Mais de 50% dos luandeses não têm condições para continuar o isolamento social

Dos 2 mil 291 inquiridos . Cerca de 59, 3% residentes em Luanda não possuem condições para continuar a cumprir o estado de emergência

Por:Patrícia de Oliveira

O responsável da empresa de consultoria Ovilongwa, Carlos Pacatolo, referiu que com a suspensão da livre circulação de pessoas e bens em todo o território nacional foi realizada a pesquisa, que permitiu medir o impacto do estado de emergência na capacidade de subsistência alimentar das famílias. “A pesquisa revelou que 53% dos inquiridos não possuem condições de subsistência para continuar em isolamento social, contra os 47% que afirmaram possuir. Luanda é a província onde mais inquiridos (59,3%) declararam não possuir condições de continuar a observar o estado de emergência “, revelou. O responsável avançou que os estudos apontam que a província do Huambo apresenta um cenário mais optmista, pois 66,7% dos inquiridos declarou que possui condições de subsistência durante o isolamento social.

Enquanto que 55,4% dos inquiridos afirmaram que a situação financeira do seu agregado foi afectada pelas medidas restritivas impostas pelo Executivo, esta percentagem na província do Huambo apresenta valores um pouco abaixo, 41,7%, enquanto no outro extremo 60,2% dos respondentes de Benguela já sente o efeito sobre os rendimentos das suas famílias. “Apenas 10,5% afirmou estar a ser muito difícil viver com os actuais rendimentos e 49,8% afirmou estar a ser possível viver razoavelmente e 10,9% dos inquiridos afirmou estar a ser possível viver, confortavelmente, com os actuais rendimentos no contexto das limitações impostas neste período, disse. Ainda em relação ao inquérito, Carlos Pacatolo, referiu que comparando as províncias de Luanda, Benguela e o Huambo, o melhor cenário é registado na província do Huambo, onde 23,9% dos inquiridos afirmou estar a ser possível viver confortavelmente com os actuais rendimentos, demarcando- se em cerca de 10 pontos percentuais dos respondentes das províncias de Benguela com 11,2% e Luanda 6%.

Em relação à prorrogação do estado de emergência por mais um mês, o estudo aponta que mais de 63,1% dos inquiridos de Luanda afirmou que terá de reduzir o nível de consumo para poder continuar a subsistir, caindo para 55,8% em Benguela e 52% no Huambo. Enquanto 8,5% dos respondentes de Luanda acha que continuará a pagar as despesas, 12,9% de Benguela e 19,2% dos respondentes do Huambo continuam optimistas. No que toca ao fim da crise da Covid-19, 35,9% dos inquiridos espera que termine em finais de Abril e 23,7% espera que este período venha a terminar apenas depois de Maio. Os inquiridos da província de Luanda são os que mais (53%) vaticinam um fim da crise da Covid-19 em finais de Abril.O estudo foi realizado pelo Instituto Superior Politécnico Sol Nascente do Huambo (www. ispsn.org) e pela OVILONGWA CONSULTING-Sondagens e Estudo de Opinião em parceria com a TV ZIMBO, entre os dias 07, 08 e 09 de Abril de 2020. Foram inquiridos 2291 indivíduos com 18 ou mais anos de idade e residentes em Angola e validados 2271 inquéritos. Para selecção dos inquiridos usou-se a “amostra por conveniência” ou “bola de neve”. Por isso, a amostra não é representativa do conjunto da sociedade angolana. O inquérito foi aplicado através das redes sociais (755) e de telefonemas (1536) conduzidos por 15 inquiridores (residentes em Benguela, Cabinda, Cunene, Huíla, Huambo e Lunda-Sul.

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