“Temos um sistema de vigilância para a Covid-19 que podemos disponibilizar sem custo para o Estado”

Filantropo e um dos principais investidores estrangeiros em Angola, Haim Taib é o fundador e presidente do Grupo Mitrelli, que está presente em negócios nos sectores da água, agricultura, tecnologia, saúde e até na construção civil. Apesar da crise actual, provocada pela Covid-19, Taib manifesta o interesse de permanecer no país e oferece alguns préstimos das suas empresas, a custo zero, para ajudar o executivo angolano a ultrapassar esta fase. As suas empresas no ramo da Saúde, a Luanda Medical Center e a Yapama, com a distribuição de meios de protecção para os técnicos de saúde, estão disponíveis para o mundo, ao passo que a Geodata tem ‘um avançado sistema de gestão e controlo capaz de mapear, analisar e apoiar as autoridades sanitárias, em tempo quase real, numa situação como a actual, em que existe um elevado potencial de disseminação de um vírus altamente contagioso’. Segundo o investidor, nesta fase da Covid-19, ‘estamos desde já prontos a disponibilizá-lo ao Ministério da Saúde de Angola, sem custos

texto de Dani Costa
fotos de Cedidas

O mundo vive uma situação sem precedentes criada pela pandemia da Covid- 19. Perante este cenário, qual será a actuação futura do Grupo Mitrelli em Angola?

Esta é, realmente, uma situação sem precedentes ao nível mundial, certamente neste século. Mas mesmo recuando ainda mais no tempo, creio que dificilmente haverá memória de uma crise global de saúde pública tão grave e com consequências tão profundas, sanitárias, económicas e sociais em praticamente todos os países do mundo. Falando do Grupo Mitrelli, somos um grupo de empresas especializadas, cada uma no seu sector específico, enquadradas por uma sólida estrutura financeira, realizamos projectos chave-na-mão, sustentáveis, em larga escala e de longo prazo. A nossa actuação em Angola não é fortuita, é fruto de uma presença continuada, de longa data, e assim deverá continuar.

A situação actual, constitui, estamos cientes disso, um enorme desafio. Como todos os outros países do mundo, Angola está a enfrentar uma ameaça invisível, cujos efeitos podem ser devastadores. Mas creio que é unânime a opinião de que os angolanos têm tido uma postura correcta e responsável e que o Executivo tem tomado as medidas mais acertadas para evitar a propagação do coronavírus no país, o que parece estar a acontecer. Pela nossa parte, mantemos inalterável o nosso compromisso de continuar a trabalhar em Angola, em prol do desenvolvimento do país, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para mitigar os efeitos negativos da pandemia, seguindo sempre, naturalmente, e à risca, todas as medidas e todas as recomendações das autoridades angolanas.

E como tem sido o diálogo com o Executivo, numa altura em que o país se encontra em Estado de Emergência?Como descreveria a continuidade dos vossos projectos nesta situação?

 O nosso diálogo com o Executivo é permanente e resulta dos projectos que realizamos e de todas as fases da respectiva implementação. Mas desde o início desta crise global que temos estado em contacto com todas as autoridades relevantes, porventura ainda mais apertado do que é habitual, no sentido de, por um lado, cumprirmos com todos os nossos compromissos e, por outro, seguirmos todas as directivas governamentais. Os projectos que realizamos em Angola são de interesse nacional para o país, creio que sobre isso não restam dúvidas. Por isso, é nosso objectivo continuar a trabalhar tal como planeado, com o Executivo, nos casos que foram considerados prioritários e na medida em que situação permita. Mas, naturalmente, em situação de crise, alguns projectos serão mais importantes e mais prioritários do que outros.

Efectivamente, sabemos que por causa da crise o Grupo teve de parar alguns dos seus projectos e que vai proceder ao repatriamento de expatriados. O que nos pode dizer sobre isso?

