Cuca doa toneladas de soda cáustica para fabrico de sabão

A empresa angolana de produção de cervejas Cuca entregou, ontem, em Luanda, aos responsáveis da Startup Ambireciclo e Química Verde Lab (QVL) toneladas de soda cáustica para a produção de mais de 10 mil barras de sabão para distribuição a igual número de famílias. A soda cáustica é um dos produtos principais usados na fabricação de sabão que, misturada com o óleo de cozinha, vai transformar os dois ingredientes numa solução detergente.

Para a fábrica de cerveja, a soda cáustica é também um dos produtos importantes, daí que a Cuca retirou parte do seu stock que é usado para lavar as garrafas antes do enchimento para juntar-se à luta contra a pandemia Covid-19, entregando o produto aos jovens da referida campanha. A cervejeira promete fazer outras doações, faseadamente, à medida que o stock de soda cáustica for se esgotando. Assim, a campanha de distribuição gratuita de sabão às famílias carenciadas fica mais facilitada, com o aumento da matéria-prima para a sua produção, segundo garantiu a OPAÍS a engenheira Fernanda Renée, coordenadora do projecto.

“Estamos satisfeitos com o nível de colaboração das empresas e este gesto da Cuca é a demostração do que estamos falar. O sucesso da luta contra o Covid-19 depende do empenho de todos. Da nossa parte estamos a fazer o que nos cabe”, disse Fernanda Renée. A cada dia que passa várias são as autoridades públicas e privadas que abraçam a inciativa de produção de sabão, produto cujo preço dispara a cada dia que passa no mercado, estando actualmente a ser comercializado no preço de 2500kz por cada barra.

Na semana passada, o extinto Ministério da Indústria juntouse à causa predispondo-se a ajudar também na aquisição da soda cáustica. Fernada Renée disse ser de grande significado o contributo que recebem para levar avante a tarefa de distribuir sabão a todas as famílias carenciadas da província de Luanda. A jovem entende que o gesto é uma demostração de que os angolanos, em diversos níveis, estão interessados em contribuir no esforço do Executivo para minimizar o impacto do Covid-19 nas comunidades.

Reiterou que, aos poucos, as principais dificuldades que os jovens encontravam para a produção de sabão começam a ser ultrapassadas, graças ao envolvimento de diferentes franjas da sociedade que reconhecem a nobre iniciativa.

Seis mil barras feitas

Em duas semanas de trabalho e com apenas quatro elementos, a equipa de Fernanda Renée já produziu um total de seis mil barras de sabão, sendo que metade desde lote foi distribuído nos bairros 28 de Agosto, Cidade Universitária, Buraco e Tapo, bairros pertencentes ao Kilamba-Kiaxi, Talatona, Ramiros e Mussulo, respectivamente.

A cada dia que passa, a campanha ganha mais adesão, com a disponibilização de óleo usado de cozinha por parte de hotéis, restaurantes e pessoas singulares. Para esta semana, se prevê chegar a Barra do Cuanza, Quiçama, Cacuaco e Icolo e Bengo. A campanha, numa primeira fase prevê atingir a meta de 70 mil barras de sabão, para beneficiar igual número de famílias carenciadas. A produção de sabão conta com um laboratório de controlo de qualidade que serve para medir a quantidade soda cáustica, com o objectivo de evitar que o produto cause efeitos colaterais aos usuários.

A iniciativa tem uma dupla função, já que a nível ambiental o óleo que está a ser usado, se desperdiçado, pode bloquear a drenagem das águas, mas os jovens conseguem recicla-lo e dar-lhe uma outra utilidade social. Importa frisar que várias startups juntaram-se nesta campanha, como são os casos da Ambireciclo, QVL, Kubinga, Tupuca, Televa, entre outras.

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