Roubos de ‘obras de artes’ na UNAP preocupam secretário-geral

Para a recuperação das mesmas, a União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) pretende realizar uma conferência de imprensa, sem data prevista, em que deverá divulgar imagens das obras furtadas, de modos a que sejam recuperadas

O secretário-geral da União Nacional dos Artistas Plástico (UNAP), António Tomás Ana “Etona”, mostrou-se preocupado com o roubo de obras de artes plásticas que ocorre no interior daquelas instalações, localizada no município de Luanda, desde 2018, conforme declarou a OPAÍS. Etona manifestou esta insatisfação diante da reclamação apresentada no ano em curso, pelo artista plástico, Pedro Tchivinda, que constatou a ausência de três dos seus desenhos, entre os quatro, guardados na UNAP no ano passado, após a realização da Expo Milão, realizado na Itália.

Para a recuperação das mesmas, pretende-se realizar uma conferência de imprensa, sem data prevista, onde serão divulgadas as obras em falta, de modos a que venham a ser recuperadas. A referida data para a divulgação do caso, seria decidida durante a reunião de direcção, que pretendiam realizar na segunda quinzena de Março, mas foi protelada devido às medidas preventivas contra o novo Coronavírus, que abala o mundo desde Dezembro do ano passado.

“Temos um problema, o assalto nas nossas instalações, onde desaparecem obras de arte. Na reunião geral, acordaríamos à data da realização da conferência de imprensa, para assim fazer a publicação delas, de modo a serem identifi cadas. Mas, acreditamos que sejam os nossos membros ou funcionários a fazerem essa prática, que muito repudiamos”, explicou Etona, em conversa com OPAÍS.

O também artista plástico referiu que, ainda no ano passado, ocorreu o roubo de quadros de pintura de dois artistas, entre eles o António Gonga, que com a ajuda das autoridades policiais foram recuperadas. “Depois da divulgação das obras, as pessoas que compraram manifestaram-se logo e fi zeram a devolução. Como temos as fotos dos três desenhos das obras de Tchivinda, vamos proceder de igual modo, para ver se a pessoa que tem em posse, possa fazer a sua devolução. Caso contrário, terá
problemas com as autoridades”, aconselhou.

Controlo

Para prevenir o espaço de tais práticas, Etona avançou que serão controladas às entradas e saídas do pessoal das instalações da UNAP, com maior rigor, durante e após o horário de funcionamento.

Actividades proteladas Assim como as demais instituições no país, A UNAP suspendeu as actividades desde aquele mês, como forma de aderir às medidas preventivas, relacionadas com o isolamento, na luta contra a Covid-19. Entre as actividades, constam a realização da reunião de direcção, onde se pretendia fazer o balanço dos trabalhos realizados no ano anterior, a exposição de pintura na sua galeria, 1º de Maio, com um artista residente no Uíge, em homenagem ao Dia da Paz, 4 de Abril, e outros trabalhos que envolvem a participação dos membros associados.

O responsável garantiu o normal funcionamento do espaço, após a divulgação do novo de
creto presidencial, que suspende o actual Estado de Emergência. “Os demais trabalhadores foram dispensados. Acreditamos que não tardará para que as coisas voltem ao ritmo normal. Para tal, é preciso que todos adiram às medidas de prevenção”, apelou.

Quanto à exposição que visava homenagear o “Dia da Paz”, uma data histórica em Angola, Etona avançou que, para além da galeria 1º de Maio, pretendese apresentar o trabalho noutros espaços, como forma de mostrar a criatividade dos artistas. Segundo ele, trata-se de um talento que mostra nas suas obras traços ambientais.

“Todo o material encontra-se na galeria para a devida montagem, mas não será possível agora, devido a situação que afecta todo o mundo e também o nosso país. Nas suas obras, o artista apresenta uma estrutura paisagística, que trabalha a partir de elementos que trazem a própria “alma” do nosso país. Assim que as coisas voltarem à normalidade, também voltaremos com os nossos trabalhos”, disse.

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