Mais de 150 zungueiros apresentam queixas diariamente

A Associação Nacional de Vendedores Ambulantes (ANVA) regista diariamente mais de 150 queixas dos seus membros, pelo o uso excessivo da força por parte da Polícia, a subida de preços de produtos da cesta básica, o horário estabelecido para as vendas, entre outras preocupações, segundo o seu vice-presidente, Hamilton Salazar

Por:Stela Cambamba

Com o estado de emergência aumentou também o número de queixas diária registadas na associação defensora dos direitos dos vendedores ambulantes. Embora a instituição reconheça que o estado de emergência é uma medida acertada para o país, tendo em conta que surge para preservar o bem maior de todos que é a vida, chama a atenção para que não se descarte que grande parte da população sobrevive das vendas que realiza diariamente, sendo que muitos, se não saírem à rua não têm o que comer.

Hamilton Salazar, vice-presidente da ANVA, afirmou que têm sensibilizado os seus filiados a não saírem à rua por mera situação, mas estes têm de o fazer para manter a actividade comercial e ganhar pelo menos mil e 500 a dois mil Kwanzas. “O dinheiro não chega sequer para comprar material de higiene, mas os filiados correm perigo e expõem-se na rua. Como se isto não bastasse, vêm as preocupações, com maior realce na actuação da Polícia, bem como a inflacção”, disse. As vendedoras contam que neste período da quarentena os grossistas aumentaram os preços dos produtos da cesta básica e encontram muitas dificuldades para revender.

Outra preocupação é o horário estabelecido para as vendas, “muitas zungueiras residem muito distante dos grandes mercados, local onde compram os produtos e tem restado pouco tempo para a revenda. Não tendo como conservar, alguns acabam por se estragar”, reforçou. Para ser ultrapassada a questão do tempo, a associação criou o sistema de fidelização de clientes, que consiste em conhecer a casa do cliente nas proximidades do local de venda e fazer a venda directa em casa. Quanto a abordagem da Polícia, Hamilton apela para que seja pedagógica, apesar da situação que o país vive. Têm recebido muitas denúnciais de excessos e para atender tais denúncias a associação criou uma área jurídica com o apoio da organização “Mãos Livres” e do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional. Noutros casos utilizam o númer 111 para efectuar as denúncias. Assegurou que os vendedores estão a seguir as medidas de prevenção, mas é preciso informar mais sobre o perigo da pandemia que até ao momento tem estado a matar muitas pessoas no mundo.

Entretanto, o vice- presidente da ANVA acredita que entre os vendedores se vai registar o nível zero de contágio. Por outra, apela às autoridades que conversem mais com instituições do gênero da sua, porque estão abertas ao diálogo, sendo que a economia informal pode ajudar o Estado. Lembrou que a sua organização não tem fins lucrativos, tem como objectivo ser intermediária entre os vendedores ambulante e o Governo, pretendendo, ainda, traçar políticas com a finalidade de ajudar o Estado. Actualmente contam com 15 mil membros, nas provinciais de Luanda, Benguela, Huambo e Cuanza-Sul.

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