Padre raptado em Cabinda descreve momentos difíceis por que passou

Félix Roberto Cubola Kinyumba foi espancado, amarrado e abandonado no meio de uma floresta durante dois dias, tendo sido dado como morto. A vítima acusa a Polícia de vazar nas redes sociais os seus depoimentos, enquanto este órgão do Ministério do Interior nega e diz que o prelado está envolvido no recrutamento ilegal de cidadãos estrangeiros

Por:Milton Manaça

Os factos remontam à noite de 25 de Março, quando Félix Kinyumba foi surpreendido por oito indivíduos armados, na sua residência, localizada na zona do Zongolo, que depois de anunciarem o assalto apossaram-se de duas viaturas, uma carrinha Mitsubishi L200 e um Toyata do modelo Fortunner. Antes, o Padre Félix foi submetido a actos de espancamento, tendo depois sido amarrado, raptado e abandonado numa floresta, conforme contou numa carta a que o jornal OPAÍS teve acesso. “Foram levados os meus pertences, dinheiro e fui tido como morto na floresta onde fui abandonado”, conta. O prelado católico disse que só conseguiu desfazer-se das amarras às 3h do dia 26 do mesmo mês e andou madrugada dentro até chegar à cidade, onde informou o ocorrido ao Governo Provincial de Cabinda, que de imediato accionou as forças policiais.

No momento em que a equipa do Serviço de Investigação Criminal (SIC) fazia a peritagem na sua residência, Félix disse que um dos agentes o terá informado que já tinha ideia de quem estava por detrás do assalto, tendo inclusive lhe mostrado algumas imagens do cabecilha do grupo. Uma das viaturas roubadas, o Fortunner, os meliantes conseguiram fazer passar pela fronteira do Lindo na noite do dia 26, enquanto a carrinha foi recuperada pela Polícia de Guarda Fronteira. O Padre Félix diz que esta fronteira é fértil para a passagem de viaturas roubadas e aponta que foi o mesmo lugar usado para fazer passar as viaturas do antigo director do SIC/Cabinda, do administrador do Tando Zinze e de outros cidadãos para a República Democrática do Congo.

Informações vazadas nas redes sociais

Depois de ter sido ouvido pela Polícia, o seu depoimento foi parar nas redes sociais, e, para ele, não restam dúvidas de que a fuga de informação foi feita pela corporação.O Padre Félix acusa ainda a Polícia Nacional em Cabinda e as demais autoridades da província de nada fazerem para salvaguardar as fronteiras com os dois Congos, alegando que existem à disposição “materiais comprados com o dinheiro público que apodrecem no quartel da Polícia de Cabinda”. Segundo ele, “a razão da não fiscalização desta fronteira é o comércio ilícito de combustíveis e o roubo de viaturas para o enriquecimento dos mais altos da província”.

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