Alguns dos nossos projectos foram considerados prioritários, creio mesmo que o são ainda mais nesta altura de crise, sobretudo nas áreas da saúde e da agricultura e produção de alimentos. E foram-nos dadas facilidades para que pudéssemos manter essas actividades em segurança. Em alguns casos, e em função da situação, foi decidido abrandar o ritmo dos trabalhos, e noutros casos foi mesmo necessário suspender a actividade. Mas tanto os abrandamentos como as paragens serão temporários, apenas enquanto isso for necessário para garantir a segurança das pessoas, que é o mais importante. Assim que as autoridades angolanas entendam que é seguro retomar a actividade, estaremos prontos a fazê- lo no mais curto espaço de tempo possível em todos os projectos. Voltando à sua pergunta, gostaria de salientar que os nossos funcionários são, na sua vasta maioria, angolanos, incluindo muitos cargos de chefia.

No que se refere aos expatriados, alguns deles foram, com efeito, repatriados. Mas também neste caso, trata-se de uma medida temporária e parcial, que afecta apenas uma parte do pessoal, cerca de 80 pessoas, nomeadamente funcionários que, em termos de saúde, pertencem a grupos de risco, famílias e ainda alguns funcionários de projectos que foram temporariamente suspensos. Mas também neste caso permitame salientar que se manterão em Angola cerca de 130 funcionários expatriados e todos eles, sem excepção, manifestaram a intenção de permanecer no país nesta altura e contribuir, a par de todos os seus colegas angolanos, para o esforço que está a ser feito para, por um lado, combater a Covid-19 e, por outro, manter, tanto quanto possível, a actividade económica, sem nunca pôr em risco a saúde a segurança pessoais.

O Grupo Mitrelli mantém-se então como parceiro estratégico de Angola em que domínios?

Ser um parceiro estratégico de Angola é, sem dúvida, um papel que muito nos honra. Há muitos anos que contribuímos, e continuaremos a contribuir, para um desenvolvimento sustentável do país, em áreas-chave da economia e da sociedade, e posso falar, novamente, da saúde e da agricultura e agroindústria, mas também em projectos estruturantes nos mais diversos sectores, um pouco por todo o país, no âmbito da estratégia do Executivo. Por exemplo, projectos inovadores de abastecimento de água e energia eléctrica, iniciativas pioneiras na área da educação e formação profissional, projectos de ponta nos sectores das telecomunicações, TICs, sistemas de informação geográficos, entre outras tantas áreas importantes para o desenvolvimento de Angola.

Falemos do sector da água, concretamente do programa “Água Para Todos”, do Executivo angolano, numa fase em que as pessoas tanto necessitam do fornecimento deste bem precioso. Que balanço faria neste domínio?

A participação do Grupo Mitrelli no programa “Água Para Todos”, do Ministério da Energia e Águas, é um bom exemplo do nosso empenho na realização de projectos que contribuem para a melhoria das condições de vida das populações. Através da Owini, a nossa unidade de projectos hídricos, temos vindo a construir sistemas de abastecimento de água potável de Norte a Sul do país, e permita-me que coloque a ênfase precisamente no facto de se tratar água que pode ser bebida e consumida em segurança, sem receio de que seja portadora de doenças. Sem esquecermos que, com a concretização destes projectos, as pessoas deixam de ter de percorrer longas distâncias a pé em busca da água, esse líquido tão precioso.

No âmbito deste programa do Executivo, previa-se que construíssem 180 sistemas de abastecimento de água potável em aldeias remotas em várias províncias do nosso país. Os habitantes dessas localidades já beneficiam destes serviços e já podem usá-los neste momento em que a lavagem das mãos é uma das principais orientações das instituições de saúde?

Já são, na realidade, mais de duas centenas de sistemas de abastecimento de água potável em oito províncias, de Norte a Sul do país. O programa “Água Para Todos” tem vindo a ser desenvolvido em fases pelo MINEA e, a nossa responsabilidade nas duas primeiras fases foi concluir a construção de 224 sistemas noutras tantas localidades nas províncias do Zaire, Uíge, Malanje, Lunda Norte, Moxico, Cuanza Sul, Cuando Cubango e ainda um sistema na província de Luanda. Esses sistemas já se encontram em funcionamento, trazendo água potável ao centro das localidades e permitindo assim às populações não apenas lavar as mãos e cumprir as regras básicas de higiene, que agora são ainda mais importantes e necessárias para combater a Covid- 19, mas sobretudo consumir sempre água de qualidade, melhorando a qualidade de vida e reduzindo a exposição a outras doenças.

Quais são os principais entraves que regista neste processo de fornecimento de água às aldeias mais remotas?

