Médicos cubanos chegam a Angola com 30 toneladas de medicamentos

Os medicamentos que Angola adquiriu são os mesmos que os cubanos estão a usar no seu país para tratar doentes. Fala-se de um avião cargueiro proveniente da China que estará a caminho com outras toneladas de fármacos

Um contingente de 257 médicos cubanos de diversas especialidades escalou nesta Sexta-feira, 10, Angola, para reforçar o combate contra o novo Coronavírus (Covid-19), em todas as províncias. Segundo a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, houve atraso com a documentação de alguns médicos, fazendo com que cerca de 20 profissionais ficassem ainda em Cuba, podendo chegar ao país nos próximos dias.

Entre os médicos que desembarcaram no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro estão infecciologistas, anestesistas, intensivistas, médicos familiares e de saúde pública nas diferentes vertentes. Sílvia Lutucuta fez saber que os de medicina familiar já têm formação em combate de epidemias, pelo que estarão em condições de dar respostas à Covid-19 de forma diferenciada em todo o país.

A ministra da saúde reiterou que neste momento Angola só apresenta casos importados, mas não tardará para que apareçam os primeiros casos de circulação comunitária. Daí que “não há braços a medir, porque nós queremos garantir que estamos a dar o máximo para combater a doença adiantando-nos sempre”, frisou.

O combate do coronavírus é uma luta que a todos deve engajar e Sílvia Lutucuta disse que neste momento o Governo criou diversas medidas, destacando-se o reforço das equipas de resposta rápida, vigilância epidemiológica e formação de profissionais para a correcta colheita de amostras nos níveis centrais, provinciais e municipais.

Médicos dizem-se prontos

José Alberto Laivina, um dos integrantes da comitiva, disse a OPAÍS que neste momento difícil precisa-se de muita solidariedade entre os país e juntamente com seus colegas pretende contribuir para a erradicação da doença. O especialista em medicina-geral integrada disse que trazem a experiência cubana, que também já conta com casos positivos de Covid-19, para ajudar Angola a enfrentar a doença.

José Laivina, que está pela primeira vez em Angola, disse que a prevenção neste momento é a melhor cura e aconselhou a população a seguir as recomendações das autoridades sanitárias, a fim de evitar a propagação. Ele e os seus colegas já foram testados em Cuba, mas Sílvia Lutucuta garantiu que vão cumprir um período de quarentena de cinco dias antes de serem submetidos a um outro teste no nosso país.

Só após este período é que serão distribuídos pelos 164 municípios do país para, juntamente com os profissionais angolanos, desenvolverem acções tendentes a minimizar o impacto da doença nas populações. Com os médicos vieram também 30 toneladas de medicamentos vendidos por Cuba para o tratamento dos pacientes acometidos com a pandemia. Entre os medicamentos consta a cloroquina, o interferol e a azitromicina produzidos pela indústria farmacêutica do país caribenho e que têm sido usados no tratamento de doentes com Covid-19 localmente.

Viajantes de hoje e amanhã vão ser acompanhados

No aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, OPAÍS soube que as pessoas que nos primeiros 15 dias do estado de emergência ficaram retidas em diferentes províncias e lhes foi dada a possibilidade de voltar às suas zonas de origem, serão acompanhados por uma equipa sanitária. A transportação dessas pessoas far-se-á com as transportadoras interprovinciais que operam no país, que já foram contactadas para nos dois dias excepcionais (Sábado e Domingo), levarem as pessoas de uma província para outra.

 

Pela defesa da Segurança

Nacional Quem também esteve no aeroporto para a recepção dos médicos cubanos foi o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da república, Pedro Sebastião, tendo frisado que Cuba sempre esteve ao lado de Angola nos momentos difíceis. O também coordenador da Comissão Intersectorial de combate à Covid-19 disse que a pandemia conta com aspectos da defesa Nacional, razão pela qual o Executivo se viu na necessidade de reforçar o contingente médico para salvaguarda da população.

Laços históricos entre Angola e Cuba

A embaixadora de Cuba em Angola, Esther Armenteros, disse que alguns médicos que vieram para contribuir na luta contra a pandemia da Covid-19 poderão permanecer no país para dar contributo a outros sectores da saúde no país. Actualmente, segundo Esther Armenteros, estão em Angola mais mil médicos cubanos espalhados em várias províncias. Cuba é um dos países com maior taxa de médicos por habitantes, com nove médicos para cada mil habitantes. Países como a Itália já solicitaram o auxílio de médicos cubanos para a luta contra a Covid-19. As relações entre Angola e Cuba remontam a 15 de Novembro de 1975, sendo que o primeiro convénio da saúde foi estabelecido em Fevereiro de 1976.

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