Moradores do Mussulo pedem socorro por falta de água potável

sem o estado de emergência já é difícil conseguir água potável na Ilha do Mussulo, agora, com as medidas de prevenção que se impõem para evitar a propagação do Covid-19, a situação piorou. Os moradores pedem uma intervenção rápida, pois a água que sai dos poços, que normalmente os tem ajudado, está em péssimas condições

Como é do conhecimento público, a Ilha do Mussulo não tem instalada a rede de abastecimento de água potável, pelo que para os moradores conseguirem este líquido, para além dos poços, muitos fazem a travessia e outros dependem de cisternas.

Embora se tenha a ideia de que o Mussulo seja uma Ilha com mais casas de fim-de-semana, existe uma comunidade de pessoas de renda baixa que passam por dificuldades de vária ordem, dadas as limitações que têm ao viverem numa Ilha.

Dentre as dificuldades está o acesso à água potável, que ultimamente se agravou. Quem faz o grito de socorro para aquela comunidade é Lisete Antas, da Associação Amigos de Angola, que também tem casa na referida ilha. Apesar de não estar na ilha todos os dias, tem noção dos problemas dos moradores, pois têm-lhe sido reportados.

“Estamos a ouvir que neste período de estado de emergência está-se a distribuir água em vários pontos de Luanda, por via das cisternas, mas no Mussulo ainda não chegou. Está-se a viver uma situação dramática, pois a água reservada desde antes de a quarentena começar já está no fim”, conta. Este ano, as calemas foram fortes, bem como o nível do mar, o que contribuiu para que nos poços artesanais existentes no Musssulo, que normalmente dão água salobra, haja água ainda mais salgada e imprópria para o consumo.

Para além das pessoas que vivem no Mussulo a “full time” existem os pescadores, os seus filhos e suas famílias, que constituem a maior parte da população e com esta quarentena ou as limitações de movimentação estão a passar por dificuldades na obtenção de água para o consumo.

Até a água do poço deve-se ter cuidado

Na opinião da interlocutora, esta distribuição de água potável não devia apenas ser para esta época, principalmente no Mussulo, pois, como se sabe, a situação naquela ilha é grave, uma vez que antes da existência do cemitério as pessoas enterravam de forma desordenada. Por isso, mesmo a água que usam dos poços, deve-se ter muito cuidado.

“Por isso, estamos a apelar a quem de direito para olhar para o povo do Mussulo. Não é fácil atender a todas as pessoas, também porque esta situação de Covid-19 apanhou a todos nós de surpresa, mas que pelo menos façam um esforço de construírem um grande tanque, com uma torneira, onde o povo vá lá tirar água para o consumo”, sugere.

A única forma que algumas pessoas têm para amenizar a situação é fazer a travessia com quatro ou cinco bidons de 20 litros, porque a água do poço misturou-se com a salgada e está em péssimas condições de consumo. Esta situação também nos foi confirmada por uma outra moradora, Joana, com quem falamos por telefone.

“Estamos a receber a água das cisternas que estamos a ver os outros, noutros pontos de Luanda, a receberem. Aqui, mesmo, é cada um pegar nos seus bidons e ir do outro lado buscar água para beber e cozinhar”, reforçou. Quando se olha para o Mussulo, segundo Lisete Antas, as pessoas pensam logo nos ricaços, quando atrás daquelas grandes casas estão os pescadores, estão cidadãos que não conseguiram casa neste lado e foram alojar-se na ilha.

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