vai levar muito tempo para que essas potencialidades sejam transformadas e tenham reflexo na vida das pessoas?

É a pensar na criação de empregos e de riquezas, usando os recursos da província, que organizamos vários Fóruns de Investimentos cujo objectivo é procurar parceiros que possam investir em diversos sectores. Só com investimentos é que estas riquezas podem ter reflexo na vida das pessoas. O investimento trás consigo o emprego, o desenvolvimento para o benefício das populações locais e não só.

  

O direito à terra e o seu registo é visto pelos investidores como umas das barreiras, uma vez que os bancos comerciais solicitam direito de superfície no momento de financiar projectos. É também um problema da Huíla?

Trata-se de um problema nacional.  Nós nos regemos pela Lei de Terras em vigor no país. Recentemente, colocamos este assunto aos órgãos afins. E eu acho que eles vão solucionar este problema. Temos licenças para até 40 anos, mas penso que não chega. É um tempo bastante curto. Precisa de ser alargado.

Há uma estratégia definida entre o governo e o empresariado da Huíla no sentido de a província beneficiar da maior fatia das linhas de crédito disponibilizada pelos bancos, como é de resto seu desejo?

Os empresários não podem ficar parados. Precisam lutar, apresentar projectos exequíveis e capazes de serem aprovados pelos bancos comerciais que estão a operacionalizar estes créditos. Tem de haver um maior dinamismo para que a maior parte deste bolo fique aqui na província da Huíla. Da nossa parte estamos a fazer tudo para que os empresários da Huíla consigam tirar vantagens.

Desde que é governador, quais são as principais inquietações do empresariado huilano?

Temos muitas. A maior preocupação consiste na melhoria do fornecimento de energia, sector onde existem vários projectos que vão minorar os problemas que vivemos actualmente. Sabemos que para atrair investimentos privados, tanto nacionais quanto estrangeiro, temos de melhorar o fornecimento de energia, assim como as vias de comunicação. A água é também outro elemento fundamental e que teremos de melhorar.

Os municípios do Chipindo e da Jamba possuem reservas consideráveis de ouro e que se confrontam com à exploração artesanal não controlada. Há uma estratégia para formalizar esta actividade no sentido de o Estado arrecadar mais receita?

   O Chipindo já tem uma mina de ouro em produção. Temos uma segunda concessão cujos trabalhos estão já avançados. As coisas não estão paradas. Elas caminham no sentido da formalização e maior arrecadação de receitas para o Estado. Quanto à Jamba, estamos com problemas na exploração de ferro. Temos conhecimento que há negociações bastantes avançadas com uma empresa europeia que vai instalar uma filial na região. Quanto ao ouro, há várias concessões, mas no papel, quando precisamos que as coisas se concretizem. Vamos esperar que os empresários detentores destas concessões comecem a trabalhar para o bem da província e do país.    

Já agora, quanto custa investir na província da Huíla?

Depende. Os investimentos variam. Eles podem começar com 100 mil a milhões de dólares. Depende da área e da capacidade do investidor.

A minha pergunta está relacionada com processos burocráticos. Os empresários levam muito tempo para abrir um negócio na Huíla por causa da burocracia?   

Estamos abertos e o Investe/Huíla 2019 assim o demonstrou. Ao nível do Governo Provincial vamos dar todo o apoio institucional. E aquilo que constituir constrangimento para o investimento privado faremos tudo para removê-lo.   

Há sectores prioritários para investir na Huíla?

Temos sim. São os casos da indústria, agropecuária, turismo, e recursos minerais. Portanto, ainda temos alguma burocracia, que não é apenas um problema da Huíla, é do país, mas que estamos a fazer tudo para acabar, sobretudo com os excessos.

De 2014 para cá mais de duas mil empresas encerram na província da Huíla. Este quadro tende a inverter ou continua o encerramento de empresas?

Estamos sim a inverter o quadro, isso apesar da situação em que a nossa economia ainda se encontra, que, como todos sabemos, não é dos melhores.

Por exemplo, em termos de empresas de exploração de granitos, em 2010 tínhamos 18, em 2015 baixou para 10, mas já estamos outras vezes com 18. E temos vários pedidos à espera de licença de exploração.

A província da Huíla está no meio de cinco outras, e uma delas com saída para o mar. Sente que o empresariado tem tirado vantagens desta localização estratégica?

Acredito que sim. Falando do Namibe, é a província onde está o porto mais próximo. Portanto, tudo quanto se refere a importações e exportações para a Huíla passa pelo porto do Namibe. Essa infra-estrutura representa sempre uma mais-valia para o empresariado local.

A província da Huíla é uma potência na produção de cereais. No entanto, tem sido assolada por secas, de forma cíclica. Qual é o papel que os perímetros irrigados podem jogar na mitigação das consequências da seca?

Lá onde podermos tirar vantagens sobre o fornecimento de água não vamos hesitar. Vamos procurar tirar vantagens, sobretudo para as regiões mais secas da província. Todavia, acho que neste momento, devíamos apostar no nosso triângulo do cereal, concretamente do milho. Refiro-me aos municípios de  Caluquembe, Chicomba e Caconda. Neste momento estamos a prestar uma maior atenção nesta zona. Como sabem, a seca é cíclica e vamos tê-la por longos anos. Ainda assim, reitero que temos uma palavra a dizer em termos de produção de cereais no país.     

  

A província está a realizar diversas obras. E quando se fala em obras em Angola muitas vezes não são cumpridos os prazos. E aqui foram definidos 36 meses. Serão cumpridos?

Vamos fazer tudo para terminar antes mesmo dos 36 meses. E estes 36 meses é após a nossa nomeação. Estamos a trabalhar afincadamente, pois as populações precisam de infra-estruturas. É por isso que estamos a trabalhar para reduzir o tempo. Sendo assim, esperamos que até final de 2020 tenhamos as obras das principais infra-estruturas concluídas.

É empresário e agora nas vestes de governador. Que valor é que o empresariado acrescenta à sua governação?

É logico que tenho muitos anos como empresário. Há muita coisa que estou a trazer para a política. As coisas têm de acontecer. Temos que ser ambiciosos. E quando nós assumimos à liderança da província fizemo-lo com consciência de fazer mais e melhor para as nossas populações.

Um ano depois ter sido nomeado, sente-se melhor como empresário ou como político?

São coisas bastante diferentes. Fui uma vida inteira como empresário. Agora estou a adaptar-me como político.  E nunca deixei de ser empresário.

 

Números:

3 Milhões e 500 mil habitantes é o número de habitantes da província da Huíla, cujas potencialidades são capazes de atrair investimentos de nacionais e de estrangeiros

2019 Aconteceu, no mês de Outubro, na cidade do Lubango, à segunda edição do Fórum Investe Huíla, que visou atrair investimentos nacionais e estrangeiro para a província

2010 A província tinham 18 empresas de exploração de granito. Em 2015 baixou para 10, e já está outra vez com 18, número que pode aumentar em função dos pedidos existentes.

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