‘Os nossos cidadãos estão a morrer’: primeiro-ministro espanhol questiona futuro da Europa pós-COVID-19

Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, põe em dúvida o futuro da União Europeia, caso não haja solidariedade durante pandemia de COVID-19, em artigo publicado neste Domingo (5)

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, publicou um artigo no qual pede a solidariedade europeia, sob pena de o projecto da União Europeia ficar “severamente prejudicada”. “A Europa está a lidar com a sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. Nossos cidadãos estão a morrer, ou a lutar pelas suas vidas, em hospitais lotados”, escreveu Sánchez.

Frustrado com a resposta europeia à pandemia de COVID-19, o primeiro-ministro espanhol alertou que essa “guerra contra um inimigo invisível” está a colocar “o projecto europeu à prova”. A Espanha é o segundo país mais afectado pelo novo coronavírus no mundo (e o primeiro na Europa), com 130.759 infectados. “Chegamos a um ponto crítico, no qual mesmo os países e governos pró-europeus mais fervorosos, como a Espanha, precisam de provas reais de comprometimento”, declarou Sánchez. Para ele, “sem solidariedade não há coesão.

Sem coesão, só haverá insatisfação e a credibilidade do projecto europeu será severamente prejudicada”, escreveu no artigo publicado pelo The Guardian. O primeiro-ministro propôs que a Europa “construa uma economia de guerra”, um plano que apelidou de “novo Plano Marshall”, em referência ao plano económico de reconstrução da Europa adoptado após a Segunda Guerra Mundial. “A Europa nasceu das cinzas da destruição e do conflito. Aprendeu as lições da história e compreendeu algo muito simples: se não ganharmos todos, no final, todos perdemos”, escreveu.

No entanto, Sánchez lembrou que essa crise é sem precedentes e demanda novas soluções. “Entramos numa nova era e precisamos de novas respostas. Vamos manter os nossos valores positivos e reinventar todo o resto”, propôs. A Espanha é o segundo país no mundo com maior número de mortos por COVID-19, com 12.418 vítimas fatais, atrás somente da Itália.

“A Espanha sempre protegeu e defendeu o projecto europeu. Chegou a hora da reciprocidade”, asseverou o primeiro-ministro. O número total de casos de COVID-19 no mundo ultrapassa 1 milhão e 200 mil. Mais de 64 mil pessoas faleceram em consequência do vírus. Os países com maior número de casos são os EUA, Espanha e Itália. A Espanha, com 130.759 infectados, é o segundo país com maior número de casos no mundo.

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