Álcool gel feito por angolanos distribuído gratuitamente

A iniciativa abre portas para que o país entre na rota da produção interna deste produto que tem como primeiros beneficiários os vendedores ambulantes da província de Luanda. Empresários são chamados a contribuir com soda cáustica

Por:Milton Manaça

A iniciativa é da startup Química Verde Lab (QVL) que pretende solidarizar- se com quem passa longo tempo na rua e não tem à disposição naquele período água e sabão para lavar as mãos. “Na rua há limitação de água e sabão para os vendedores lavarem as mãos, daí que pensamos na iniciativa de fazer o álcool gel, por ser de fácil uso e adequar-se mais à rotina deles”, disse a coordenadora do projecto, Yonara Freitas. A engenheira química disse que a experiência piloto vai contar com a distribuição de mil frascos de álcool gel para igual número de vendedores, sendo que outros serão abrangidos posteriormente. Com a prorrogação do estado de emergência e com novas regras para o comércio informal, a QVL entendeu fazer a distribuição desde ontem, Terça-feira, 14, começando pela Avenida dr 21 de Janeiro, concretamente para os vendedores que deambulam no troço compreendido entre o Rocha Padaria e a ex-Rotunda do Gamek.

Produção interna

Os mil frascos de álcool gel distribuídos ontem e o resto da produção para a campanha, foram feitos em Angola e por angolanos numa equipa de engenheiros liderada por Yonara Freitas. Por outro lado, a engenheira química garante que o álcool gel produzido pela QVL tem os mesmos padrões de qualidade que os importados, realçando que se abre uma oportunidade, para que o país entre na rota da produção interna e barata.

A QVL conta com um laboratório de controlo de qualidade que segue os padrões recomendados internacionalmente. Aliás, esta startup integra a equipa responsável pela produção de sabão que se tem distribuído gratuitamente há três semanas nos bairros periféricos de Luanda. Na produção de álcool gel é usada também soda cáustica e, por esta razão, Yonara Freitas apela aos empresários e pessoas singulares que tenham disponível o produto para contribuírem, de modos que a campanha beneficie um grande número de pessoas.

Ambulantes pedem apoio

Para o líder da Associação Nacional dos Vendedores Ambulantes (ANVA) José Cassoma, o gesto da QVL é de grande valor, realçando que os seus associados não têm sido contemplados nos apoios institucionais e de empresários nesta da fase de Covid-19. “Agradecemos aos jovens da QVL porque os ambulantes estão na linha de risco de contrair a doença”, frisou. Cassoma disse que existem zungueiras na pobreza extrema que têm a rua como a sua fonte de sustento diário, adiantando que as famílias não comem caso essas mulheres ou homens não saírem às ruas. Segundo ele, não têm sido beneficiários das iniciativas de entrega da cesta básica e nesta semana a situação tende a pior, por causa das medidas restritivas que foram alteradas. Por esta razão, apelou ao Executivo e às empresas privadas no sentido de se solidarizarem com os seus associados.

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