Os mascarados

Vejo muita gente a queixarse de estar em quarentena com os fi lhos, é até moda, só não vejo é crianças fartas dos pais a queixar-se de ter de os aturar dia após dia. Também não deve ser fácil para elas. Há pais e mães que só Deus! Ou talvez as famílias devam aproveitar este período para refazer laços, hierarquias e funções.

Mas temos um problema muito grave em Angola neste momento e a culpa é do Governo. Calma, ninguém se fere fi sicamente, mas dá até para rir. É que, de repente, deixamos de ter Governo. Bem, vou aligeirar, deixamos de ter governantes. É que vemos apenas máscaras. Fosse um fi lme de aventuras e eu lhes chamaria de “O bando dos mascarilhas”. Ok, aligeiro outra vez, fi ca “O grupo dos mascarilhas”. Hei, atenção, não são apenas governantes, o Parlamento também se mostrou assim. A sorte é que eu hoje nem quero falar mal dos políticos, mas… e depois com notícias de certos gastos do nosso dinheiro… bem, avante. Então, agora é que os pais estão tramados e baixam na avaliação dos fi lhos. Não sabem nada.

Os miúdos têm aulas pela televisão durante o dia, ainda que sejam aulas em que a professora chama de círculo a um cilindro, mas se nestas aulas se fala de Angola, da organização do Estado e dos dirigentes, etc., e se as crianças vêem o noticiário com os pais, imaginem, “papá, quem é aquele senhor?”, “não sei”. “E aquele?”, “também não sei”.

Estão todos mascarados. “Afi nal o pai não sabe nada”. Já imaginaram só? Cá para mim, como nunca houve notícia de algum dirigente político angolano, no Governo ou na Oposição, se ter submetido a um teste do novo Coronavírus, estando, portanto, todos saudáveis, acho um disparate o desfi le e o posar para as câmaras mascarados.

Quem é quem? Ou, se calhar, não querem que o vírus não os reconheça, fugiram atrás das máscaras. Certa vez um jornalista perguntou, anos depois, a Augusto Pinochet, sobre os óculos escuros que ele usava, li algures, na famosa foto de família com militares alinhados depois do golpe contra Salvador Allende, a 11 de Setembro de 1973 (olhem, o Chile também já teve o seu nine eleven), a resposta não poderia ser mais esclarecedora: “era para esconder o medo”.

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