As principais dificuldades são logísticas. Como pode imaginar, a construção de sistemas de abastecimento de água potável em zonas remotas e de muito difícil acesso, incluindo captações de água, armazenamento e distribuição em locais particularmente difíceis, são processos muito complexos. Por vezes são mesmo “pesadelos logísticos”, desde o transporte dos materiais e equipamentos até às localidades onde os sistemas são implantados, à própria construção e instalação dos sistemas. Mas tudo isso são desafios que de uma forma ou outra enfrentamos em muitos dos nossos projectos e aos quais procuramos sempre dar as melhores soluções.

Por exemplo, num dos projectos do MINEA que a Owini está, neste momento, a desenvolver na província do Cunene, torna-se necessário recorrer a água subterrânea devido à seca que afecta aquela região do país. A água tem de ser captada em furos profundos, da ordem dos 180 metros, mas é salobra, não pode ser consumida sem se lhe retirar o excesso de sais. Neste caso, a opção, que poderá vir a ser replicada noutros locais, foi uma solução integrada que inclui um sistema de dessalinização de água, creio que é o único em Angola, e de energia solar, de forma a garantir o abastecimento de água potável às populações.

‘A partir da próxima semana, a Yapama vai fornecer testes para COViD 19 ao Ministério da Saúde

Outra área importante de actuação é a saúde. Quais são os projectos que têm em curso no sector?

A saúde é um sector fundamental em qualquer país e em qualquer circunstância, ainda mais numa situação de crise sanitária como a que enfrentamos agora. O Luanda Medical Center (LMC), que celebra nesta altura o seu 5º aniversário, é o nosso projecto de bandeira nesta área. É um centro médico ambulatório de nível internacional que disponibiliza serviços médicos de alto nível a mais de 800 pacientes por dia.

Nesta altura, é importante salientar que o LMC é um dos únicos centros médicos privados em Luanda que continua a prestar serviços como sempre fez, apesar da situação complicada que se vive e, é preciso dizê-lo, apesar do impacto negativo nos negócios. E nesta altura difícil para todos, o LMC está a disponibilizar serviços adicionais, como visitas domiciliares de médicos e enfermeiros, para apoiar pacientes que não podem sair de suas casas e serviços de tele-medicina para consultas por video-chamada, para o mesmo grupo de pacientes. Sem esquecer o serviço de vacinação em casa para crianças que não podem ser levadas às clínicas.

Também nesta área, permita-me que destaque a actividade da Yapama Saúde, que também faz parte do Grupo e representa em Angola empresas internacionais líderes em serviços de laboratório. E não é por acaso que menciono isto, é porque a Yapama continua a servir os maiores laboratórios de Angola, como o Instituto Nacional de Sangue (INS), o Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS) e várias unidades hospitalares de referência, em Luanda e nas províncias, e a prestar assistência técnica às principais clínicas e hospitais públicos.

E a Yapama está também empenhada em continuar a importar e a disponibilizar às unidades de saúde do país os muito necessários equipamentos de protecção individual, para atender às necessidades de protecção das equipas médicas e do público em geral. E ainda, e nesta altura porventura o mais importante de tudo, a partir da próxima semana, a Yapama passará a fornecer testes para a Covid-19 ao Ministério da Saúde e a unidades hospitalares em Angola.

Até que ponto alguns destes projectos poderão auxiliar o Executivo na prevenção da disseminação do coronavírus ou até mesmo na obtenção de medicamentos para o tratamento da Covid-19?

Apesar de ainda não ser conhecido um tratamento para a Covid-19, Angola poderá contar com a nossa colaboração e com o nosso apoio no combate ao coronavírus e, nesse sentido, estamos inteiramente à disposição do Executivo. Deixe- me dizer-lhe que uma das decisões que tomámos, ainda antes de a Organização Mundial de Saúde ter declarado que estávamos perante uma pandemia, foi a de pôr as nossas subsidiárias na área da saúde, a Promed e a Yapama, por um lado, e a Geodata, que actua na área dos Sistemas de Informação Geográficos (GIS), por outro, a trabalharem em conjunto no desenvolvimento de um sistema de gestão e controlo de saúde pública inteiramente dedicado ao coronavírus e à Covid-19.

