Covid e liberdade de imprensa

Ponto prévio: jornalista não é suicida, pensa e é capaz de adoptar as medidas de protecção necessárias neste período de pandemia. Também tem medo. Até agora, as provas de irracionalidade não foram dadas por jornalistas, apenas as reportaram. Mas há excepções que confirmam a regra, claro. Tais excepções são de outro tipo, ligadas ao estômago que faz alguns falarem literalmente à-toa. Já estamos habituados aos mesmos de sempre, que fazem muito barulho retocam permanentemente a imagem para a adequar ao momento.

Posto isto, e talvez mesmo por isso, surgiram falhas na cadeia de solidariedade e de defesa da profissão, o que permitiu que burocratas, uns, e securitaristas, outros, saíssem por aí a destilar fel ditatorial. O jornalista passou a ser o inimigo.

Na Huíla exige-se-lhe uma credencial passada por uma autoridade para trabalhar. Ou seja, esta autoridade determina quantos jornalistas podem trabalhar e, se calhar, que jornalistas o podem fazer. Em Luanda, alguém se lembrou que o jornalista apenas pode circular com o seu passe de trabalho, uma credencial da empresa e, vejam a invenção, a prova de que está escalado para trabalhar. Ou seja, o mundo acontece ao sabor das escalas das empresas de comunicação social. Não pode deflagrar um incêndio num bairro porque o jornalista que lá mora não está escalado para trabalhar naquele dia e assim não pode reportar. Ou tem de ir a empresa e a autoridade rogar pela credencial e para ser escalado, de madrugada eventualmente.

Mas talvez o que se pretenda seja dizer ao Presidente da República que ele afinal não manda nada. Nem ele, nem a lei do estado de emergência nacional e o seu regulamento que assinou. E há “superjornalistas” que defendem nas redes sociais e por aí que a Polícia espanque quem ande na rua, incluindo jornalistas, seguramente. Estes são os tais da pintura e repintura.

Alguém tem de pôr nas cabeças destas criaturas que o mundo sabe da pandemia como sabe graças à imprensa. Que os jornalistas são peça fundamental neste combate.

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