COVID-19 pode deixar DJ’s, que vivam exclusivamente deste ofício, “sem ter o que comer”

Em Angola, com a chegada da Covid-19, a realização de festas foi proibida, à luz do decreto Presidencial Provisório 1/20, de 18 de Março. Esta decisão do Estado é um dos vários meios para impedir que o vírus se propague, uma vez que tem um alto risco de contágio e pelo facto de em eventos do género encontrarem-se aglomerados de pessoas. Entretanto, a fi gura do disc Jockey (dJ), que “vive principalmente de festas”, nesta altura, está sem trabalho, consequentemente, sem rendimentos. desta forma, caso a cadeia de transmissão do vírus não seja contida e o Estado de Emergência venha a ser prorrogado por mais dias, estes profi ssionais, muitos dos quais chefes de família, poderão “fi car sem ter o que comer”

Por:Adjelson Coimbra

Os Disc Jockeys (DJs) em Angola, que vivam exclusivamente da profissão, podem enfrentar momentos financeiros duros podendo fi car sem ter o que comer, por falta de eventos para actuar, soube O PAÍS, depois de uma conversa mantida com alguns destes profi ssionais. Por detrás desta situação, está o inimigo número um da humanidade, neste momento: COVID- 19, que já estendeu as suas COVID-19 pode deixar DJ’s, que vivam exclusivamente deste ofício, “sem ter o que comer” Em Angola, com a chegada da Covid-19, a realização de festas foi proibida, à luz do decreto Presidencial Provisório 1/20, de 18 de Março. Esta decisão do Estado é um dos vários meios para impedir que o vírus se propague, uma vez que tem um alto risco de contágio e pelo facto de em eventos do género encontrarem-se aglomerados de pessoas.

Entretanto, a figura do disc Jockey (dJ), que “vive principalmente de festas”, nesta altura, está sem trabalho, consequentemente, sem rendimentos. desta forma, caso a cadeia de transmissão do vírus não seja contida e o Estado de Emergência venha a ser prorrogado por mais dias, estes profi ssionais, muitos dos quais chefes de família, poderão “fi car sem ter o que comer” nuvens negras em Angola. Com a chegada da Covid-19. Por essa razão, a realização de festas foi proibida, à luz do Decreto Presidencial Provisório 1/20, de 18 de Março, que visa, sobretudo, impedir a propagação do vírus em grande escala. Por isso, caso a cadeia de transmissão do vírus não seja contida e o Estado de Emergência venha a ser prorrogado por mais dias, os DJ’s antevêem maus tempos financeiros. Malvado, Disc Jockey há 28 anos, sempre viveu deste ofício.

Para ele, infelizmente, essa pandemia veio mexer com o mundo e os danos estão a ter um impacto negativo na vida dos DJ’s e demais artistas. “Neste momento, não há grandes possibilidades de sustentarmos as nossas famílias, a não ser com o ‘pé de meia’ que a gente vem guardando”, lamentou. Malvado defendeu que se deve ter uma organização estrutural melhor para a figura do DJ. Por outra, apela veementemente, neste momento, ao Governo a trabalhar para o bem de todos no combate a essa pandemia. “Essa a é prioridade e é isso que está a ser feito”, reconheceu. “Um DJ é um terapeuta, que tem a responsabilidade de tentar agradar multidões. Somos importantes na divulgação de músicas, projecção de cantores, bandas e etc. Contribuímos muito para a cultura do nosso país. Aos meus colegas peço que tenham coragem, pois o sacrifício de hoje, num futuro valerá a pena. Devemos ser fortes e termos muita coragem”, encorajou.

Solidariedade a custo zero

DJ Malvado contou a OPAÍS que tem feito posts e acções, de livre e espontânea vontade, para realçar nas mensagens preventivas no combate à Covid-19. “Não estou associado a nenhum projecto ou campanha, até porque acho que todos nós fi guras públicas devemos fazer campanhas neste momento sem precisarmos de estar em projectos ou associações”, defendeu. Acrescenta que a campanha é contra uma pandemia mundial, que está a dizimar vidas, desta forma incentiva os outros artistas a serem, igualmente, solidários.

Actuações online

Para contornar os dias de enfado e embora já estivesse programado, DJ Malvado regressa à ribalta com os seus ‘lives’ nas plataformas Facebook e Instagram, motivado pela audiência e pelo seu novo ‘Home Studio’, que o faz sentir-se, conforme diz, no seu mundo. “Nesta fase, que não posso sair para fazer o que mais amo, comecei então a fazer os meus lives com mais frequência e a adesão tem sido muito boa. Faço-os às Sextas-feiras e aos Domingos. Tenho tentado entreter as pessoas como se de festas verdadeiras se tratassem, mas num contexto virtual”, frisou. Para Malvado, a experiência tem sido muito positiva, pois tem recebido bastante carinho dos participantes.

