Não somos pobres, somos trabalhadoras!

Por: Kénia Kamotim

há quem defenda que a economia informal é vista como um indicador de Pobreza. Esta teoria até pode ser aceite e estar correcta comparando com economias equilibradas e de grande escala. Mas para quem conhece a cultura africana, a fonte de rendimento e de riqueza destas famílias provém deste estilo de vida/ oportunidade.

Já pensou o quão desafiante é acordar e ter que decidir, se prepara a(o) filha(o) para ir à escola ou preparar a bacia de produtos para não perder os clientes? E esta decisão até poderia tornarse fácil, se o sistema de apoio às zungueiras funcionasse , desde a segurança social até ao sistema Fiscal. Quantas mulheres com trabalho independente (Zungueiras), estão inscritas na Segurança Social, como trabalhadoras independentes? Quantas estão registadas com um Número de identificação Fiscal?

O papel do empresário e do executivo é e deve ser fundamental, criando acções constantes garantindo, cada vez mais, que haja um fluxo correcto e equilibrado entre a procura e a oferta, e o equilíbrio na relação fiscal entre as três entidades: “ Nano empresária(o)”; “Empresário(a)” e o “Executivo”. A crónica anterior do dia 5 de Abril 2020, levou a que muitos interrogassem, pondo em causa s as sugestões, garantindo que não eram tão lineares. Será?

O que impede a um empresário (que aluga um armazém enorme para escoar os seus produtos que depois serão revendidos na rua) de ensinar as suas clientes a serem mais organizadas?

Não falo em dar aulas com caderno e lápis, falo em ensinar a sua cliente (Nano empresária(o)), a incrementar as suas vendas e rentabilizar o seu negócio. Minha sugestão de hoje passa por pegar no primeiro ponto da sugestão do crónica do dia 5 de Abril, e desenvolvê-lo melhor: 1. Reserve um dia para se sentar com elas e ensina-las a criar uma lista de clientes com os seguintes dados: contacto e Morada (determinará a estratégia para o negócio ser rentável);

2. Coloque-a perante o cenário: do que lhe vale estar sentada numa esquina? Hoje pode ter cliente, mas amanhã não! E depois? Dê exemplos, para que consigam ver a desvantagem e as consequências de ficar um dia inteiro numa esquina sentada, sem nenhum cliente; e assim, garante que necessitem de voltar a reabastecer-se no seu armazém;

3. Ensine-as a serem distribuidoras das lojas de bairro (Lojas de conveniência), porta à porta ou mesmo inscreverem-se e terem uma tenda num local de venda autorizada pelo governo. Elas só precisam de saber que devem estar devidamente orientadas e focadas, e perceberem que há diversas opções (citei apenas 3 oportunidades);

4. Ensine-as a investir, atenção eu escrevi “Investir” – investir em formação, mostrelhes a importância de qualquer ser humano adquirir “conhecimento”; Só assim caminharemos juntos e seguros e quiça num futuro, estes(as) Nanos empresários(as) começarão a ter um papel importante e mais credível junto da sociedade.

Não deixem esta função apenas para as ONG’s, podem também oferecer o vosso conhecimento pois este papel é contínuo. Ninguém falou em mudar, o que se sugere é começar! Fique em casa proteja-se!

(Economista)

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