China relata 1.300 mortes de vírus não contadas em Wuhan

Quase 1.300 pessoas que morreram de coronavírus na cidade chinesa de Wuhan, ou metade do total, não foram incluídas na contagem de mortes por causa de lapsos, disse a mídia estatal nesta Sexta-feira, mas Pequim refutou acusações de acobertamento. A cidade central em que o surto emergiu no final do ano passado acrescentou mais 1.290 fatalidades às 2.579 contadas anteriormente até Quinta-feira, reflectindo relatos incorrectos, atrasos e omissões, de acordo com a forçatarefa do governo local encarregada de controlar o coronavírus. Reagindo às mortes adicionais em Wuhan, a China reviu o seu número nacional de mortes mais tarde nesta Sexta-feira para 4.632.

A revisão ocorre depois da especulação generalizada de que o número de mortes em Wuhan é consideravelmente maior do que o relatado. Os rumores sobre mais vítimas foram atiçados por imagens de longas filas de familiares à espera para receber as cinzas de parentes cremados e relatos de milhares de urnas armazenadas numa funerária esperando para serem preenchidas. “No estágio inicial, devido à capacidade hospitalar limitada e à falta de pessoal médico, algumas instituições médicas não se conectaram aos sistemas locais de controlo e prevenção de doenças de forma oportuna, o que resultou no atraso do relato de casos confirmados e em algumas falhas na contagem precisa dos pacientes”, disse uma autoridade não identificada de Wuhan, segundo citações da mídia oficial.

A suspeita de que a China não tem sido transparente a respeito do surto aumentou nos últimos dias à medida que o número de mortes crescia em muitos países, incluindo os Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, expressou, na Quarta-feira, o seu cepticismo a respeito da cifra chinesa anteriormente declarada de cerca de 3 mil óbitos. “Será que vocês realmente acreditam nestes números neste país vasto chamado China, e que eles têm um certo número de casos e um certo número de mortes; alguém realmente acredita nisso?”, questionou. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse nesta Sexta-feira que, embora possa ter havido falhas na colecta de dados durante o surto, a China tem “uma responsabilidade com a história, com o povo e com os falecidos” de garantir números precisos. Algumas autoridades de Wuhan admitiram que pessoas podem ter morrido sem ser contadas nos primeiros dias caóticos do surto, antes de os exames se tornarem amplamente disponíveis.

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