E o que nos pode dizer sobre esse sistema? Trata-se de um avançado sistema de gestão e controlo capaz de mapear, analisar e apoiar as autoridades sanitárias, em tempo quase real, numa situação como a actual, em que existe um elevado potencial de disseminação de um vírus altamente contagioso. É um sistema de vigilância activa muito eficaz que pode ser utilizado para resposta no combate ao Covid-19 e posso dizer-lhe que estamos desde já prontos a disponibilizá-lo ao Ministério da Saúde de Angola, sem custos para o Estado.

Com o preço do petróleo em baixa, uma vez mais o Executivo deverá virar as baterias para a produção interna e para a diversificação da economia. É sabido que o Grupo Mitrelli tem procurado desenvolver alguns projectos na área do agro-negócio. Quais são os modelos desenvolvidos que podem servir de base para o momento actual?

Um dos exemplos mais significativos no sector da agricultura e do agro-negócio em Angola é a Aldeia Nova, projecto em que o Grupo se encontra fortemente empenhado. Este é, sem dúvida, um modelo de sucesso que contribui para a economia local e, portanto, também para a economia nacional, em áreas-chave como são a agricultura, a pecuária, a avicultura e, de uma forma geral, a produção de alimentos.

Tendo em conta a realidade actual e as necessidades dos mercados nacional e internacional, quais deverão então ser, na sua opinião, as grandes apostas nos sectores da agricultura e das pescas?

Angola pode reduzir significativamente as importações nestes sectores. Pode mesmo ser auto-suficiente e realizar o potencial para exportar alimentos para outros países da região. E há lugar em Angola para projectos agrícolas dos mais diversos tipos e dimensões, começando pelas grandes fazendas, como por exemplo a Fazenda Samba Cajú, na Província do Cuanza Norte, projecto do, agora, Ministério da Agricultura e Pescas para a produção de milho e soja, realizado pela Agricultiva, a nossa unidade de projectos agrícolas e agro-industriais.

Trata-se de um projecto de extrema importância no que se refere à produção de cereais em grande escala. Mas não esqueçamos os projectos de agricultura familiar em que incluo a Aldeia Nova, uma vez que, não obstante a sua grande dimensão, no seu todo, o projecto tem esse importante componente de pequenas unidades produtivas centradas em torno de famílias. Creio que o investimento em projectos desse tipo, a par de formação profissional adequada nas mais diversas áreas que compõem uma exploração agrícola será uma boa aposta, já que todos têm como denominadores comuns a criação de novos postos de trabalho, o estímulo da economia local e nacional, a redução das necessidades de importação e o aumento da oferta alimentar disponível para as populações locais.

E há projectos no sector das pescas?

Sim, a Aquafish, a unidade de projectos do Grupo neste sector, terminou há relativamente pouco tempo um importante projecto de produção de peixe fresco (Tilápia) no Cuando-Cubango. Este é outro projecto do Ministério da Agricultura e Pescas, que tem como objectivo potenciar os recursos aquáticos da província e garantir o fornecimento de peixe fresco na região. O projecto conta ainda com fábricas de ração e de processamento de peixe. Está pronto e em funcionamento, podendo iniciar a actividade produtiva e comercial em breve, assim que a situação no país o permitir.

Os empresários devem pensar sempre no bem-estar das comunidades’

Como está o projecto “Cidadelas Jovens de Sucesso”?

A educação é crucial para o desenvolvimento de uma nação. Podemos realizar todo o tipo de projectos estruturantes em todas as áreas de desenvolvimento, todas as que já citei, mas se a educação e a formação não forem contempladas, se não houver investimentos nessas áreas, não fizemos nada. As “Cidadelas Jovens de Sucesso” são um projecto notável de educação e integração social do MATPSS que a Focus Education, a nossa unidade de projectos de educação e formação profissional, constrói, equipa e põe em operação, entre muitos outros projectos que tem vindo a realizar. E a verdade é que as cidadelas têm feito jus ao nome e têm tido muito sucesso. Neste momento há em funcionamento em Angola quatro cidade Anlas. A primeira foi a de Cabiri, na província de Luanda, inaugurada em 2009, depois foi Sacassange, no Moxico, em 2014.

