Sou essencial

Ao longo da semana, dei por mim a ler alguns artigos sobre o nosso mercado informal, em que, inevitavelmente, as Zungueiras ou Quitandeiras são as mais referenciadas. Há uma obra que me chamou atenção, a da escritora angolana Dya Kassembe, em que ela expõe uma preocupação sobre este nicho comercial, o facto de estarem a perder a sua cultura e identidade como tal. Entraram numa era em que não as respeitam, não as valorizam, elas próprias deixaram de perceber a importância que têm no contexto social e económico. O que aconteceu? Já desde o Século XVII, reza a história que as quitandeiras eram extremamente organizadas e tinham uma literacia fi nanceira que lhes permitia defenderem-se e compreenderem a regra do jogo económico/ Comercial e social. O que aconteceu? Porque é que hoje, simplesmente, o executivo ignora e até alimenta esta forma diária e permanente de vulnerabilidade profi ssional ? No meu último artigo prometi trazer até ao leitor o desenvolvimento sobre o tema “Papel Comercial das Zungueiras”. Creio que todas têm um papel comercial “involuntário”, apenas não sabem tornar este papel efi caz. Considerando que as ‘zungueiras’, na sua maioria, são as únicas rendas ativas que as suas famílias possuem, deveríamos dar-lhes mais atenção. O papel do executivo é essencial para esta questão. Até aqui eu tenho falado muito na actuação dos empresários junto dos nano empresários/as (Zungueiras), mas para este ponto tenho que, inevitavelmente, na medida do possível, e com toda a humildade, despertar atenção do nosso executivo. Devemos transformá- las, tirá-las do papel submisso e vulnerável, para um papel autónomo e resguardado. Sugiro uma revisão da “Lei sobre as Actividades comerciais”, que mesmo legalizando a venda ambulante, não creio que o seu impacto seja sufi ciente para as/os tornar resguardadas/os. Minha sugestão para este dilema entre a actuação comercial Involuntária das nossas/os nano empresarias/ os Vs actuaçao do executivo: 1. Dê a cada uma delas a oportunidade de estarem devidamente identifi cas, a importância de terem um Bilhete de Identidade para que possa haver uma maior controlo e registo; 2. Em cada administração local (deve haver um plano nacional, englobando as administrações), façam um levantamento do nível de literacia destas/es nano empresarias/ os. 3. Adapte as necessidades de cada nano empresaria/o de acordo com o seu nível escolar (plano nacional) (Tema para o próximo artigo); 4. Criem plataformas digitais (gov) onde pessoas singulares se podem oferecer para dar formações nas áreas que estarão afectas às necessidades identifi cadas, para desenvolver os Skills (qualidades) das/os Nano empresarias/os; Poderia estar aqui a desenvolver mais pontos, mas o objectivo é apelar a que se equlilibre esta classe com conhecimento e protecção legal, pois, não ignoremos, falamos de uma parte da sociedade em que basicamente são elas “as zungueiras” (Nano empresária) o único sustento para as suas famílias. Proteja-se e fi que em casa!

KÉNIA CAMOTIM (Economista)

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