João Lourenço aceita críticas, mas desaconselha atingir os extremos

o executivo foi reduzido para 21 ministérios e 17 secretarias de Estado para melhorar a qualidade governativa. Os novos titulares tomaram posse nesta Quarta-feira, 08, na Cidade Alta

João Lourenço, Presidente da República

O Presidente da República, João Lourenço, diz não entender a razão do surgimento de criticas ‘extremas’, mesmo após este último “emagrecimento”, ao nível ministerial, com o reajuste do Executivo que muito se precisava. Esta questão foi aflorada na cerimónia de tomada de posse dos novos membros do Executivo, no Palácio da Cidade Alta, ontem, pelo Presidente João Lourenço que recuou no tempo para lembrar que aquando da sua tomada de posse enquanto Chefe de Estado, o Executivo comportava pouco mais de 30 ministérios.

“Depois de ter reduzido para 28 ministérios, no decorrer destes dois anos de governaçao, conclui haver necessidade de reduzir ainda mais de 28 para 21”, tendo sublinhado ser este o equilíbrio encontrado. Por isso, o Chefe de Estado aconselhou, nas abordagens criticas, “evitar ao máximo, sempre que possível, ir para os extremos”. “É esse equilíbrio que encontrarmos no número 21, para os departamentos ministeriais, que o actual executivo passa a ter a partir de hoje (ontem)”, assegurou.

Entretanto, a forma surpreendente como muitos dos antigos titulares responderam positivamente para assumir cargos hierarquicamente inferiores aos exercidos anteriormente, aos olhos de Joao Lourenço representa um gesto digno de realce, muito por conta da nossa cultura política. “Reconheço o gesto de simplicidade e modéstia, para alguns que desempenharam a pasta de ministro, funcionarem no mesmo sector como secretários de Estado. Devo confessar quando orientei a consulta não esperava por resposta positiva”, assinalou.

Justificativa para algumas das escolhas

O Presidente da Republica diz que por aquilo que conhece do antigo ministro da Administração do Território e Reforma do Estado, Adão de Almeida, não espera ser desapontado no desempenho das suas funções. O novo ministro de Estado da Casa Civil do Presidente da República, recebeu o voto de confiança do Titular do Poder Executivo, na melhoria do desempenho e qualidade governativa.

Em relação à nomeação de Adjany Costa, jovem de 29 anos, indicada para ocupar a pasta da Cultura, Turismo e Ambiente, das que mais tem despertado atenção da opinião pública, Joao Lourenço justificou a sua escolha como um sinal claro do processo de mudança geracional em curso, apostando fortemente na juventude e na competência cientifica. Sobretudo, no caso em concreto, na investigação cientifica no domínio do ambiente, onde a mesma “já deu provas mais que suficiente.”

O Presidente reconheceu que o país tem grandes potencialidades no domino do turismo, mas por razões sobejamente conhecidas encontra-se subdesenvolvido.

“Aproveitamos o capital que a actual ministra já granjeou, mesmo sendo jovem, para atracção no turismo”, explicou, sendo a justificativa para o cargo da Defesa, ter nomeado João Ernesto dos Santos “Liberdade” por estar intrinsecamente ligado ao reconhecimento do papel desempenhado pela segunda e terceira regiões militares, na libertação do país. Pediu a todos os empossado empenho, fazendo aquilo que sabem e podem não trabalhando sozinhos, para superar e enfrentar os grandes desafios que temos pela frente.

“Cultura, Turismo e Ambiente são universos completamente separados”, diz a titular da pasta

Por esta razão, Adjany Costa, de 29 anos, diz que quer começar pela integração das várias componentes destes sectores quer do ponto de vista técnico quer político. Aos mais velhos, prometeu trabalhar em conjunto, trocando experiências para o alcance de objectivos comuns.

“A primeira prioridade é a integração dos três sectores, por serem universos completamente separados, num pensamento de integração”, esclareceu a também bióloga, tendo relegado para o segundo plano a alteração do actual quadro de crise ambiental que se assiste no meio urbano. “Estamos sempre a pensar no ambiente com destaques para as áreas rurais, ou seja “o mato”, mas está na hora de mostrarmos que ele é muito mais que isso, é literalmente tudo aquilo que nos rodeia”.

As politicas não serão desenvolvidas para ficarem apenas em papel, mas para serem aplicadas, sublinhou a ministra. Já para o ministro das relações Exteriores (Mirex), Tete António, um dos quadros mais antigos da casa, diz que vai manter a aposta numa diplomacia virada para o sector económico, a fim de atrair mais investimento privado para o país. Prometeu prosseguir com o processo de reestruturação em curso no Mirex que o seu predecessor, Manuel Augusto, começou, tendo acrescentado que vai intensificar a aposta em embaixadas regionais.

Téte António acredita que “as comunidades angolanas no exterior vão merecer maior atenção, bem como o ingresso de mais quadros do país nas organizações internacionais.” No quadro da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o chefe da diplomacia angolana reiterou que o país vai continuar a apoiar os cidadãos angolanos no estrangeiro.

error: Content is protected !!