Opep confirma colapso da demanda por petróleo, ‘um choque extremo e brutal’

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) antecipa um colapso “histórico” na demanda mundial de petróleo em 2020, devido à paralisia económica generalizada pela COVID-19, confirmando nesta Quinta-feira (16) “um choque histórico, brutal, extremo e planetário” no mercado

Segundo previsões divulgadas no seu relatório mensal, a Opep espera que o consumo mundial atinja 92,82 milhões de barris por dia (mbd) este ano, uma queda “sem precedentes” de cerca de 6,85 mbd em comparação com 2019. A Agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris, já havia indicado na Quarta-feira que previa uma queda “histórica” na demanda de petróleo, evocando um consumo mundial de 90,6 mbd ao longo do ano. Será o primeiro declínio anual no consumo global de petróleo desde 2009 e a crise financeira.

“A pandemia de COVID-19 está a afectar a demanda de petróleo de muitos países e regiões, com um impacto sem precedentes nas necessidades, principalmente em combustíveis para transporte”, enquanto as frotas das companhias aéreas permanecem em solo e as medidas de contenção em todo mundo paralisam o movimento, observa a Opep. Nesse cenário, a demanda global por petróleo deverá cair 12 milhões de barris por dia no segundo trimestre em relação ao ano passado, antes de uma recuperação modesta – com um declínio esperado de 6 mbd no terceiro trimestre e em torno de 3,5 mbd nos últimos três meses do ano – prevê a organização. Nesse contexto, o preço do barril mergulhou no abismo.

“O mercado do petróleo está a sofrer actualmente um choque histórico que é brutal, extremo e de escala mundial”, alerta o cartel, cuja sede fica em Viena. Na tentativa de conter a queda nos preços, a Opep e os principais parceiros concordaram no último Domingo em reduzir 9,7 milhões de barris por dia em Maio e Junho, enquanto os países do G20 prometeram maior cooperação. Sob pressão dos preços baixos e do congestionamento nas infraestruturas, todos os países produtores devem ser forçados a reduzir a sua oferta: de acordo com as previsões do cartel, os países não membros da Opep reduzirão a sua produção em 1,5 mbd, em 2020. O golpe é duro para o já fragilizado sector das refinarias. “A queda no consumo pode levar mais refinarias a reduzirem, ou até interromperem, as operações, devido à falta de um ambiente económico favorável, capacidade de armazenamento disponível, ou até funcionários disponíveis”, aponta o relatório.

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