Engenheira alerta para preservação da qualidade na distribuição de água às comunidades

Receia que a necessidade urgente da população e a efectivação da oferta do precioso líquido às zonas mais carentes possa fazer esquecer o cuidado requerido para que o bem chegue à casa dos cidadãos em melhores condições de consumo

A engenheira química Yonara Freitas alertou para se ter grande atenção à qualidade da água a ser fornecidas às comunidades, uma vez que, nesta altura, se está a lutar contra a expansão do novo Coronavírus. “A qualidade da água influencia nos resultados que pretendemos alcançar, pois, se essa componente se apresentar péssima, ao invés de combatermos o mal-estar, estaremos a proporcionar condições para a contracção de outras doenças aos contemplados pela distribuição grátis.

A engenheira disse-o porque se apercebeu do processo de distribuição de água, na rua, com mangueiras de camiões-cisternas directamente projectadas para recipientes abertos, que permanecem nessa condição por algum tempo considerável, até o líquido vital ser transportado para as residências dos munícipes. Reforçou dizendo que os recipientes a serem usados para a recepção devem ser higienizados e devidamente verificados pelos distribuidores.

“Se não, imaginemos que a água nas cisternas está com um nível de potabilidade aceitável, mas ao ser transferida para os recipientes abertos dos populares encontre estados precários”, cogitou a engenheira, tendo acrescentado, igualmente, que os tambores, baldes plásticos e outros tipos de recipientes abertos podem facilitar alguma contaminação que vai perigar ainda mais a vida dos beneficiados. Daí que defende a urgência de se adoptar um programa de sensibilização e mobilização, a fim de se acautelarem os procedimentos de higiene e saneamento.

Trata-se da lavagem dos referidos recipientes com água e sabão, segundo deixou patente a interlocutora de OPAÍS, para quem os mesmos devem ser, posteriormente, desinfectados com lixívia, sendo que, em seguida, se veja a possibilidade de esta actividade ser feita na presença dos responsáveis pela transportação do precioso líquido, a fim de se evitarem enganos, sobretudo no que toca à cobertura dos mesmos para não permitir a entrada de poeira e de outros agentes nocivos transportados pelo ar. Convicta de que a água faz parte da lista dos bens de necessidade prioritária, devemos evitar fazer esforço para que esse bem chegue a toda a comunidade, apostando num sistema de tratamento e canalização do líquido em causa, ao ponto de chegar às casa das famílias.

Yonara Freitas reconheceu que, em algumas zonas, pode haver dificuldade para fazer isso acontecer, mas defendeu, a seguir, que a aposta nos chafarizes ou noutros depositários deve ser apenas uma alternativa que não suscite a luta pela aquisição diária de concentração de massas. “Sabemos que manter o corpo hidratado também é uma medida para se evitar a contracção de muitas doenças”, realçou. Cumprimento da dose de lixívia por litro Ainda relativamente à desinfecção, adiantou que evita a contaminação de micro-organismos, razão pela qual fazer o uso de lixívia é aconselhável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

AA OMS recomenda que se use cinco gotas de lixívia em cada litro de água, assegurando-se de que não seja mais, nem menos do que isso. Se transportada por via de camiões-cisternas, como é o caso em abordagem, os mesmos reservatórios das viaturas também devem ser higienizados para não diminuir a qualidade do líquido durante a viagem, soube este jornal da sua interlocutora.

Essa sua preocupação assenta no facto da existência de certas cisternas cujo metal se encontra em estado de oxidação (enferrujamento) constante, por dentro, um compartimento de difícil controlo e fiscalização.

“Tinta de água, se pintados”

Segundo a especialista em química, a presença de ferro na água compromete as verdadeiras característivcas da água, acescentando-lhe, principalmente, a cor e o sabor, sendo que, ao ser utilizada para lavagem, pode até manchar roupas e utensílios sanitários.

“Também causa o problema de desenvolvimento de depósitos em canalizações e de ferro-bactérias, provocando, consequentemente, a contaminação biológica da água na própria rede de distribuição”, detalhou a engenheira, tendo acrescentado que, por este motivo, o ferro constitui-se em padrão de potabilidade, ao ponto de a OMS ter estabelecido a concentração limite na ordem de 0,3 miligramas por cada litro (mg/l). Outra situação que inquieta Yonara Freitas tem a ver com a pintura que, normalmente, se faz no interior das cisternas.

A engenheira clínica recomenda que seja feita com tinta de água, como é popularmente classificada. “Se acharem ver o interior das cisternas, deve ser feita com tinta de água e específica para esses recipientes de armazenamento, de forma a não perigar a vida dos consumidores”, salientou.

error: Content is protected !!