Federação dos Sindicatos da Educação apela à junção de esforços para melhoria das tele-aulas

O presidente da Federação dos Sindicatos da Educação, Cultura, Juventude, desporto e Comunicação Social, José Joaquim Laurindo, defende a necessidade de existir uma maior interacção entre os metodólogos do sector da Educação e a produção do programa tele-aulas e áudio-aulas, para a melhoria dos seus conteúdos

O sindicalista considera que a junção de sinergias nesse sentido possibilitará melhor enquadramento das teles e áudio-aulas a base pedagógica do sistema do ensino primário vigente no país. José Joaquim Laurindo considera positiva a iniciativa de transmissão de conteúdos didácticos através da Televisão Pública de Angola e da Rádio Nacional de Angola, fruto de um acordo celebrado entre o Ministério da Educação e o extinto Ministério da Comunicação Social. A mesma se consubstancia na ocupação das crianças que, por força do estado de emergência, foram obrigadas a se confinar em casa. “Esta iniciativa vai retirar muitas crianças da monotonia social imposta pelo estado de emergência. Portanto, consideramos a medida bastante louvável, que, de certa forma, vem trazer novas formas de interacção nestes dias de confinamento social ” disse. Para o êxito do projecto, o líder sindical defendeu a necessidade de uma maior abrangência às crianças das zonas mais recônditas do país.

Em seu entender, é essencial a criação de meios que garantam uma execução eficiente e justa desta nova modalidade de levar o ensino às crianças, para que ninguém fique excluído. “Alguns não têm acesso aos órgãos de difusão onde são transmitidas as aulas e nem sequer condições de, nos horários estabelecidos, assistir às tele-aulas”, frisou. Face a essa situação, recomenda aos governos locais que criem meios, como distribuição regular de energia, para que as teleaulas cheguem a todos e tenham uma abrangência massiva. De recordar que esta iniciativa governamental, visa reforçar o processo de ensino e aprendizagem dos alunos do subsistema de ensino geral enquanto se observa o estado de emergência decretado para travar a propagação da Covid-19 no nosso país.

As tele-aulas não caíram do céu”

O jornalista Paulo Gomes, na sua crónica de Graça e sem Graxa publicada diariamente na Rádio Mais (órgão do grupo Média Nova, do qual o jornal OPAÍS faz parte), descreveu a inclusão de tele-aulas na grelha de programação da televisão pública como a implementação de modelos de prestação de serviços públicos muito práticos, inclusivos e eficientes. Considerou que os gestores públicos ou governantes tiveram de esperar por “um empurrão do Coronavírus para despertarem do sono profundo e entender, de uma vez por todas, o papel do serviço público de televisão”. Considera que a TPA deveria, há anos, dar primazia a presença na grelha de programas educativos ou de complementaridades, na capacidade de o Estado prover o direito à educação a um universo maior de cidadãos. “

Com o impiedoso vírus a emperrar o funcionamento normal das instituições de ensino e a vida de todos nós, surgiram as soluções de imediato. As tele-aulas não caíram do céu”. Recordou que é uma ideia que já esteve em papel, foi abordada em seminários, motivou estudos comparados, mobilizou financiamentos para a formação de professores, mas não havia vontade política para a sua materialização. Paulo Gomes diz que a continuidade desse projecto por parte do Ministério da Educação, depois do período de isolamento social, pode contribuir para reduzir drasticamente o número de crianças fora do sistema de ensino, alegadamente por falta de salas de aulas. “A abrangência é muito maior e o modelo poderá ajudar a dimensionar melhor os investimentos públicos nos Sectores da Educação e da Comunicação Social. Afinal, é necessário que o sinal da televisão seja acessível para todos gratuitamente”.

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