Viagem Luanda-Benguela sob alta temperatura de prevenção contra o Covid-19

no primeiro dos dois dias de folga na cerca sanitária, os viajantes que se fizeram à Estrada Nacional (EN) 100, saíndo da Capital para alguns municípios das províncias do Cuanza-Sul e Benguela, foram sensibilizados e mobilizados a colaborar com os órgãos de saúde medindo a temperatura e seguindo outros procedimentos disponibilizados em postos de controlo

É exactamente no Destacamento da Polícia Nacional da Canjala, município do Lobito, província de Benguela, onde se regista a maior paragem obrigatória de automobilistas, passageiros e transeuntes, que devem cumprir os procedimentpos da prevenção contra o Covid-19. Trata-se de lavagens das mãos com um líquido aquoso que os técnicos de saúde preferiram anunciar como simples desinfectante, o qual também faziam passar pela parte inferior dos calçados; medição da temperatura do corpo e registo pessoal, que passava pelo nome de cada indivíduo, bem como a morada actual, além da temperatura corporal, número de telefone e destino.

Para assegurar todo o processo, está, no terreno, uma equipa integrada por agentes da Polícia Nacional, militares, técnicos de saúde e outros de apoio, cumprindo cada um desses o papel que o levou para essa missão. Importa ainda realçar a desinfestação das viaturas por meio de bombeamento de um líquido específico, um processo que, de hora em hora, roubava a atenção de muitos passageiros ou ocupantes de autocarros e mini-autocarros e outros mais ligeiros, sobretudo infanto-juvenis que se recreavam com o andar da fila dos veículos, ao ponto de, de quando em quando, se desfazerem da coluna das pessoas. Sobre a fila, faltou apenas garantir o cumprimento do distanciamento teoricamente taxado em um metro, de um para outro indivíduo, situação cujas razões, ao serem questionadas, se cingiram na falta de mais pessoal de serviço para atender a “coluna indiana”, de acordo com um dos técnicos em serviço.

Os que se viam a traballhar de forma efectiva contavam-se em menos de 30, um número visivelmente pequeno, a julgar pelas mais de 100 pessoas que ocupavam as mais de 10 viaturas ligeiras e quatro autocarros que, entre as 10 e 11 horas de Sábado, 11, foram obrigados a interromper a marcha nessa paragem da Canjala.

Outro dado não menos preocupante tinha a ver com a veracidade dos dados apresentados pelos cidadãos notificados de forma individual, já que não havia qualquer critério de apuramento. Durante o processo havia condutores que manifestaram um certo cepticismo sobre a qualidade do produto de desinfecção “aspergido” nas suas viaturas.

Apercebendo-se da dúvida silenciosa dos motoristas, que chegaram a cogitar mesmo possíveis impactos negativos do desinfectante, os técnicos de saúde destacados no local pediam aos receiosos para encararem o líquido como o alcool em gel que está a ser usado para lavar as mãos.

“É a mesma coisa, não há nada de estranho nisso, porque estamos aqui a trabalhar só mesmo para o vossso bem”, reforçou um agente da Polícia, quebrando a orientação de silêncio que, a princípio, ele e os colegas alegaram terem recebido de seus superiores. Era nos dois sentidos com desvios da rota normal no sentido Luanda-Benguela.

Outros controlos em prontidãos

Antes de chegarem à primeira localidade da província de Benguela, os automobilistas e outros ocupantes de veículos automóveis que se fizeram à EN-100, no sentido Luanda – Cuanza-Sul – Benguela foram abordados na portagem da Barra do Cuanza, adistrita ao ciclo da Capital de Angola e no controlo limítrofe do Longa, na margem esquerda do rio com o mesmo nome, pertencente ao Cuanza-Sul.

Na primeira, e depois de pagarem a portagem, eram aleatoriamente notificados por agentes da Polícia, que se limitavam a perguntar se a viagem estava a começar bem e o destino que tomariam. Já na segunda, era imperativo descer da viatura, aproximar-se a um sector de Saúde montado ao lado do controlo da Polícia, que ainda está instalado em estrutura colonial, onde deviam proceder ao primeiro check-up de temperatura.

A seguir a estas passavam pelas barreiras policiais feitas de cones e obstáculos reluzentes plásticos na entrada e da saída da sede do município-sede do Porto Amboim, sendo que, mais à frente destas, as paragens eram feitas no cimo do Morro do Chingo, no Sumbe, no vulgar desvio para o Uku-Seles, ainda no Cuanza-Sul.

Nestes postos, a acção é mais dos agentes da Polícia, que se esforçam por fiscalizar sobre as recomendações ditadas, sobretudo no que à lotação dos carros diz respeito. Depois da Canjala, os automobilistas são obriogados a abrandar ou mesmo parar, quando solicitados, no destacamento montado no chamado Desvio do Culango. Mas, segundo constou, o rigor é mais para os que viajam no troço Lobito-Huambo, passando pelos municípios benguelenses do Bocoio e do Balombo e pelo Londuibali e Alto Hama, do ciclo provincial do Huambo.

Insistência na lotação proibida
Alguns motoristas de autocarros não respeitaram a lotação recomendada pela Polícia, fruto do decreto do Estado de Emergência, que deve adequar-se ao distanciamento de um metro de um a outro passageiro. Permitiram a ocupação de todos assentos, por isso se impediu a continuação da viagem.

A condição para seguir no percurso passava por dispensar parte dos passageiros, uma medida que remetia os condutores a um dilema, já que, à partida, assumiram o compromisso de fazer chegar o cliente ao seu destino. Esse problema, às vezes, era resolvido pelos fregueses que propunham a devolução do seu dinheiro, total ou na parcela que os permitia aceder a outro meio de transporte.

Nos automóveis ligeiros cujos lugares estavam todos preenchidos, a Polícia limitava-se a chamar a atenção aos condutores para conduzirem com prudência, em face dos argumentos apresentados por quase todos os notificados, pelo menos no controlo da Canjala, segundo os quais todos tinham a necessidade de voltar ao seu habitat. Crianças com idades compreendidas entre os dois e os cinco anos foram avistadas ao colo das progenitoras, ao invés de estarem sentadas em cadeiras de retenção apropriadas.

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