Encerramento de entregas no Lar Kuzola abre excepção a bebés

Encerramento de entregas no Lar Kuzola abre excepção a bebés

Antes de o Presidente da República de Angola, João Lourenço, ter decretado o estado de emergência que vigora desde 27 de Março, a direcção do Lar de Infância Kuzola já havia encerrado a recepção de crianças e criado um plano de contigência

Por:Alberto Bambi

Mas foi a pensar nos bebés com idades compreendidas entre zero e um ano que a directora Engrácia do Céu decidiu abrir uma excepção, por constituírem uma franja infantil que, segundo ela, corre mais riscos em qualquer centro de acolhimento que se possa criar agora, sob pretexto de se prevenir contra a situação actual de Covid-19. “Nós tivemos de pensar e de receber os bebés abaixo de um ano porque não podemos deixar que os mesmos vão para esses centro onde podem ficar ainda mais vulneráveis em relação ao nosso Lar Kuzola”, disse a líder da casa das crianças, para quem a faixa etária em causa é determinante para se evitarem muitas situações no futuro.

Para tal, a directora do referido centro de acolhimento infantil teve de “enfrentar” a lotação do berçário da sua instituição, que, até Segunda-feira, 30 de Março, dia desta entrevista, já tinha mais do que o dobro da sua capacidade. “Neste momento temos 53 crianças dos zero aos cerca de três anos de idade”, reforçou a directora, lembrando que tiveram de fechar mesmo as entradas dos mais crescidos. Sobre isso, a responsável confessou que, quando ouviu falar da necessidade de se efectivar a criação de espaços de acolhimento de crianças e de outros vulneráveis de rua sentiu-se na zona de conforto, uma vez que já tinha colocado restrições no seu plano de contingência.

Mostrou-se, igualmente, satisfeita quando assistiu à concretização do projecto e muito mais por ter sabido que, além daqueles que estão na rua, esses espaços haveriam de receber outras pessoas em condições extremas. As medidas tomadas, atempadamente pela direcção tiveram de ser comunicadas ao nível superior, porque, na Quinta-feira, 26, um alto governante da província esteve no lar. “O que eu fiz foi mesmo elaborar o plano de contigência e submeti às entidades superiores, designadamente à Fundação Lwini e ao vice-governador de Luanda para a área Social, adiantou a dirigente. Em termos de lotação geral, o Lar Kuzola já estava mal, pois na semana passada chegaram a ter 420 crianças, contra as recomendas 250.

“Então, o que a gente fez foi pedir aos municípios para conterem esses miúdos nas municipalidades onde se encontravam, de maneira que, desde Quintafeira, 26, nós já não recebemos crianças. Jogar na antecipação Segundo soube O PAÍS da sua interlocutora, as medidas de contigência planificadas com antecedência contemplavam três fases, designadamente a prevenção, mitigação e emergência. “Aliás, quando o Presidente da República estava a comunicar, nós já tínhamos o plano de emergência , já tínhamos a estratégia criada, porque isso tem muito a ver com aquilo que é a nossa estrutura organizacional”, disse. Para demonstrar como foram passando pelas três fases do evocado plano de contingência, Engrácia do Céu, disse que o Lar Kuzola tem por hábito traçar planos antes de chegar o pior, razão pela qual até neste momento as coisas estão a funcionar.

“Não demorámos a passar de fase em fase e ditamos a emergência muito antes de o país o decretar”. Lembrou, que imagens, linguagens fluidas e canções foram suportes usados para passar a mensagem do Covid-19. Os postos de lavagem das mãos no centro constituíram outra medida simples. Apesar de as crianças de um ou dois anos não terem percebido rapidamente as mensagens, conforme deixou patente a entrevistada deste Jornal, o exercício colectivo de prevenção repetido vezes sem conta durante cada dia lhes foi moldando as atitudes positivas. “A partir dos cinco anos, já se pode notar a compreensão das crianças, porque elas já conseguem considerá-la como uma doença cujos sintomas se identificam com coisas simples como tosse, febre e dor-de-cabeça”, disse.