FMI prevê recessão de 1,4% este ano em Angola

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê, para este ano, uma queda para menos 3% no crescimento da economia mundial, que se afunda com a pandemia. A recessão em Angola é menos forte que no conjunto da África Subsahariana e menos cavada que em 2019

Por:Luís Faria 

A economia angolana deverá registar uma contracção de 1,4% este ano, recuando menos que o conjunto da África Subsahariana (que cai para menos 1,6%) e que o conjunto dos países petrolíferos da região (além de Angola, a Nigéria, o Gabão, a República do Congo e o Chade), cuja taxa de crescimento das respectivas economias cai, em média, para o valor negativo de 2,9%. Estas as primeiras previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) após o deflagrar da crise pandémica que reduziu radicalmente, a um nível sem precedentes históricos, a actividade económica mundial.

De acordo com as estimativas do FMI, formuladas no seu ‘outlook’, publicadas esta Terça-feira, o crescimento da economia global irá cair para menos 3% (contra os 2,9% positivos registados em 2019 e traduzindo uma redução de 6,3 pontos percentuais em relação ao prognóstico do FMI de Janeiro de 2020, mas retomará, no próximo ano, num cenário encorajador quanto à progressão do novo Coronavírus e do esbatimento gradual da crise provocada pela pandemia, um crescimento positivo de 5,8%. A recessão mais acentuada ocorrerá na Zona Euro, com um tombo do produto interno bruto (PIB) de 7,5%, com os Estados Unidos a registarem um crescimento negativo este ano de 5,9% e com China e Índia a registarem, apesar do surto infeccioso que teve origem na Ásia, crescimentos ainda positivos este ano: 1,2% e 1,9%. Para o próximo ano, e tendo como base o cenário mais favorável do FMI, a China registará uma forte retoma (9,2%) e a Índia também recuperará rapidamente, com um crescimento projectado de 7,4%.

O FMI, que classifica a crise actual decorrente da pandemia da doença Covid-19, como a “pior desde a grande depressão” de 1929 e a rotula como “o grande bloqueio”, faz as suas projecções num cenário de “linha de base”, que pressupõe que a pandemia desapareça no segundo semestre de 2020 e os esforços de contenção possam ser gradualmente desenrolados. O Fundo alerta que para “evitar a possibilidade de piores resultados” é necessário adoptar políticas eficazes e que “as medidas necessárias para reduzir o contágio e proteger vidas são um instrumento importante na saúde humana e económica no longo prazo”. O relatório acrescenta que, face às consequências económicas agudas em sectores específicos, “os formuladores de políticas terão de implementar medidas fiscais, monetárias e financeiras substanciais, direccionadas para apoiar as famílias e as empresas afectadas internamente.

O FMI defende ainda uma forte cooperação internacional multilateral, considerando- a “essencial para superar os efeitos da epidemia, inclusive para ajudar países com restrições financeiras que enfrentam dois choques simultâneos – de saúde e de financiamento – bem como para canalizar a ajuda para países com sistemas de saúde fracos”. Na introdução ao relatório, Gita Gopinath, a economista-chefe do Fundo, assinala que “o mundo mudou radicalmente nos três meses desde nossa última actualização do relatório World Economic Outlook, em Janeiro. Um desastre raro – uma pandemia de coronavírus – está a provocar a perda trágica de um número cada vez maior de vidas. À medida que os países impõem as quarentenas e práticas de distanciamento social necessárias para conter a pandemia, o mundo entrou num Grande Lockdown.

A magnitude e a velocidade do colapso da actividade económica que se seguiu são diferentes de tudo o que já vimos”. O documento traça, entretanto, cenários mais negativos, em que os efeitos da pandemia se prolongam no tempo, com resultados mais catastróficos sobre a economia mundial e o emprego. Se tal vier a acontecer, a economia mundial poderá registar uma recessão superior a 3% este ano e 5% em 2021. O Fundo admite ainda a hipótese de se verificar um segundo surto em 2021 (no próximo Inverno no Hemisfério Norte), o qual pode ser pelo menos dois terços tão grave quanto o inicial. Se tal vier a acontecer o produto global estimado para o próximo ano será 5% inferior ao previsto no cenário base. O que domina é a incerteza quanto à duração da pandemia, a eficácia ao seu combate e o surgimento de antídotos que a possam estancar, como uma vacina.

Como está quase tudo em aberto, o FMI também equaciona um cenário mais favorável que o seu cenário base, cuja materialização depende do desenvolvimento de um tratamento ou vacina eficazes mais cedo do que o esperado, o que permitirá remover as medidas de distanciamento social e permitindo uma recuperação mais rápida do que o antecipado. No início de Março FMI pôs à disposição dos países mais atingidos pela pandemia um financiamento de emergência de USD 50 000 milhões. Os director e vice-director dos Assuntos Orçamentais do FMI, Vítor Gaspar e Paolo Mauro, escreveram, na altura, no blog do Fundo, que os governos devem “dar subsídios salariais às pessoas e empresas para ajudar a conter o contágio”. A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, avisou, no final de Março, que a economia global já se encontrava em recessão.

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