Hemofílicos no país com comemoração adiada por causa da Covid-19

Assinala-se hoje, o Dia Hundial do Doente Hemofílico. A Liga dos Doentes Hematológicos de Angola, dentro dos seus objectivos de divulgar a hemofilia junto da opinião pública e dos profissionais de saúde, bem como educar as famílias, tinha planeado uma actividade que ficou adiada devido à Covid-19 que assola também o nosso país

Por:Maria Teixeira

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, o vice- presidente da Liga dos Amigos de Doentes Hematológicos de Angola, Kaúnda Gama, explicou que a actividade teria um impacto nacional, com objectivo de consciencializar a população em geral sobre a doença e dar a conhecer os desafios que as pessoas com hemofilia enfrentam. Seriam abordados temas ligados à fisioterapia, hematologia, laboratório (como é feito o exame), ortopedia, no sentido de procurar criar laços de irmandade entre os hemofílicos, uma vez que se tem notado um distanciamento entre os mesmos. Fez saber que neste momento a associação tem registados na sua base de dados 77 doentes, dos quais 13 são hemofílicos e 64 são hemofílicos A, sendo que o mais novo tem 2 anos e o mais velho tem 40 anos de idade. De acordo com a Federação Mundial de Hemofilia, a hemofilia do tipo A ocorre em 1 em cada 5.000 pessoas do sexo masculino e a hemofilia B atinge uma em cada 25.000 do sexo masculino. Pelo que, estima-se que existam 3.600 hemofílicos a nível do país, quando apenas são conhecidos 73.

Kaúnda Gama disse ainda que desde o ano de 2019 até a data presente a associação conquistou alguns feitos importantes, como o apoio da Federação Mundial de Hemofilia no fornecimento de factores de coagulação, e iniciou o processo de acreditação da liga na referida Federação. Outrossim, foram recebidos pela direcção do Ministério da Saúde, com quem oanalisaram a situação da doença em Angola, para se encontrarem soluções e maneiras de o ministério comprar os medicamentos. Por outro lado, avanca: “obtivemos uma doação da Fundação Novo Nordisk para apoiar acções de educação, e formação, e apoio técnico”.

Doentes hemofílicos exigem atendimento de especialistas

A liga está a estudar a possibilidade de fazer com que com que os doentes hemofílicos sejam atendidos por médicos especializados. Assim, terão diagnósticos fidedignos a tempo, de maneira a que tenham o controlo do grau da hemofilia. A ideia é facilitar a inclusão social dos hemofílicos, bem como a garantir a assistência medicamentosa a todos, promover a união e a solidariedade entre os doentes. “Com a chegada da pandemia da Covid-19 ao nosso país, a doação do factor de coagulação diminuiu. Estamos tendo dificuldades em fazer chegar os medicamentos por causa do cancelamento de voos”, disse. Entretanto, para hoje, o Dia Mundial da Hemofilia, estava previsto o lançamento de um livro com o título “Hemofilia – Perguntas e Respostas sobre a Doença, sua importância entre nós e o seu manuseamento”, que foi adiado. De realçar que a hemofilia é uma anomalia do sangue caracterizada por uma demora ou uma falta de coagulação, sendo que a menor ferida pode provocar uma grave hemorragia. Esta é uma doença hereditária, transmitida pelas mulheres, que ataca sobretudo os homens.

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