Estudantes de engenharia criam aparelho de prevenção da Covd-19

Com o objectivo de evitar o contágio do Coronavírus, Gertrudes Bernardo Paulo, de 27 anos, e António Fernando Aragão João Domingos, de 30 anos, estudantes universitários, construíram um aparelho com 98% de material reciclado que permite lavar as mãos sem manter nenhum contacto

Por:Stela Cambamba

Um é estudante de engenharia electrónica e o outro de engenharia mecânica, porém, a diferença de cursos e de bairros não impediram os dois jovens de fazerem algo em beneficio da comunidade. Com as ideias a fervilhar, próprio da juventude, decidiram criar algo que pudesse ajudar as pessoas a se prevenirem da pandemia Covid-19. Gertrudes Paulo, de 27 anos, morador no município de Viana, bairro da Estalagem, diz que sempre teve a ideia de que ser engenheiro é fundamentalmente usar o saber para ajudar a sociedade. Baseando-se nesse princípio que norteia a sua vida académica, inspirou- se no exemplo de especialistas da sua área de outros países afectados pela pandemia Covid- 19 que criaram ventiladores para ajudar as vítimas com dificuldades respiratórias.

Ao ver uma a reportagem que narrava histórias de engenheiroa “activos”, começou a reflectir sobre a possibilidade de fazer o mesmo em Angola, apesar de ainda não ter concluído o curso de engenheira electrónica, faltando-lhe apenas a defesa do trabalho de fim de curso. “Pensei, por que não desenvolver algo para ajudar o cidadão nesta fase e não só?”, frisou, sublinhando que tentou mobilizar os seus colegas de curso e da área de mecânica. Todos os que o ouviram se empolgaram e começaram a traçar planos visando a sua materialização, isso no dia 24 de Março do corrente ano.

No dia seguinte, observou que no processo da lavagem das mãos havia maior probabilidade de se registar o contágio, uma vez que antes de higienizar as mãos é necessário abrir a torneira e posterior fechá-la. “Ao fechá-la, sobretudo as que estão em locais públicos, se alguém deixou o vírus é possível que este venha a contaminar a quem vir a tocar na mesma torneira a posterior”, frisou Gertrudes Paulo. Daí surgiu a ideia de criar mecanismos que possibilitam à pessoa lavar as mãos sem tocar na torneira. De acordo com o nosso interlocutor, para desenvolvê-la teve de usar sensores. Partilhou o conceito, mas não obteve respostas dos colegas, facto que levou a pensar que o projecto não os atraiu.

Transformação de caro a acessível Entretanto, depois de uma semana, um outro colega, António Aragão, propões-lhe que unissem esforços no sentido de criarem um aparelho automático dispensador de água e de detergente com sensores, de modo a evitar que se tocassem nele enquanto fosse usado. Como era também a sua ideia, a situação deixou-o meio confuso, mas Gertrudes conta que foi mera coincidência, tendo em conta que o colega até já tinha o projecto meio avançando.

A diferença é que para a construção desse dispositivo haviam sido usados materiais de elevado custo financeiro, o que, para a situação económica de ambos, não funcionava como desejado. “O meu projecto era mais modesto e se encontrava em fase embrionária”. “Trabalhei na parte electrónica e achei por bem utilizar material reciclado. O mais barato possível e que aparece com maior facilidade no mercado, visto que o objectivo é reproduzir o projecto”, frisou. Convenceu o seu parceiro Aragão de que alguns materiais teriam de ser feitos por ambos, sobretudo os sensores. Para a fabricação do sensor, usaram como dispositivo básico o emissor de luz infravermelha do controlo remoto da televisão. Seguiram-se outras peças.

“Todos têm este material em casa. No controlo remoto há uma lâmpada pequena, vermelha, que fica em frente e quando emite o sinal, se tiver uma barreira ele volta”. Neste contexto, foi ainda utilizado outro dispositivo que capta luz infravermelha, assim como sinais luminosos foram convertidos em eléctricos. O aparelho pode ser programado a partir de um computador para desenvolver determinadas tarefas”, detalhou, Gertrudes.

Multiplicação condicionada Explicou ainda que desenvolveu a ideia para ajudar na situação de Covid-19 que o país vive. Sendo que, por agora, a prioridade não é patentear, mas sim reproduzir em massa para ser aplicado em diferentes pontos, sobretudo em locais públicos, com o propósito de ajudar as pessoas a se prevenirem do noco Coronavírus. “A ideia é distribuir de forma gratuita, para que possam estar ao dispor da sociedade, mas, para tal, necessitamos de um financiamento por parte do Estado, de instituições privadas, ou pessoa singular que queira ajudar a desenvolver o projecto filantrópico”, frisou Gertrudes Paulo. Apesar de terem concluído o projecto em Março, até ao momento só produziram um aparelho, por falta de materiais, embora seja 98 por cento reciclado. Isto porque depois de terem concluído, o Governo decretou o estado de emergência e, consequentemente, o encerramento dos mercados, tendo tornado mais difícil a aquisição dos materiais. Segundo Gertrudes, o material electrónico usado para o efeito está orçado entre 10 a 15 mil kwanzas no mercado informal. Entretanto, o valor em causa poderá ser alterado em função da capacidade dos reservatórios de água e de detergente, dependendo da necessidade do local em que for instalado.

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