Deputado Adalberto Costa Júnior pode ser sancionado pela Assembleia Nacional

A Assembleia Nacional poderá suspender o deputado do Grupo Parlamentar da UNITA, Adalberto Costa Júnior, devido às ausências constantes das sessões do Parlamento, soube O PAÍS de fonte deste órgão legislativo

Por:Ireneu Mujoco

Fonte do Grupo Parlamentar da UNITA contactada por este jornal, ontem, minimizou o assunto do possível castido parlamentar ao seu líder, sem avançar mais pormenores, alegando falta de autorização para o fazer, pelo que remeteu o assunto ao líder do Grupo Parlamentar, Liberty Chiyaka, que não respondeu de imediato. Segundo a fonte, desde que foi eleito presidente da UNITA no XIII congresso ordinário realizado de 13 a 15 de Novembro, em Luanda, Adalberto Costa Júnior deixou de participar nas sessões parlamentares por razões não esclarecidas. Por força do Regimento Interno da Assembleia Nacional, com três faltas injustifi cadas arriscase a ser suspenso, e, caso persitam as ausências, poderá ser afastado deste órgão legislativo, à semelhança do que aconteceu com a ex-deputada do MPLA Welwitchia (Tchizé) dos Santos.

A direcção da Assembleia Nacional não recebeu qualquer esclarecimento a justifi car a ausência do deputado que já foi também o líder do Grupo Parlamentar do partido que dirige. Depois da próxima sessão marcada para 22 deste mês, Adalberto Costa Júnior, segundo a fonte, poderá ser convocado para responder sobre as suas alegadas ausências injustifi cadas. Adalberto Costa Júnior foi substituído na chefi a do Grupo Parlamentar da UNITA pelo deputado Liberty Chiyaka, ex-secretário provincial desta força política no Huambo, depois do conclave que o elegeu como novo líder do “galo negro”, em substituição de Isaías Samakuva. Aliás, a chefi a da bancada tem caras novas, sendo que o deputado Maurílio Luiele é o adjunto de Chiyaka, tendo rendido Estevão Catchiungo, mudanças que são justifi cadas pela direcção deste partido com o intuito de apostar na juventude.

Descontentamento

Entretanto, fonte da direcção da UNITA avançou a OPAÍS que um grupo de influentes membros do Comité Permanente da Comissão Política (CPCP) está descontente com alegada atitude do líder deste partido por não se pronunciar, até agora, para a entrada do deputado Isaías Samakuva na Assembleia Nacional. Integrantes deste órgão deliberativo do partido, entre os quais alguns que apoiaram a sua campanha, como José Chiwale, Ernesto Mulato, Chipindo Bonga, Eugénio Manuvakola, Lukamba Paulo (Gato), Marcial Dachala e outros, estão indignados pela forma como está a tratar o “Mais Velho Samakuva”, deplorou a fonte. Informou que Samakuva, quando terminou o seu mandato, manifestou o desejo de ir ao Parlamento para ocupar o seu lugar, sendo ele o número um na lista dos deputados eleitos nas eleições gerais de 2017, mas sem sucesso. Passados seis meses, baseando- se nas declarações da nossa fonte, Adalberto Costa Júnior remeteu- se num silêncio sepulcral em relação ao assunto, que, nos últimos tempos, tem estado a levantar questionamento interno.

Nos corredores da própria UNITA há ainda outras interrogações em surdina pelo facto de o próprio presidente não renunciar ofi cialmente a deputação para dedicar-se exclusivamente à vida interna do partido, como prometeu durante a sua campanha eleitoral. A fonte reforçou que nos 16 anos que Isaías Samakuva dirigiu a UNITA decidiu abdicar do cargo de deputado para reorganizá- la e transformá-la num partido desmilitarizado, que culminou com a sua normalização institucional dentro e fora do país. Em conversa com este jornal, a fonte, um general na reforma, entende que Adalberto Costa Júnior deve pronunciar-se sobre o assunto, realçando não se tratar de fazer “um favor a Samakuva”, mas um direito que lhe confere, por ter sido eleito na mesma lista que ele. No quadro da precedência, caso o ex-líder da UNITA entre, a deputada Joya deverá sair do Parlamento.

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