Garante que não vai parar, porque além de fazer pessoas felizes, levandoas à diversão, também acaba por as distrair, pois sabe que fazem, realmente, uma festa em casa. “Acabo por fazer jus à frase ‘Fique em Casa’. E a ideia é essa, manter as pessoas em casa. De realçar que acabei por receber dois telefonemas para serem meus parceiros e patrocinadores, primeiramente a WAMMO, com quem já estou a trabalhar há uma semana e alguns dias. Está em curso um projecto onde o DJ João Reis e eu demos o início e, posteriormente, foram convidados outros DJ’s e agora vêm aí mais artistas convidados. E acabei de receber também o convite da ZAP, como parceiro e patrocinador. E a ideia será a mesma, tentar alegrar as pessoas ao máximo em festas virtuais”, revelou em exclusivo a O PAÍS

Orar a “Deus” para que o Estado de Emergência não se prorrogue

Por seu turno, Mangalha Júnior, DJ há 20 anos, embora não esteja licenciado, sempre teve o privilégio de dar o seu contributo para empresas privadas que prestam serviços indispensáveis ao Estado. E é disso que tem vivido nos últimos quatro anos. Se para os DJ’s que vivem exclusivamente da profissão, e não só, a situação está complicada, Mangalha tem pena daqueles que não fizeram uma poupança para situações de emergência, como a que se vive em Angola, actualmente. “Estamos no primeiro mês e muitos ainda não estão a sentirse aflitos. Quanto a mim, existe ainda uma pequena poupança, que vamos tentando nos manter com ela, pedindo a Deus que não se prolongue esse Estado de Emergência, não somente pelos DJ’s, mas também por muitas famílias que talvez viviam do que vendiam no dia-a-dia”.

Mangalha acredita que o Estado esteja a criar meios para ultrapassar essa situação e tem fé que vai consegui-lo. “Muita calma, muita contenção de custos, nada de exageros e acima de tudo confiar e obedecer as orientações do Governo face a esta pandemia. Procurem outros meios se assim as novas medidas do Estado permitir. Que tudo isso nos molde pra o melhor e que nos amemos mais, nos valorizemos mais e sejamos mais prestativos em todos os aspectos”, apelou. O Disc Jockey não está directamente ligado a um projecto de combate à Covid-19, mas tem ajudado o Estado, no sentido de prender as pessoas em casa através do entretenimento, tal como o seu homólogo, DJ Malvado.

DJ’s merecem atenção igual aos músicos

Por sua vez, João Linho, também DJ há 20 anos, defendeu que os DJ’s devem gozar dos mesmo direitos e atenção que os músicos, pelo facto de serem igualmente artistas. Antes, Linho era desportista e DJ, agora divide a profissão com a Comunicação Social, exercendo a actividade de técnico de som na Rádio Luanda. “Não está a ser fácil para aqueles que só dependam da vida de DJ. Apesar de que alguns tenham dois empregos, estes estão a conseguir gerir, mas é só a segunda semana do Estado de Emergência. Ainda temos um bocadinho para sustentar a nossa família”, revelou.

Em contrapartida, de acordo com João Linho, apesar do Estado de Emergência, a vida de DJ não pode parar, pelo facto de esses profissionais terem de ensaiar constantemente para manter a “criatividade em forma”. “Penso que não podemos ficar com o lado da frustração uma vez que muitos só vivem disso. Durante o ano trabalhou-se muito para se fazer economia. Ainda aguentamos mais umas semanas. Caso se estenda o Estado de Emergência para um ou dois meses aí a coisa fica verdadeiramente complicada”, reconheceu. “Nesse momento, o conselho que dou aos meus colegas que durante o ano passado não conseguiram fazer economia, é que se mantenham calmos e serenos pois ficar estressado não vai ajudar em nada. A doença é muito perigosa e contagiosa. Todo o cuidado é pouco”, aconselhou.

Mincult abandonou os DJs

Dicuela é Disc Jockey há 38 anos, mas além disso tem outra fonte de rendimento, o que tem ajudado a pôr comida à mesa para a sua família. “Vejo muitos colegas a reclamar. A eles que não têm como pôr um prato de comida em casa, recomendo-lhes muita oração. Esta pandemia veio ensinar- nos a fazer contenção e ter reservas financeiras. Vivemos muito de aparência. Contudo, Deus vai ajudar”, disse. DJ a caminho de quatro décadas, Dicuela contou que o Estado, através do Ministério da Cultura, já implementou algumas políticas para a salvaguarda dos DJ’s, mas que verdade, conforme conta, não se fazem sentir . “O ministério abandonou os DJ’s!”. “O DJ tem um papel preponderante na sociedade, tendo em conta que não é só para fazer dançar, como também serve para sensibilizar e, por vezes, ajudar o Governo na divulgação de certos programas. Eu, particularmente, tenho ajudado o centro Química Verde, que tem produzido álcool-gel, para distribuir nas ruas de Luanda, principalmente às zungueira e taxistas”, explicou.

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