V Edição do Circuito Internacional de Teatro homenageia Fragata de Morais

O tributo ao também dramaturgo, com uma carreira de mais 50 anos, deve-se ao seu contributo no desenvolvimento do teatro ao nível nacional. A presente edição decorrerá de Julho a Novembro, cujo mote é a comemoração dos 45 anos de independência nacional, em que serão exibidas peças que abordam a história recente de Angola

O dramaturgo, encenador, actor, escritor e nacionalistaFragata de Morais é a figura a ser homenageada na V edição do Circuito Internacional de Teatro (CIT), que arranca a 3 de Julho, na Liga Nacional Africana, em Luanda, sob a máxima “Angola 45 anos, com o teatro, na promoção da cultura de paz”. A referida homenagem ao também escritor, com mais de 50 anos de trabalho no sector, deve-se ao seu contributo no desenvolvimento da cultura nacional, especificamente do teatro.

O coordenador geral do CIT, Adérito Rodrigues, revelou a O PAÍS que, além dos presentes feitos, Fragata de Morais alia-se às comemorações do “Angola 45 anos”, relativos à luta pela conquista da independência nacional. “No leque de pessoas a serem homenageadas nesta edição, o nome do escritor foi o que mais consenso obteve, merecendo, por isso, essa primazia. Estamos felizes por saber que será a sua primeira homenagem de grande vulto nesta área ”, explicou Adérito, tendo sublinhado, entre várias peças montadas pelo encenador, a denominada “Manana”, inspirada na obra de Uanhenga Xitu, que foi um grande sucesso.

As exibições

Nesta edição, ao invés de Setembro, as exibições decorrerão até Novembro, devido as comemorações da independência do país. As peças que serão exibidas por grupos angolanos, sob o lema “Angola 45 anos de independência”, vão reflectir a história da independência do país e todo o processo envolvente. “Este ano, a par dos outros, temos a máquina toda preparada. E como estamos associamos a estas comemorações alusivas aos 45 anos de Independência do país, se tivermos os apoios, as actividades serão realizadas até Novembro. Se for em três meses, teremos aproximadamente 40 espectáculos. Caso ocorra até Novembro, serão mais de 90 exibições”, explicou.

Além dos grupos de Luanda, estarão presentes colectivos de teatro provenientes das províncias de Benguela, Bié, Huambo e do Leste de Angola. Do exterior, participam dois grupos do Brasil, um de Moçambique e igual número de Portugal. Para implementar a troca de experiências, em termos de espectáculos e de formação, num intercâmbio entre actores, directores, encenadores, entre outros, será realizada a “Semana Internacional de Teatro”, com as companhias internacionais, a decorrer de 3 a 13 de Setembro. “Estamos a envidar esforços, mas devido a essa fase difícil que estamos a passar, a pandemia da Covid–19, tivemos de parar. Estamos a seguir as medidas preventivas, adoptadas pelo Executivo.

Tão logo passemos essa situação, continuaremos com os preparativos. Esperamos nós que os apoios confirmados anteriormente se mantenham”, observou. Conforme verificou, devido à disseminação do novo Coronavírus em mais de 200 países, o mundo parou. “Ao que parece, as coisas serão reiniciadas e não sabemos quais serão as políticas a implementar para o desenvolvimento do contexto social. E com a junção dos ministérios da Cultura, Turismo e Ambiente as coisas estarão mais complicadas para os artistas”, analisou.

O homenageado

Manuel Augusto Fragata de Morais nasceu na província do Uíge em Novembro de 1941. Os seus primeiros escritos apareceram na década de 70 em Paris (França), onde frequentou a Universidade Internacional de Teatro, na qual trabalhou com André Louis Perineti e Victor Garcia. Do seu vasto reportório, constam as obras “Jindungisses”, de 1999, distinguido com o Prémio Sagrada Esperança. Entre as suas obras, constam ainda o “Inkuna-Minha Terra” e “Terreur en Verzet”, lançadas em 1972 e 1997.

 O CIT

O Circuito internacional de Teatro, promovido pela empresa “Cultura para todos”, tem como objectivo promover e dinamizar actividades culturais. nas edições anteriores, 2016, 2017, 2018 e 2019, homenageou o antigo gestor do Teatro Avenida, Diogo Colombo, o dramaturgo José Mena Abrantes, o director provincial da Acção Social, Cultural e Desporto, Manuel Sebastião e a escritora e dramaturga, Agnela Barros.

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