E a imprensa depois do Covid-19?

Por estes dias, o mundo inteiro dá-se conta da importância dos meios de comunicação social, do jornalismo responsável, dos jornalistas eticamente bem posicionados. Porque é preciso comunicar com verdade. As pessoas, sujeitadas ao distanciamento social, fechadas nas suas casas, precisam e buscam saber sobre o mundo, sobre a pandemia, sobre outras pessoas.

A maior arma na luta contra o novo Coronavírus é a informação, bem tratada, com responsabilidade. As autoridades do mundo inteiro sabem disso e estão a usar correctamente os meios de comunicação social, tal como as angolanas. No entanto, com a quase paragem da actividade económica, as empresas deixam de vender, deixam de produzir, deixam de publicitar, ora, a publicidade é o sangue que faz viver as empresas de comunicação.

Na primeira semana da nossa quarentena, a associação de publicitários anunciou uma queda de sessenta por cento na sua actividade, são já dois ramos da comunicação em perigo. Entretanto, porque há que salvar empregos e há que segurar a democracia, em alguns países já se discute a imprensa pós-Covid-19. Não tarda e surgirão os pacotes de ajuda e recuperação dos órgãos.

Por aqui, ainda não se fala do assunto, apesar de ser inegável o papel que os jornalistas têm tido nesta luta. Talvez se vá apoiar as empresas do Estado de comunicação social, o que fi caria muito longe de um esforço para segurar a democracia, porque as empresas privadas só muito difi cilmente sobreviverão.

Agora é a hora de vermos se tinha, ou não, razão, o presidente do Conselho de Administração da TPA, Francisco Mendes, aquando da visita presidencial à empresa, ao reclamar do abandono a que são votados os jornalistas depois de usados, por exemplo, em campanhas eleitorais. E depois do Covid-19, quantos irão para o desemprego?

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