“As empresas sabem que o crédito sem redução de custo é como uma esponja

Acompanhe a visão do professor de Macroeconomia Yuri Quixina, sobre as medidas do Governo, para atenuar o impacto da Covid-19 sobre as empresas

Por:Mariano Quissola / rádio Mais

A Comissão Económica do Conselho de Ministros aprovou ‘Medidas de Alívio do Impacto Provocado pela Pandemia Covid- 19 Sobre as Empresas e Particulares’. Qual é a sua expectativa?

Essas seriam as medidas do início do mandato do Presidente e não precisávamos esperar pela Covid-19 e a nossa economia teria outro rumo. Relativamente às mediadas fiscais, não podemos vê-las apenas do lado das receitas, mas também do lado das despesas do Governo, porque continua obeso. As medidas de alargamento do prazo de pagamento dos impostos não pressupõe redução. O Governo percebeu que se não alargasse, muitas empresas teriam prejuízos e não teriam capacidade de pagar. Mas ainda assim, o Governo arrisca-se a não arredar, porque o impacto da Covid-19 sobre as contas das empresas, levará a anunciarem prejuízos ou por engenharia contabilística ou por balanço e não pagarem o imposto industrial. Em resumo, é uma estratégia para o Estado arrecadar.

Quanto ao IVA, as empresas beneficiam de um crédito fiscal de 12 meses… Sempre defendemos que em reforma estrutural não se implementam novos impostos. Agora está a trazer estragos. Até segurança social o Estado não quer deixar de arrecadar. As empresas sabem que o crédito sem redução de custo é como uma esponja, mas o Governo acredita que as empresas vão precisar de dinheiro e vai utilizar o BDA, como instrumento por excelência, para relançar as actividades de algumas empresas. Entretanto, se olharmos para as condições do crédito, todo o fardo fi ca com o próprio banco, porque o Estado terá que fi nanciar esse diferencial da taxa de juro. Por isso é que se diz “não há almoços grátis. E mais: esse todo encargo será suportado pelo Estado, que também não tem dinheiro. O que vai acontecer é que o Estado vai se colocar numa armadilha, que é o da impressão de moeda sem produtividade.

Se você fosse o chefe da equipa económica, que medidas tomaria, diferente dessas? Isso é um desfio enorme… não me coloque nessa posição, nem tenho sonho. Penso que desperdiçamos dois anos consecutivos e agora estamos com as calças nas mãos. Estamos a tomar sobre pressão a Covid-19. Continuo a defender que temos de acelerar as reformas do Estado. Todas essas medidas só terão efeitos positivos se o Estado for reformado. O passivo dessas medidas sé muito perigoso para o futuro.

Haveria outras medidas possíveis, para o momento que o país e o mundo vivem?

O problema é que a nossa economia é do Estado e o sector privado é encolhido pelo Estado. O sector privado paga imposto industrial de 30%. É muito imposto. Ser empresário neste país é estar constantemente numa guerra. Sou economista da redução dos custos de produção. Só o mercado é capaz de fazer milagre para a economia.

África pede perdão da dívida à União Europeia para atenuar o impacto sobre as economias. É a saída?

É normal dos africanos pedir esmolas. Até os credores já sabem. Na verdade, já estava em perspectiva a renegociação da dívida, a Covid-19 só acelerou. Mas os credores também estão a arder com a pandemia, todo o mundo está a arder. O impacto do coronavírus é para todos os países do mundo. Os ministros das Finanças de África deviam ter vergonha de fazer esse pedido. Geriram mal os créditos e estão a aproveitar a doença para pedir perdão da dívida.

leave a reply