Esta foi a primeira fase do projecto. A segunda fase inclui as cidadelas do Dinge, em Cabinda, e Caculama, em Malanje, ambas inauguradas em 2018. E a estas juntar-se-ão outras duas, ambas ainda no âmbito desta segunda fase do projecto, as cidadelas da Matala, na Huíla, que está praticamente pronta a inaugurar, e a de Cangola, no Uíge, cujos trabalhos deveriam estar a começar por esta altura. No seu todo, as cidadelas contribuem para a educação e a integração social de centenas de jovens desfavorecidos, em zonas rurais, todos os anos e esse é, por si só, um enorme benefício para o país. Na maioria dos casos, a formação recebida nestas escolas é a única oferta de formação nas localidades onde estão instaladas e, certamente, aquela que induz maior valor para os alunos e para a comunidade.

O sector imobiliário tem retraído ao longo dos anos por causa da crise. Mantêm a mesma aposta neste domínio com a edificação de construções mais baratas?

A nossa aposta no mercado imobiliário é muito particular e surgiu em resposta a um desafio muito concreto do Executivo angolano, que foi o da construção de novas centralidades em diversas províncias do país. Esse desafio foi aceite pela Kora Angola, uma subsidiária do Grupo especializada nesse sector, que tem feito um trabalho digno de realce em vários pontos do país, em estreita cooperação com a Focus Education, a Ossi-Yeto, que é a nossa unidade de projectos no sector da energia eléctrica e a Geodata, entre outras subsidiárias do Grupo. As centralidades da Kora são soluções integradas de habitação, são verdadeiras comunidades urbanas que incluem, para além das próprias habitações, todos os serviços necessários à comunidade, infraestruturas de apoio de abastecimento de água e energia e tratamento de águas residuais, escolas e centros de saúde, áreas comerciais e de lazer.

E quais as centralidades já construídas?

Entre as centralidades construídas pela Kora e já em funcionamento, e onde vivem actualmente cerca de 60 mil pessoas, contamse, por exemplo, Lossambo, Cuito, Andulo, Uíge e Sumbe. Mas temos ainda Caála, Luena e Bailundo em fase final de construção. Estas comunidades urbanas são planeadas de raiz de forma a prover um ambiente vibrante em todos os sectores, criando um grande impacto nas famílias. Investimos muito no sentimento de pertença, trabalhamos com os moradores e com a administração pública, com o objectivo de garantir a sustentabilidade desses projectos. Para nós, viver é mais do que morar e essa é a filosofia que está por detrás não apenas das centralidades que a Kora constrói mas de todos os nossos projectos.

Sabemos também que têm apostado na responsabilidade social. Como é que estão os projectos neste âmbito?

Permita-me referir à nossa responsabilidade social corporativa, da qual me orgulho muito. Como sabe o Grupo Mitrelli é o principal mecenas da Fundação Arte e Cultura, que actua em Angola há já 14 anos e cuja missão é promover a inclusão social de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade e risco e contribuir para a construção do seu futuro, através das artes educativas. E como o próprio nome indica, a missão da Fundação também é apoiar as artes e a cultura, sobretudo os jovens artistas, e fazer projectos que melhorem o desenvolvimento cultural de Angola.

A Responsabilidade Social é muito importante para nós. Porquê? Porque acredito que os empresários devem pensar sempre no bem-estar das comunidades e fazer tudo para melhorar as condições de vida das pessoas. E só depois pensar nos negócios. É isso o que eu faço e foi por isso que, em 2006, tomei a decisão de criar uma Fundação com o objectivo de “tocar nas vidas das pessoas”, em especial dos mais jovens, investindo na sua educação e na sua inserção social. Hoje, estou certo que essa foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida.

                                 Quem é Haim Taib?

Natural de Israel, onde nasceu em 1960, Haim Taib é o fundador e presidente do Grupo Mitrelli, um grupo internacional de empresas especializadas no desenvolvimento e implementação, em mercados emergentes, de projectos chave-na-mão sustentáveis e em larga escala. Com formação e experiência em empreendedorismo agrícola e infraestruturas e uma vasta experiência em Anlasgola, Haim Taib é um proponente de investimentos de impacto que equilibram o crescimento corporativo com uma responsabilidade social activa, criando oportunidades e capacitando comunidades inteiras a tirar proveito das suas habilidades e recursos. Recentemente fundou a Menomadin Foundation, à qual preside, dedicada à filantropia e aos investimentos de impacto em vários países do mundo.

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