Não se confina a realidade

Pronunciamentos de várias fi guras e de várias instituições sugerem que o confi namento domiciliar em África é tarefa quase impossível, ou mesmo impossível. O que a pandemia do novo Cornovírus está a fazer é matar milhares de pessoas no Hemisfério Norte, sobretudo pessoas idosas, e mostrar como lhe seria fácil dizimar toda a população africana. É um aviso muito sério. Mas este vírus ameaça também tornar- se no mais revolucionários dos africanos, é, em certa medida, “um bom camarada”. Está a abrir os olhos de todos os povos do continente para a forma sub-humana como são tratados. No nosso caso, as revelações dos escândalos dos gastos da Assembleia Nacional são apenas mais uma acha na fogueira. Há muitos outros disseminados pelos pilares do poder. E o estado tem a grande lata de publicar números de contas a pedir a contribuição de quem trabalha! Os custos dos nossos servidores políticos precisam de ser bem discutidos. Incluindo o Titular do Poder Executivo, deputados e, já agora, ao lado, o judiciário. Entretanto, com o encerramento de fronteiras a nível global, os políticos africanos, se lhes resta algum cérebro, devem começar a perceber que têm sido o verdadeiro vírus em África, amealhando e amealhando para si, mas apodrecendo o espaço circundante. Nem sempre haverá espaço para fugas. O estudo desenvolvido pela Ovilongwa Consulting, de Benguela, e pelo Instituto Superior Sol Nascente, do Huambo, mostrando que cerca de sessenta por cento dos luandenses não tem como cumprir decentemente o estado de emergência, deve igualmente fazer lembrar que a vida aqui não são as férias que os políticos tiram na Europa, a realidade é outra e as medidas devem ser adequadas. E é preciso deixar de lado o complexo da imitação. Este e outros estudos deveriam ter sido antecipadamente encomendados pelo Governo, houve tempo. As medidas teriam sido mais inteligentes e não teríamos a Polícia no papel de cipaio que bate. Se depois do novo Coronavírus tudo continuar como antes, então que se passe a certidão de óbito, África está morta.

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