Lições da pandemia

Por: SALOMÃO ABÍLIO *

Em tempo de pandemia, muito se tem discutido sobre que mundo teremos quando este “mar de águas revoltas” terminar. Após a crise do vírus-corona que enfrentamos, seguir-seão medidas económicas austeritárias, semelhantes às que foram adoptadas no período da crise de 2008? Economistas insuspeitos – como o destacado Nouriel Roubini – respondem de forma afi rmativa à minha pergunta. Muitos chegam mesmo a falar em “depressão económica”.

Podem ser ilações, porque a economia não é uma ciência exacta, mas ainda assim o cenário que tem sido apontado deve merecer a nossa preocupação. Não devemos descurar os esforços que os governos – à escala global – têm estado a fazer para mitigar a propagação do vírus. Contudo, não podemos esquecer que a economia mundial está parada – até aquelas com maior “músculo”: EUA, China, França, Alemanha!
O esforço que tem sido feito terá, no fi m de tudo, refl exo na vida de todas as pessoas: avizinhamse medidas draconianas e austeritárias!

AUTORITARISMO

Como não podia deixar de ser, não faltam governos que têm aproveitado a crise que se vive para dar um golpe constitucional: fê-lo há dias Viktor Órban, na Hungria. A União Europeia – que se alcandora como sendo a defensora acérrima do Estado de Direito -, nada tem feito para conter os abusos verifi cados em alguns países da Europa, máxime os de Visegrado (que nunca se integraram bem no seio comunitário). Parece que a UE (União Europeia) – que está cada vez mais fragmentada depois das declarações proferidas pelo ministro das Finanças holandês Wopke Hoekstra -, não retirou lições da crise do euro e do drama dos refugiados, este último tem posto ‘a nu’ todo o discurso de solidariedade patente no Velho Continente.

UM NOVO PARADIGMA?

Muitos afi rmam que o mundo não será o mesmo após o fi m da [pandemia] Covid-19. Por um lado, decreta-se o fi m do credo neoliberal, o que não me parece que virá a ocorrer tão cedo. O que poderá suceder, penso eu, é uma mudança de paradigma.

Ou não. A lição que se poderá retirar desta pandemia tem a/que ver com a importância do investimento que se deve fazer na saúde, na educação. Se houvesse investimento sério nestes sectores, obviamente que o Coronavírus não teria tanto impacto assim. Espanha, Itália, França (que tem um excelente sistema de saúde) e muitos outros países estão a pagar um preço muito alto pelos cortes feitos [na saúde e educação] no período pós-crise da Zona Euro.

* É studante de Direito – Faculdade de Direito / UAN

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