Uma cova de Ladrões

Por: JOSÉ MANUEL DIOGO

Houve um dia em que Jesus Cristo os expulsou do Templo. Porque o templo não é um lugar de negócios nem de favores. O templo é a casa do apóstolo Pedro, a pedra sobre a qual o redentor edifi cou a sua Igreja. Virá agora o dia em que esses vendilhões que se alimentam da fé das pessoas para benefício próprio sejam expulsos para sempre. Do templo, do país e dos nossos corações.

Os templos extraordinários da Pandemia COVID põem em evidência o melhor e o pior da humanidade. No caso específi co das igrejas seria bom que os fi éis pudessem olhar com atenção o lugar do bem e do mal e distinguir que os guia de que os explora. Deus é bom e misericordioso, Deus não é um negócio de rezas nem uma juke box de orações.

A reportagem que ontem OPAÍS publicou é uma luz sobre a verdadeira natureza dessa gente sem qualidades morais que, invocando a Deus, mais se assemelham ao anjo amaldiçoado caído em desgraça. Vale a pena relembrar, para que dúvidas não sobrem, o texto que o Paulo Sérgio e Maria Teixeira partilharam com os nossos leitores.

“A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), para manter a colecta das contribuições dos fi éis, tornou públicas as suas coordenadas bancárias em quatro bancos comerciais existentes no país, através de um vídeo em que aparece o bispo Honorilton Gonçalves a orientar como deverão proceder. No vídeo posto a circular nas redes sociais em Março, a direcção da igreja fez questão de ressaltar que uma das quatro contas está reservada para a recepção de doações em dólares”. Nesse vídeo, o Diretor Gonçalves —pastor é outra coisa, senhor Honorilton — abusa da fé que o devoto povo de Angola tem a Deus, e tem os olhos postos no lucro.

“Quando o senhor ou a senhora fi zerem a doação, envie, por favor, o recibo da doação para que a gente possa colocar neste livro de oração. Todos os dias nós vamos orar pelos fi éis”, explicava, apontando para o número das contas bancárias, o responsável máximo da IURD em Angola, exibindo o livro, de capa preta intitulado, em letras garrafais amarelas, “Livro dos Fiéis”. Será que Deus será melhor para quem der mais? Será que Deus trará mais proteçcão a quem tem mais dinheiro?

Será que Deus ajudará aqueles que desobedecem a uma ordem directa do Presidente da República? Será que estes pastores merecem o rebanho que apascentam? Nos piores tempos se vê a verdadeira natureza das pessoas. Este flagelo em forma de franchising que se aproveita da fraqueza do povo em proveito próprio devia ser ilegalizado por desrespeito à lei. Seria ao menos uma coisa boa que a Covid faria por nós!

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