Pioneira do cinema africano, Sarah Maldoror, deixou o mundo dos vivos vítima de Covid-19. Em Angola, cineastas reagiram à sua morte cujo legado estão sobretudo assentes nas obras “Monangambé” e “Sambizanga”

Pioneira do cinema africano, Sarah Maldoror, deixou o mundo dos vivos vítima de Covid-19. Em Angola, cineastas reagiram à sua morte cujo legado estão sobretudo assentes nas obras “Monangambé” e “Sambizanga”

Por:Jorge Fernandes

Lutou pela causa das independências africanas através da sua arte: o cinema. Entretanto, o dia 13 de Abril foi fatídico para Sarah Maldoror, que perde a vida, vítima do inimigo invisível com o qual o mundo hoje se enfrenta e combate (Covid-19), na cidade de Paris, França. A notícia da sua morte abalou o mundo inteiro, em particular Angola, por sido casada com um cidadão desta pátria, Mario Coelho Pinto de Andrade, co-fundador e primeiro presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Este movimento através do seu Bureau Político destacou as qualidades intelectuais de Sarah Maldoror, que muito valorizou a cultura afro-caribenha, assim como exaltou o seu sentido de solidariedade para com os povos oprimidos, integrando o grupo de pioneiros dos movimentos que dirigiram as lutas de libertação nacional pelo continente africano. Por sua vez, o realizador Nguxi dos Santos, que teve a oportunidade de registar em vídeo na última entrevista concedida à Rádio Luanda Antena Comercial (LAC), programa Café da Manhã conduzida pelo jornalista José Rodrigues, lamenta a morte desta combatente do pan-africanismo.

“Para os angolanos é uma perda muita grande, porque não podemos esquecer, a grande contribuição dada por Sarah na luta de libertação do povo angolano, mesmo sendo esposa de um dirigente, que lutava não apenas para a libertação de Angola, mas de África”, recorda. O CEO da “Dread Locks” ressaltou o facto de mesmo não se tratando de uma cidadã angolana, nunca cruzou os braços para lutar pela causa africana. “Também lamento o facto de ter gravado a última entrevista dela cá e não ter passado ainda. Não tenho contrato com nenhuma televisão, mas por via de um canal livre que estou a preparar o público e sobretudo as novas gerações deverão ter contacto com este trabalho”, augura.

Cineasta Ganga

Já a cineasta Maria João Ganga enalteceu a qualidade profissional de Sarah Maldoror, entretanto lamenta a sua partida. Como intelectual, refere, deixou uma obra bastante significativa relativamente ao seu engajamento no movimento Pan- Africano. “Era uma mulher dinâmica, que deixou um trabalho com qualidade histórica para as novas gerações africanas e do mundo, puderem aprender e comprender o significado da história das lutas e causas pelas independências africanas”, apontou a realizadora de “Na cidade vazia”. A interlocutora de OPAÍS, hoje também responsável da Casa das Artes de Talatona, aconselhou a divulgar-se cada vez mais as obras de Sarah, uma vez que são muito conhecidas na Eupora, infelizmente por cá, não se dá a devida atenção a esse ramo da indústria criativa, o que lamenta.

Geração 80

Hugo Salvaterra da produtora Geração 80 referiu que a melhor forma de homenagear o trabalho de Sarah Maldoror é preservar e ir divulgando o seu trabalho, cujos destinatários deverão ser as novas gerações, dando continuidade ao seu legado. “Contrariamente à música, em que a indústria está cimentada e faz parte do imaginário colectivo, quando morre um cantor a coisa torna-se viral. E quando morre um cineasta, pessoas que deixaram legado para o país, o cinema infelizmente não é visto como um expoente da cultura”, lamentou.

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