Projecto “Letra de Mulher” confinado ao Facebook devido a Covid-19

Trata-se de de um projecto dedicado ao estudo e divulgação de obras literárias de mulheres. Entretanto, face ao surto da Covid-19, a iniciativa está limitada à rede social Facebook, onde são discutidas e analisadas diferentes obras em grupo

“Letra de Mulher” é o nome atribuído ao projecto que se dedica, exclusivamente, ao estudo e divulgação de obras de autoras de língua portuguesa, cujo protagonismo é atribuído à escritora e ensaísta Cíntia Gonçalves e à estudante de Língua e Literatura da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (FLUAN), Edmira Manuel, que vai marcando os primeiros passos como crítica literária.

O projecto, de acordo com uma das suas mentoras, Cíntia Gonçalves, vai contar com um site onde divulgar-se-ão os ensaios que resultarão da análise das respectivas obras e um clube de leitura. Por agora, devido às condições actuais, Cíntia e Edmira trabalham simplesmente com uma página no Facebook, onde fazem as leituras e divulgam os ensaios. “As leituras são feitas através de vídeos em directo e com a publicação de trechos da obra escolhida.

Por agora, funcionamos como uma espécie de clube do livro virtual. Para nós, é indispensável a disseminação e debate sobre a produção literária feminina. Sendo assim, a ‘Letra de Mulher’ trará mensalmente uma obra para discussão”, explicou a também poetisa. O anúncio do livro e a data do debate são feitos com um mês de antecedência, de modo que os leitores estejam prontos. Através de “vídeo-debates” e textos, de modo a partilharem-se histórias de mulheres históricas.

Iniciativa

“Ao fazermos um passeio pela História da Literatura Universal, e da arte em geral, veremos que existem múltiplos factores que contribuem para uma certa depreciação e resistência descomunal em torno da literatura feita por mulheres. Como mulheres que escrevem e lêem outras mulheres, cansamos de esperar pelo mês de Março para falarmos do nosso trabalho em literatura.

Foi assim que surgiu a Letra de Mulher”, fez saber. Conta ainda que o principal objectivo da dupla é o de trazer à ribalta obras de mulheres que ao longo do tempo contribuíram para uma maior visibilidade do gênero, nas lides literárias. Com um conteúdo dinâmico. A página traz livros escritos por mulheres, livros sobre mulheres e a visão das mulheres sobre determinadas obras.

Primeira sessão

“Tivemos a nossa primeira leitura no dia 4 de Abril e foi muito interessante, as pessoa mostraramse satisfeitas e ansiosas para a próxima sugestão”, disse. À mesa esteve o livro “A Cabeça de Salomé” de autoria de Ana Paula Tavares. A sessão teve a participação de 20 pessoas e foi um debate com muita interacção, conforme conta a jovem escritora. A mensagem foi passada e no final chegou-se à conclusão que a obra de Paula Tavares merece ser mais explorada pelo que ela representa para a literatura e cultura angolanas, de um modo geral.

Por sua vez, vale ressaltar que “A Cabeça de Salomé” é um conjunto de 36 crónicas, na sua maioria, em termos de extensão com menos de cinco páginas. Destacam-se nela, excertos proverbiais, maioritariamente de Cabinda e nordeste de Angola citados em epígrafe nos textos. A maneira como foram escritos tais textos denota a afeição da autora pelo uso muito expressivo e sugestivo das palavras.

A Cabeça de Salomé é um livro sobre mulheres e sobre homens, sobre ritos e tradições, um enaltecimento e, ao mesmo tempo, crítica também a vários factores da cultura angolana. “Pretendemos dar maior visibilidade à Literatura feita por mulher e dar um tratamento mais honesto ao nosso trabalho”, rematou.

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