Pressão

O que há em Angola é uma grande pressão sentida pelo cidadão, sobretudo económica. E nesta fase de emergência nacional ela revela-se com toda a sua força. A vida está difícil. Muito. O que se viu ontem, com as enchentes nas estações de comboio, aeroportos, paragens de mini-autocarros e terminais de autocarros interprovinciais deve merecer a melhor leitura.

Apesar de os angolanos não tirarem férias num época concentrada, como fazem os europeus no Verão, a verdade é que estamos em plena época de trabalho e em período lectivo. Portanto, torna-se difícil crer que todos os milhares de pessoas que se fizeram à estrada ontem e que se fazem hoje estejam a regressar às suas casas. Há outras explicações. Uma delas pode ser, por exemplo, a fuga de Luanda, do foco da Covid-19 em Angola.

Porém, houve e há gente a vir para Luanda também. A outra explicação, está nas dificuldades económicas. Se pensarmos no mar de gente disposta a tudo para sair de Luanda, muitas delas a voltar para o campo, ou se se prestar atenção e se reparar que pais estão a enviar os filhos aos avôs, então percebe-se que não há como os sustentar por cá.

Luanda está uma dor, com tudo parado, sem a possibilidade de se ganhar o dinheiro do dia, sem se poder fazer negócios, aqui não há quintal com horta, mas há que continuar a comer. Ficar em Luanda em tempo de quarentena, para muita gente é uma espécie de condenação à morte por fome. Havia que aligeirar a pressão.

A fome está na base da desobediência ao Decreto Presidencial que limita a circulação das pessoas. E agora é rezar para que ninguém leve consigo o vírus a uma qualquer aldeia deste país, é que Girassol em Angola só há uma e “tem dono”. Depois da folga de dois dias, o Governo tem a obrigação de se mostrar capaz de monitorar os viajantes e de agir com soluções que minimizem a necessidade de “andar”, e isto pelos próximos trinta dias. Ou será o caos.

error: Content is protected !!