Covid-19 pode comprometer salários dos trabalhadores da hotelaria

Para que isso não aconteça, o secretário-geral da Associação dos Hotéis e resorts de Angola (AHrA), ramiro Barreira, defende a criação de uma linha de financiamento da parte do Governo para assegurar liquidez e pagamento dos salários dos trabalhadores dos estabelecimentos hoteleiros no país, uma vez que muitas das unidades hoteleiras encontram-se encerradas por causa da pandemia do Covid-19

A Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA) está preocupada com a situação actual dos hoteleiros no país, face à situação da pandemia Covid -19, e, por isso, propõem ao Executivo algumas medidas para ajudar o sector, nomeadamente a criação de uma linha de financiamento com vista a apoiar os empresários no pagamento dos salários dos trabalhadores, a isenção do Imposto Predial Urbano (IPU) e a suspensão da cobrança de planos de pagamento ou acordos de regularização de dívida aos bancos, impostos e segurança social.

Segundo o secretário-geral da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), que falava em entrevista exclusiva a OPAÍS, à propósito do impacto da Covid 19 no sector do Turismo, essa linha de crédito de apoio às empresas hoteleiras deve ser feita num valor substancial operada pelos bancos comerciais com bonificação de juros com carência de capital de até 12 meses.

Referiu ainda que as empresas, tendo em conta o contexto actual sem receitas nem disponibilidade financeira, pouco farão uma vez que as taxas de ocupação são nulas e os serviços de restauração näo funcionam, lembrando ainda que, antes mesmo da pandemia da Covid-19, já os hoteleiros enfrentavam dificuldades de diversa índole, sendo que a taxa de ocupação, por exemplo, rondava abaixo dos 10%. Apela, por isso, ao Executivo no sentido de disponibilizar essa linha de financiamento nos próximos dias.

“O pagamento dos salários dos trabalhadores dos estabelecimentos que pararam as suas actividades, só será possível com o apoio do Governo”, disse. Para o responsável, os créditos bancários com taxas de 7, 5% não bastam, uma vez que a mesma não será suficiente para resolver o problema. Pelo contrário, esclareceu o responsável, aumentará ainda mais o endividamento dos empresários.

Ramiro Barreira acrescentou que, além da aprovação de uma linha de apoio às empresas da hotelaria, a outra medida que o Governo deve adoptar está relacionada à isenção do Imposto Predial Urbano ( IPU), pois os espaços construídos e de terra constituem a “matéria-prima” dos hoteleiros.

Por outro lado, a Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA) propõe, igualmente, a suspensão da cobrança, no mesmo período, de planos de pagamento ou acordos de regularização de dívida aos bancos, impostos e segurança social.

O turismo requer políticas e projectos sustentáveis e Ramiro Barreira considera que o sector poderá ter perdas enormes por ser o mais afectado. No entanto, alertou ainda para a necessidade de se reanimar o turismo com políticas de fomento e projectos sustentáveis.

“É necessário pensar em mega- projectos não exequíveis no contexto actual e tornar a hotelaria e o turismo num segmento atractivo, não só para os investidores e os estrangeiros, mas principalmente no desenvolvimento do turismo interno”, desabafou, acreditando, para o efeito, que se deve mudar os paradigmas na abordagem do turismo, tornando mais prática as políticas e as abordagens.

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